Médica segurando um laço vermelho e uma camisinha para alertar sobre a AIDS e o HIV

Dra. Isadora Saraiva

O HIV (vírus da imunodeficiência humana) é um vírus que ataca as células do sistema imunológico, tornando a pessoa mais vulnerável a outras infecções e doenças.

Transmitido por meio de fluidos corporais (especialmente o sangue), ele pode se alojar no organismo de um paciente por anos sem causar nenhum sinal ou sintoma.

Porém, o paciente, assim que infectado, pode se tornar um vetor do vírus e transmiti-lo a outras pessoas. É por isso que as medidas de proteção contra o HIV são tão importantes, bem como seu tratamento precoce.

Como o HIV é transmitido exatamente?

O HIV é transmitido por certos fluidos corporais. São eles:

  • sangue
  • sêmen
  • fluidos vaginais e retais
  • leite materno

Sendo assim, “como se pega HIV”?

  • Por meio de sexo vaginal ou anal desprotegido (lembrando que o único método contraceptivo que previne o HIV e outras DST’s é a camisinha masculina);
  • compartilhando agulhas, seringas e outros objetos perfurocortantes;
  • da mãe para o bebê, durante a gestação, parto e/ou amamentação;
  • por meio da exposição aos fatores listados acima, de uma pessoa contaminada pelo HIV, quando se tem uma ferida aberta na pele e/ou mucosas;
  • apesar de raro, por meio de transfusão de sangue ou transplante de órgãos e tecidos.

Atenção! Alguns meios de transmissão, apesar de extremamente raros e até mesmo não suficientemente estudados e comprovados pela comunidade médica, merecem nossa atenção. São eles:

  • sexo oral (nesse caso, o HIV é transmitido apenas se houver sangramento nas gengivas ou feridas abertas na boca da pessoa);
  • ser mordido por uma pessoa com HIV (só se a saliva da pessoa estiver com sangue, ou se houver feridas abertas na boca dela);
  • feridas, membranas mucosas ou sangue de alguém com HIV (a transmissão só acontece quando a região do corpo da outra pessoa exposta ao vírus também estiver com uma ferida aberta).

E como “não se pega” o HIV?

O vírus HIV NÃO É TRANSMITIDO por meio de:

  • contato pele a pele (abraço, aperto de mão etc);
  • ar, água, superfícies e objetos;
  • compartilhamento de talheres e garrafas;
  • saliva, lágrimas ou suor (a menos que estejam misturados com o sangue de uma pessoa soropositiva);
  • compartilhar banheiro, toalhas ou roupas de cama;
  • beijo (a menos que a boca das duas pessoas estiver com feridas abertas);
  • picada de mosquitos ou outros insetos.

A infecção pelo HIV tem cura?

Infelizmente, ainda não existe uma cura para a infecção pelo HIV. Em outras palavras, uma vez que a pessoa se infecta com esse vírus, ele estará presente no organismo para o resto da vida.

No entanto, com medicamentos específicos (terapia antirretroviral), é possível viver por muitos anos.

Os medicamentos antirretrovirais são agrupados em seis classes:

  • inibidores nucleosídeos da transcriptase reversa: interferem na capacidade do vírus de se multiplicar ao bloquear uma enzima que ele precisa para fazer cópias de si mesmo;
  • inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa: também bloqueiam a reprodução do vírus;
  • inibidores de protease: bloqueiam a ação de uma enzima chamada protease, impedindo que as células acometidas pelo HIV se multipliquem;
  • inibidores de fusão: impedem a entrada do vírus HIV nas células do sistema imunológico;
  • inibidores da integrase: interrompem as atividades da enzima responsável pela adição do material genético do vírus HIV ao DNA da pessoa;
  • inibidores de entrada (antagonistas CCR5): também impedem a entrada do vírus HIV nas células do sistema imunológico.

Os medicamentos listados acima são combinados em esquemas terapêuticos. A escolha destes, por sua vez, depende de cada caso e, portanto, é sempre feita por um profissional da saúde.

Normalmente, as doses desses medicamentos são diárias e devem ser tomadas exatamente como prescritas.

