Deitada na cama, garota com infecção respiratória tem soro fisiológico aplicado em seu nariz pela sua mãe

Dra. Denise Brasileiro

Mesmo pensando dia e noite na pandemia de COVID-19, não podemos esquecer que a época da gripe e de outros vírus respiratórios está chegando…

Você sabia que as infecções respiratórias agudas, especialmente a bronquiolite e a pneumonia, são a maior causa de morte em crianças abaixo de 5 anos no mundo? Os grandes vilões dessa história, além dos coronavírus, são vírus como o sincicial respiratório, influenza, adenovírus e metapneumovírus.

Vamos entender um pouco mais sobre esse assunto e aprender a prevenir as infecções nas nossas crianças?

Anatomia do trato respiratório

O trato respiratório é dividido em duas partes:

  • superior: narinas, cavidade nasal, faringe, epiglote e laringe;
  • inferior: traqueia, brônquios, bronquíolos e pulmões.

Infecções virais que acometem apenas o trato superior são geralmente benignas e autolimitadas. Por outro lado, quando chegam até os brônquios, bronquíolos e pulmões, tornam-se mais graves e até mesmo fatais.

Alguns fatores aumentam o risco de uma infecção progredir para o trato respiratório inferior. São eles:

  • poluição;
  • tabagismo (inclusive passivo);
  • desnutrição e deficiências vitamínicas;
  • prematuridade;
  • doenças pulmonares associadas;
  • HIV/AIDS;
  • diarreia crônica;
  • falta de acesso ao atendimento médico.

Toda criança tem infecções respiratórias?

Nos primeiros dois anos de vida, uma criança apresenta cerca de 8 episódios de infecções respiratórias por ano. Porém, a maioria delas acomete apenas o trato respiratório superior.

A transmissão se dá principalmente pela aspiração de gotículas de secreção expelidas na tosse, espirro e fala, ou quando a criança contamina as suas mãos e toca seus olhos, boca ou nariz.

Sinais e sintomas das infecções respiratórias nas crianças

Quando o vírus invade a mucosa nasal, ele dá início a um processo inflamatório e produção de muco. Os primeiros sinais surgem, geralmente, 3 a 5 dias após a infecção.

O nariz fica entupido, escorrendo, a garganta dói e pode surgir febre e tosse. As crianças podem continuar a tossir durante semanas após a resolução da infecção.

Outros sintomas comuns são: perda de apetite, apatia, dores na cabeça e no corpo.

Os bebês podem ter muita dificuldade para respirar com o nariz entupido, por isso é importante lavá-lo frequentemente com soro fisiológico. Caso a respiração fique rápida e ruidosa, ou a pele da criança fique azulada (cianose), leve-a imediatamente para o hospital.

Vírus que causam infecções respiratórias nas crianças

Vírus sincicial respiratório

O agente mais frequente de infecções respiratórias em todo o mundo é o vírus sincicial respiratório (VSR). A maioria das crianças é infectada por ele antes dos 4 anos de idade.

A primeira infecção geralmente progride para o trato respiratório inferior, causando bronquiolite e pneumonia. A doença respiratória é mais grave nas crianças:

  • prematuras;
  • portadoras de doenças congênitas do coração;
  • asma;
  • fibrose cística;
  • imunodeprimidas.
  • Após o primeiro episódio, estima-se que ocorre uma reinfecção anual, porém esta se manifesta como um resfriado leve.

    No Brasil, a maior prevalência de casos de VSR ocorre entre os meses de maio a setembro.

    Não existe tratamento específico ou vacina contra o vírus sincicial respiratório.

    Está indicado o uso da imunoglobulina específica, chamada palivizumabe, em bebês prematuros (nascidos com menos de 29 semanas) e de alto risco, na época de maior incidência das infecções.

    O medicamento é injetável e aplicado uma vez ao mês, a partir de fevereiro, durante cinco meses.

    Metapneumovírus

    Apesar de menos frequente e menos agressivo que o vírus sincicial respiratório, o metapneumovírus pode causar quadros graves, especialmente se há coinfecção.

    Não existe tratamento específico nem vacina contra esse tipo de vírus.

