Ginecologista mostrando para uma paciente que tem infertilidade um modelo do sistema reprodutor feminino

Dra. Marilyn Rita da Silva

Ao contrário do que muitos pensam, a infertilidade não é uma condição que afeta apenas as mulheres. A grande verdade é que ambos os sexos podem passar por dificuldades para terem filhos naturalmente.

Para a mulher, o diagnóstico de infertilidade é dado quando ela não é capaz de engravidar após um ano de tentativas, porém caso a paciente tenha mais de 35 anos de idade, a investigação não deve ser retardada, portanto recomenda-se iniciar investigação após seis meses de tentativa sem sucesso.

No homem, esse problema é identificado quando seus órgãos reprodutores são incapazes de produzir espermatozoides saudáveis e em quantidades ideais para o êxito da fecundação.

Para entender mais sobre as causas e tratamentos da infertilidade nas mulheres, continue conosco

A título de curiosidade: como funciona a gravidez?

A gravidez é o resultado de um processo que envolve diversas etapas:

Figura que mostra o processo de reprodução humana. Inicia-se com o sistema reprodutor do homem e da mulher, mostra os espermatozoides e o óvulo, a fecundação, o zigoto, o embrião e o feto.

Causas da infertilidade em mulheres

A infertilidade, em mulheres, pode ser provocada por:

  • ovulação ausente ou insuficiente (normalmente causada por doenças como síndrome do ovário policístico, menopausa precoce e hiper/hipotireoidismo);
  • bloqueio entre o útero e as tubas uterinas (em decorrência de condições como endometriose e doença inflamatória pélvica);
  • problemas físicos no útero (é o caso de miomas, tumores etc).

Síndrome do ovário policístico (SOP)

É uma alteração hormonal em que a mulher apresenta ciclos menstruais irregulares, excesso de hormônios masculinos e seus ovários desenvolvem múltiplos pequenos cistos. Nessas pacientes, a ovulação não ocorre de forma regular.

Para saber todos os detalhes sobre essa doença, clique aqui.

Menopausa precoce

A menopausa precoce ocorre em mulheres abaixo de 40 anos de idade, devido à falência ovariana prematura (FOP). Em outras palavras, há uma diminuição ou interrupção na produção hormonal pelos ovários.

Ainda não se sabe, ao certo, qual é a causa determinante para a FOP. Contudo, alguns fatores de risco podem ser associados a ela como, por exemplo, hereditariedade, doenças autoimunes, problemas metabólicos etc.

Hiper/Hipotireoidismo

Tanto o hiper quanto o hipotireoidismo são disfunções da glândula tireóide. Ocorre que o TSH, hormônio que estimula as atividades tireoidianas, também influencia no processo de ovulação, como em várias outras funções no organismo. Sendo assim, qualquer irregularidade na tireóide pode levar a infertilidade.

Para saber tudo sobre ambas as condições, clique nos links abaixo:

Endometriose

Acontece quando o tecido que reveste o interior do útero (endométrio) é encontrado em outros locais como tubas uterinas, ovários e até mesmo intestino. Seus efeitos, no caso da infertilidade, podem ser devido à obstrução mecânica das tubas uterinas, dificultando a passagem do óvulo até o útero, ou ao comprometimento da qualidade do óvulo e/ou da receptividade do útero a este.

Para saber tudo o que precisa sobre a Endometriose, clique aqui.

Doença inflamatória pélvica

A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma inflamação dos órgãos reprodutivos femininos. Sua principal causa está associada ao acometimento da vagina, útero, tubas uterinas e/ou ovários por bactérias sexualmente transmissíveis.

Seus sinais e sintomas podem ser muito sutis, sendo um deles a dificuldade para engravidar.

O tratamento para essa doença é feito, normalmente, por meio de antibióticos (para a mulher e seu/sua parceiro(a)) e abstinência sexual temporária.

Miomas

Miomas são tumores benignos que se desenvolvem na parede do útero. De causa desconhecida, eles variam em tamanho, desde indetectáveis ​​ao olho humano, até massas volumosas que podem distorcer o útero e até mesmo outras estruturas vizinhas.

Deste modo, dependendo da localização e do tipo de mioma, ele pode dificultar implantação do blastocisto. Isso pode provocar tanto a infertilidade, quanto aumentar as chances de um aborto espontâneo.

O tratamento dos miomas vai depender de vários fatores, podendo variar desde observação até remoção cirúrgica.

São outros fatores de risco para a infertilidade em mulheres:

  • Idade: a fertilidade da mulher começa a diminuir gradualmente por volta dos 32 anos de idade. A partir dos 37, o número de óvulos disponíveis declina drasticamente. Como a mulher já nasce com uma reserva ovariana determinada e não são formados novos óvulos durante a vida adulta, além da quantidade desses diminuir ao longo dos anos, a sua qualidade também acaba decaindo e por conseguinte, reduzindo a fertilidade
  • tabagismo;
  • uso excessivo de álcool;
  • estresse;
  • má alimentação;
  • praticar exercícios físicos com alta frequência e intensidade;
  • estar muito acima ou abaixo do peso;
  • quimioterapia ou radioterapia;
  • uso de anti-inflamatórios não esteroidais em alta dosagem e por tempo prolongado;
  • uso de medicamentos antipsicóticos;
  • uso de drogas recreativas como, por exemplo, maconha e cocaína.

Diagnóstico

Um passo importante na investigação da infertilidade feminina é consiste em estudar a ovulação. As principais maneiras de se monitorar esse processo em casa, pela própria paciente, são:

  • medindo e anotando a temperatura corporal matinal;
  • observando o estado e mudanças do muco cervical;
  • usando um teste de ovulação caseiro.

Também é possível verificar a ovulação por meio de exames complementares como:

  • ultrassonografia dos ovários;

A investigação do casal infértil se baseia, além da avaliação da ovulação feminina, em outros fatores que podem interferir no sucesso da gestação. Para tanto é necessária consulta com profissional especialista no assunto, pois o mesmo avalia o que foi observado pela paciente em relação a ovulação, além da história completa do casal, do exame físico e também pode lançar mão de exames complementares:

  • Ultrassom endovaginal (avalia alterações na estrutura uterina que podem interferir na implantação do blastocisto e pode também avaliar a ovulação, quando realizado na fase adequada do ciclo);
  • Exames hormonais (avaliam anormalidades que possam estar interferindo na ovulação da paciente);
  • Espermograma (avaliação da fertilidade masculina);
  • Histerossalpingografia (é uma radiografia contrastada do útero e das tubas uterinas que auxilia na identificação de bloqueios físicos que podem estar causando a infertilidade);
  • Histeroscopia e laparoscopia (procedimento cirúrgicos que podem ser utilizados tanto no diagnóstico, como no tratamento de certos problemas que possam estar interferindo negativamente na fertilidade feminina);

Tratamento da infertilidade feminina

O tipo de tratamento recomendado para a infertilidade depende de uma variedade de fatores, incluindo:

  • a causa da infertilidade;
  • há quanto tempo a paciente está tentando engravidar;
  • idade;
  • o estado de saúde geral da paciente e do seu parceiro;
  • as preferências pessoais da paciente.

Nas mulheres, o tratamento para a infertilidade pode envolver medicamentos, assistência reprodutiva ou até mesmo cirurgia. Em alguns casos mais de uma estratégia precisa ser adotada para se alcançar a gestação almejada.

Gostou do texto? Mantenha-se sempre atualizado sobre as melhores escolhas para a sua vida com o nosso Blog e redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter)! Estamos te esperando.