Detalhe de médico aferindo a pressão de uma paciente para saber se ela tem hipertensão arterial

Dr. Felipe Lopes

A hipertensão arterial é uma condição comum em que a pressão do sangue que circula pelas artérias do corpo se torna cronicamente elevada. Esse quadro pode ter sérias consequências para a saúde como doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (isquêmico ou hemorrágico) etc.

Além de perigosa, a pressão alta é extremamente traiçoeira. Afinal, uma pessoa pode ter hipertensão durante anos sem apresentar nenhum sintoma. Logo, se ela não mantiver as consultas de rotina em dia, essa condição pode passar desapercebida por muitos anos.

Porém, a boa notícia é que a pressão arterial alta pode ser detectada facilmente. Tendo isso em vista, não há motivos para adiar a visita ao médico, concorda?

Mas afinal: como saber se tenho pressão alta?

A pressão arterial é comumente medida pelo esfigmomanômetro, uma espécie de braçadeira conectada a um manômetro (instrumento que mede a pressão de líquidos), e um estetoscópio (para ouvir os batimentos do coração).

O resultado desse procedimento envolve duas medidas:

  • pressão sistólica: força na qual o coração bombeia sangue para o corpo;
  • pressão diastólica: indica a resistência das veias durante o retorno do sangue para o coração.

Ambos os números são medidos em milímetros de mercúrio (mmHg). Aí vão os valores de referência que você precisa ficar de olho:

  • uma pressão arterial considerada normal apresenta os valores de 120/80 mmHg (o famoso 12 por 8);
  • quando as leituras do esfigmomanômetro variam entre 120 / 80 mmHg e 140 / 90 mmHg, isso pode indicar que o paciente corre o risco de desenvolver pressão alta se não tomar as medidas certas para mantê-la sob controle;
  • a pressão arterial está elevada quando o resultado é 140 / 90 mmHg ou superior.

O que causa hipertensão arterial?

Na maioria das pessoas, não é possível detectar uma causa exata para a pressão alta. Quando isso acontece, a condição recebe o nome de hipertensão primária, e tende a se desenvolver gradualmente, ao longo de muitos anos.

Alguns fatores de risco para para pressão alta são:

  • idade acima de 65 anos;
  • sobrepeso ou obesidade;
  • ser descendente de africanos ou caribenhos;
  • histórico de pressão alta na família;
  • dieta rica em alimentos que contêm muito sódio;
  • sedentarismo;
  • consumo excessivo de álcool ou café (ou bebidas à base de cafeína);
  • tabagismo;
  • déficit de sono.

Já quando a pressão alta é causada por uma condição subjacente, ela recebe o nome de hipertensão secundária. Várias condições e medicamentos podem levar a esse quadro, incluindo:

  • apneia obstrutiva do sono;
  • problemas renais;
  • distúrbios da glândula supra-renal (feocromocitoma, hiperaldosteronismo primário);
  • hipertireoidismo;
  • defeitos congênitos nos vasos sanguíneos coarctação da aorta, estenose das artérias renais);
  • medicamentos como pílulas anticoncepcionais, remédios para resfriado, descongestionantes nasais e anti inflamatórios;
  • consumo de drogas ilegais como cocaína e anfetaminas.

Sintomas

Como já explicamos, a maioria das pessoas que possuem pressão arterial elevada não apresenta sinais ou sintomas. Em alguns pacientes, as leituras do esfigmomanômetro mostram níveis perigosamente altos e, mesmo assim, eles não sentem nada!

No entanto, alguns pacientes que sofrem de hipertensão podem apresentar:

  • dores de cabeça;
  • falta de ar;
  • hemorragias nasais;
  • visão turva;
  • dores no peito;
  • zumbido no ouvido
  • tonteira.

Atenção: vale ressaltar que esses sintomas não são específicos e geralmente não ocorrem até que a pressão alta tenha atingido um estágio grave ou potencialmente fatal.

Complicações

Quando a pressão arterial de um paciente está muito alta, ocorre uma sobrecarga dos vasos sanguíneos do corpo, acometendo órgãos como o coração, o cérebro, os rins e até mesmo os olhos.

Sendo assim, a hipertensão persistente pode trazer uma série de complicações à saúde como:

  • Ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC): a pressão alta pode contribuir para o endurecimento e o espessamento das artérias (aterosclerose), o que pode levar a um ataque cardíaco, derrame ou outras complicações.
  • Aneurisma: a hipertensão pode enfraquecer a parede dos vasos sanguíneos e levar à formação de um aneurisma, cujo rompimento pode ser fatal.
  • Insuficiência cardíaca: para bombear o sangue contra a pressão elevada, o coração tem que trabalhar mais. Isso faz com que as suas paredes fiquem mais espessas (hipertrofia ventricular esquerda). Eventualmente, o músculo pode ter dificuldade em bombear sangue suficiente para atender às necessidades do corpo, levando à insuficiência cardíaca.
  • Nefropatia hipertensiva: os vasos sanguíneos nos rins ficam estreitos e enfraquecidos, prejudicando seu funcionamento.
  • Retinopatia hipertensiva: na retina, os vasos ficam estreitos, frágeis e propensos ao sangramento, que pode resultar em perda da visão.
  • Problemas de memória ou cognição: a pressão arterial elevada também pode afetar a capacidade de raciocínio e aprendizado do paciente
  • Demência: artérias estreitadas ou bloqueadas podem limitar o fluxo sanguíneo para o cérebro, levando à demência por múltiplos pequenos infartos.

Tratamento – a hipertensão tem cura?

Mudar o estilo de vida pode ajudar muito no controle da hipertensão arterial e na prevenção de doenças cardiovasculares. Aí vão algumas atitudes interessantes que podem reverter esse quadro:

  • manter uma dieta saudável e equilibrada;
  • evitar alimentos que contenham muito sódio em sua composição;
  • praticar atividades físicas regularmente;
  • manter um peso saudável;
  • limitar a ingestão de álcool;
  • parar de fumar.

Contudo, essas mudanças, às vezes, podem não ser suficientes. Além delas, seu cardiologista pode receitar medicamentos que vão diminuir sua pressão arterial.

Enfim…

Na maioria das vezes, fazer mudanças saudáveis ​​no estilo de vida pode ajudar a reduzir suas chances de desenvolver hipertensão arterial. Contudo, um check up anual pode garantir um diagnóstico precoce desta e de outras condições.

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