    Influenza

    O vírus influenza causa a gripe, uma infecção aguda de alta transmissibilidade e que ocorre em todo mundo. Ela pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, porém costuma ser mais grave nas crianças, idosos, gestantes e pessoas portadoras de outras doenças.

    No Brasil, o aumento dos casos de gripe geralmente ocorre de abril a outubro.

    Não confunda: gripe é diferente de resfriado!
    O resfriado é um quadro brando de infecção das vias aéreas superiores, geralmente sem febre e que não compromete o estado geral.

    O tratamento da gripe não complicada é feito apenas com sintomáticos. Quadros mais graves podem ser tratados com Oseltamivir.

    Adenovírus

    Os adenovírus causam infecção respiratória, semelhante a um resfriado comum, conjuntivite, bronquite e pneumonia. Alterações digestivas podem ocorrer, porém são mais comuns em crianças menores de 5 anos.

    A transmissão ocorre por meio de secreções respiratórias, mãos e objetos contaminados. Nos quadros abdominais, pode ocorrer contaminação fecal-oral, de água ou alimentos.

    O sinais e sintomas mais comuns são:

    • nariz escorrendo;
    • dor de garganta;
    • febre;
    • tosse;
    • aumento dos gânglios (linfonodos);
    • dor de cabeça;
    • olho vermelho.

    Nos quadros digestivos ocorre diarreia aguda, febre, vômitos e dor abdominal.

    Não existe tratamento específico ou vacina contra o adenovírus.

    Tratamento das infecções respiratórias virais

    As infecções respiratórias não complicadas são tratadas com:

    • repouso;
    • hidratação;
    • antitérmicos e analgésicos;
    • lavagem nasal com soro fisiológico.

    Importante: se houver dificuldade para respirar, a criança deve ser levada ao hospital.

    Prevenção das infecções respiratórias na infância

    Para prevenir todas as doenças respiratórias, as recomendações são:

    • lavar as mãos frequentemente com água e sabão;
    • proteger a boca com o braço ou lenços descartáveis ao tossir;
    • evitar contato com pessoas doentes;
    • não compartilhe copos, garrafas e outros utensílios;
    • não expor a criança à fumaça de cigarro;
    • usar soro fisiológico (gotas ou spray nasal) quatro vezes ao dia na época do inverno, para manter a mucosa hidratada.

    Em alguns pacientes com histórico de bronquite ou bronquiolite pode estar indicado, a critério médico, o uso de medicamentos para prevenir outra infecção e crises agudas respiratórias.

    O uso de corticoide inalatório ou nasal não deve ser suspenso nessa época, pois protege as crianças de quadros mais graves.

    Imunoglobulina

    Para a prevenção da infecção pelo vírus sincicial respiratório em crianças susceptíveis a quadros graves, está indicado o uso do palivizumabe.

    Vacina

    A gripe é a única das doenças respiratórias virais que pode ser prevenida por meio da vacinação. Todo ano, o Ministério da Saúde lança uma campanha nacional que oferece a vacina gratuitamente para a população de risco.

    Quem deve ser vacinado contra a gripe (influenza)?

    • Crianças de seis meses a menores de seis anos (5 anos, 11 meses e 29 dias).
    • Grávidas em qualquer idade gestacional.
    • Puérperas até 45 dias após o parto.
    • Trabalhadores da Saúde.
    • Professores de escolas públicas e privadas.
    • Povos indígenas a partir dos seis meses de idade.
    • Indivíduos com 60 anos ou mais de idade.
    • Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas.
    • População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional.
    • Força de segurança e salvamento.
    • Pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais independe da idade.

    Alerta:

    Neste momento de pandemia da COVID-19, é mais importante do que nunca se vacinar contra a gripe. A primeira razão para isso é: a gripe é potencialmente grave e fatal.

    Além disso, os dois vírus podem infectar a mesma pessoa ao mesmo tempo, aumentando muito a chance de complicações.

    Um último motivo, não menos importante, é que nessa época do ano, quando o número de casos de gripe aumenta, o médico possa eliminar esse diagnóstico na avaliação do paciente com quadro respiratório.

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