Para o acompanhamento, são feitos exames de sangue periódicos para conferir a carga viral e a contagem de CD4 do paciente. Se a combinação não estiver funcionando, o médico fará uma nova prescrição até que um esquema mais adequado seja encontrado.

AIDS: o outro lado da moeda

Quando a infecção pelo HIV se manifesta, ela recebe o nome de AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida). O diagnóstico dessa doença acontece quando o paciente:

  • está com o sistema imunológico seriamente comprometido pelo vírus;
  • tem o número de células CD4 abaixo de 200/mm³;
  • desenvolve uma ou mais infecções oportunistas, independentemente da contagem de células CD4.

Sintomas da AIDS

A AIDS pode ter várias manifestações, de acordo com o estágio em que se encontra a doença:

  • febre;
  • sudorese noturna;
  • gânglios linfáticos inchados;
  • erupção difusa na pele;
  • fadiga;
  • fraqueza;
  • dores musculares e nas articulações;
  • dor de garganta;
  • infecções de repetição por outros agentes;
  • perda de peso não intencional.

Sem o tratamento adequado, os pacientes com AIDS geralmente vivem cerca de 3 anos após o diagnóstico.

Os medicamentos para o HIV podem controlar a doença, mesmo nessa fase. Porém, os pacientes que começam o terapia antirretroviral logo após se contaminar pelo vírus experimentam mais benefícios.

É por isso que fazer o exame de HIV é tão importante. Aliás, que tal conversarmos um pouco sobre ele agora?

Como saber se tenho HIV/AIDS?

A melhor forma de saber se você está infectado pelo HIV é por meio de um exame de sangue. Este, por sua vez, pode ser feito de duas formas: em casa (autoteste) ou em laboratório (teste Elisa).

Autoteste

Esse tipo de exame costuma ser encontrado em farmácias e, geralmente, possui um desempenho semelhante aos demais testes rápidos oferecidos por instituições médicas ou até mesmo pelo SUS. No entanto, o recomendado é procurar por acompanhamento/orientação profissional independentemente do resultado apresentado.

Os autotestes utilizam saliva ou sangue. Porém, não se preocupe. A maioria dos autotestes é muito fácil de ser executada. Além disso, a pessoa conta com a ajuda de uma bula com todas as orientações necessárias.

No mais, lembre-se de pedir por uma boa referência quando for adquirir o kit e tenha em mente que ele, assim como qualquer outro exame rápido, pode apresentar resultados imprecisos.

Saiba mais detalhes sobre o autoteste clicando aqui.

Exame laboratorial (teste Elisa)

O exame de sangue coletado em laboratório procura por anticorpos contra o HIV (anti-HIV).

Realizado gratuitamente pelo SUS, ou por laboratórios particulares, ele é bastante preciso em seus resultados. Porém, é importante lembrar que até mesmo os melhores métodos podem apresentar falhas. Dessa forma, faça todo o processo com acompanhamento e orientação médica.

Sobre a janela imunológica do HIV e os resultados falso-negativos

Assim que alguém contrai o HIV, ele começa a se reproduzir rapidamente no organismo. Em contrapartida, o sistema imunológico trabalha como defesa, reagindo ao vírus e produzindo anticorpos para combatê-lo.

O tempo entre a exposição ao HIV e o momento em que ele se torna detectável no sangue (por meio dos anticorpos anti-HIV) é de aproximadamente 20/90 dias após a transmissão, e recebe o nome de janela imunológica.

Em outras palavras, se uma pessoa fizer um teste de HIV durante o período dessa janela, é provável que ela receba um resultado falso-negativo. No entanto, é importante lembrar que esse indivíduo pode transmitir o vírus a partir do momento em que foi infectado.

Por fim: como prevenir a infecção pelo HIV?

  • Sempre faça sexo com proteção;
  • nunca compartilhe agulhas, seringas e quaisquer outros materiais perfurocortantes;
  • se você estiver na dúvida, faça o teste para HIV;
  • considere se submeter ao método de profilaxia pós-exposição, caso tenha sido exposto ao vírus dentro de até 72 horas;
  • considere se submeter ao método de profilaxia pré-exposição, caso você corra mais riscos de se contaminar pelo HIV.

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