Jovem mulher em um cozinha segurando um copo de leite e olhando para ele com cara de sofrimento enquanto está com a mão sobre a sua barriga

Magno Veras

Você sabia que milhares de brasileiros, atualmente, não conseguem digerir a lactose? Ela é um tipo de açúcar encontrado no leite e derivados, e esse quadro, provoca uma “baita dor de barriga” depois que a pessoa ingere qualquer produto que a tenha em sua composição.

Quando isso acontece, um dos diagnósticos mais prováveis é o de intolerância à lactose. Essa condição não costuma ser prejudicial à saúde, mas pode ser bastante desconfortável.

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Afinal: o que é a intolerância à lactose e qual é a sua causa?

Quando bebemos leite ou comemos algo derivado dele, nosso intestino delgado produz uma enzima chamada lactase. Ela é responsável por quebrar a lactose, um tipo de açúcar, em glicose e galactose. Esse processo é importante porque é ele quem garante a digestão completa desses alimentos.

O que acontece com pessoas intolerantes à lactose, então, é que elas não produzem lactase o suficiente para digerir produtos e alimentos que contenham a lactose em sua composição.

Em vez disso, ela segue para o cólon, onde se mistura com bactérias do intestino e é fermentada por elas, formando ácidos graxos e gases de cadeia curta. Isso causa inchaço, flatulência e dor.

Tipos de intolerância à lactose

1. Hipolactasia do “tipo adulto”

É o tipo mais comum de intolerância à lactose. Só no Brasil, cerca de 40% da população possui esse quadro.

Todos os mamíferos iniciam a vida produzindo muita lactase, já que o leite é o principal alimento dos bebês (e o leite humano é o mais rico em lactose de todos). Com o crescimento, essa produção diminui de forma acentuada e a digestão da lactose é comprometida progressivamente. Os sintomas costumam surgir na idade adulta, porém, em alguns casos, a intolerância aparece ainda na adolescência.

Suas causas podem estar relacionadas à genética, principalmente em descendentes de indianos, africanos, asiáticos e hispânicos, ou ainda ao histórico familiar do paciente.

2. Intolerância secundária à lactose

Essa forma de intolerância à lactose ocorre quando o intestino delgado diminui a produção de lactase após uma doença, lesão ou cirurgia.

Entre as doenças associadas ao problema, estão a doença celíaca, diarreia provocada por gastroenterite viral, alergia à proteína do leite de vaca e a doença de Crohn.

Dessa forma, quando temos diarreia por uma infecção intestinal, por exemplo, perdemos temporariamente a capacidade de digerir a lactose.

O tratamento da doença de base é a melhor forma de restaurar os níveis de lactase no organismo.

3. Intolerância congênita à lactose

Apesar de extremamente raro, é possível que o bebê nasça com intolerância à lactose. Isso acontece quando o distúrbio é passado geneticamente em um padrão de herança chamado autossômico recessivo. Isso significa que a mãe e o pai transmitiram para o filho a mesma variante do gene que vai provocar a deficiência de lactase no organismo do pequeno. Neste caso o bebê tem diarreia intensa desde os primeiros dias de vida. O quadro é bem diferente de alergia às proteínas do leite de vaca.

Fatores de risco

  • Idade: a intolerância à lactose geralmente aparece na idade adulta, na medida em que o paciente vai produzindo cada vez menos lactase.
  • Etnia: como já explicamos, essa condição é mais comum em pessoas de descendência africana, asiática, hispânica e indiana.
  • Prematuridade: bebês nascidos prematuramente podem ter níveis reduzidos de lactase no intestino delgado porque este só desenvolve as células produtoras dessa enzima no final do terceiro trimestre.
  • Doenças que afetam o intestino delgado: condições que acometem o intestino delgado, como a doença celíaca, por exemplo, podem causar intolerância à lactose.
  • Certos tratamentos contra o câncer: a quimioterapia e a radioterapia, principalmente quando feita na região abdominal, podem causar complicações intestinais, aumentando o risco para intolerância à lactose.

Quais são os sintomas da intolerância à lactose?

Se não for administrada adequadamente, a intolerância à lactose pode causar problemas digestivos graves. Além disso, é comum que o paciente tenha os seguintes sintomas:

  • inchaço;
  • cólicas abdominais;
  • gases;
  • diarreia;
  • náusea;
  • vômito;
  • dores na parte inferior da barriga.

A gravidade dos sintomas varia de acordo com o nível da intolerância.

Diagnóstico

O médico costuma suspeitar de intolerância à lactose com base nos sintomas do paciente e na resposta do organismo dele à redução da quantidade de laticínios em sua dieta.

A confirmação do diagnóstico pode ser feita por meio dos segundos exames:

  • Teste de tolerância à lactose sanguíneo: ele mede a reação do organismo a um líquido que possui altos níveis de lactose. Duas horas depois de bebê-lo, o paciente é submetido a exames de sangue para medir a quantidade de glicose na corrente sanguínea de hora em hora. Apesar de ser um dos testes mais populares para diagnóstico da intolerância à lactose, ele é o menos fidedigno.
  • Teste respiratório: nele, a pessoa também precisa tomar o líquido rico em lactose. Em seguida, o médico vai medir a quantidade de hidrogênio na respiração do paciente em intervalos regulares. Normalmente, muito pouco hidrogênio é detectável. No entanto, se o corpo não digerir a lactose, ela chegará ao intestino grosso e será fermentada, liberando hidrogênio e outros gases, que são absorvidos pelo intestino e detectados pelo exame. Este é considerado o padrão-ouro e o melhor teste para saber se realmente o indivíduo possui intolerância a lactose.
  • Teste de acidez nas fezes: para bebês e crianças que não podem passar pelos outros exames, esse exame pode ser usado para indicar a fermentação da lactose não digerida. Porém, é um exame pouco fidedigno.
  • Teste genético: útil para detectar a predisposição genética a intolerância a lactose. No entanto, não detecta se o indivíduo possui intolerância naquele momento ou não.

A intolerância à lactose tem cura?

Atualmente, não há como curar a intolerância à lactose, e sim controlá-la. Para isso, basta:

  • evitar grandes porções de leites e derivados na sua dieta;
  • cortar sorvete, vitaminas e alimentos com MUITA concentração de lactose em sua composição;
  • ingerir a enzima lactase em forma de cápsula um pouco antes de comer alimentos que contenham muita lactose.

Importante:

A maioria das pessoas com intolerância toleram produtos com baixo teor de lactose (bolos, pão de queijo, queijo). No entanto, se ingerirem uma grande quantidade desses alimentos, podem apresentar sintomas.

Quando as reações são intensas a um alimento que possui apenas uma pequena quantidade de lactose, devemos desconfiar que talvez essa pessoa tenha um problema com a proteína do leite de vaca.

E, por fim, ser intolerante à lactose não é o mesmo que ser alérgico ao leite

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