Fibromialgia: o que é e como lidar com ela?

Mulher sentada na cama com as mãos na parte de trás do pescoço e a cara com feições que denotam que ela está sentindo dor por conta da fibromialgia

“Acordo todos os dias cansada, desanimada e com dores no corpo. Tento me concentrar no trabalho, mas sinto que minha memória e energia já não são mais as mesmas. Isso me deixa triste, irritada e ansiosa. À tarde, como todos os dias, minha cabeça começa a doer. A coluna também, por ficar sentada o dia inteiro. Volto para casa me arrastando, sentindo um cansaço enorme. Penso que vou dormir como uma pedra, mas isso não acontece. As dores no corpo me acordam durante a noite e as preocupações também. O que há de errado comigo?”
Esse é o relato de uma paciente com fibromialgia, uma doença crônica que acomete cerca de 5% da população. Mais comum em mulheres, ela causa dores no corpo, fadiga e problemas para dormir. Os pacientes têm seu bem estar e qualidade de vida prejudicados pela doença, que não tem cura.
Os sintomas, por outro lado, podem ser aliviados com o tratamento, que geralmente envolve medicação, terapia cognitivo-comportamental e exercícios leves.

Causas da fibromialgia

A causa da fibromialgia é desconhecida, mas sabe-se que os pacientes têm mais sensibilidade à pressão, temperatura, som e luz. Eles apresentam uma resposta exacerbada a esses estímulos, enviando sinais de dor para o sistema nervoso central.

Fatores de risco para fibromialgia

  • Idade (aparece com mais frequência na meia idade);
  • doenças auto-imunes (lúpus e artrite reumatoide);
  • sexo (mulheres têm o dobro de chance de terem fibromialgia);
  • eventos traumáticos (ex: acidente de carro);
  • lesões por esforços repetidos (ex: frequente flexão dos joelhos);
  • história familiar;
  • obesidade.

Sinais e sintomas

  • Dor e sensibilidade ao toque e pressão (em algumas áreas ou todo o corpo);
  • fadiga;
  • problemas para dormir;
  • rigidez dos músculos ao acordar;
  • alteração da memória, concentração e capacidade de resolver problemas.

A fibromialgia pode estar acompanhada de outros problemas como ansiedade, depressão, disfunção temporomandibular (bruxismo), cólon irritável, urgência urinária, enxaqueca, endometriose e dor pélvica.

Diagnóstico da fibromialgia

O diagnóstico é baseado na história clínica e exame físico. Os sintomas de fibromialgia devem estar presentes por pelo menos três meses para o diagnóstico.

Pontos importantes para o diagnóstico:

  • a presença da dor difusa é fundamental;
  • a presença de mais de 11 pontos dolorosos é fortemente indicativa de fibromialgia (ver destaque).
Figura representativa dos pontos da fibromialgia no corpo Pontos dolorosos
Existem 18 pontos dolorosos espalhados pelo corpo. Na fibromialgia, eles se concentram no pescoço, tórax, ombros, quadril e joelhos. Ao examinar o paciente, o médico pressiona os pontos para identificar quais geram dor localizada.

Além disso, é necessário excluir outras causas de fadiga e dor crônica, como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, síndrome da fadiga crônica e doenças psiquiátricas. (Tabela 1)

Tabela 1: Diagnóstico diferencial da fibromialgia
  • Hipo e hipertireoidismo;
  • hipopituitarismo;
  • hiperparatireoidismo;
  • deficiência de hormônio do crescimento;
  • diabetes mellitus;
  • insuficiência adrenal;
  • gravidez;
  • menopausa;
  • alterações menstruais;
  • síndrome de fadiga crônica;
  • artrite reumatoide;
  • lúpus eritematoso sistêmico;
  • síndrome de Sjögren;
  • esclerose múltipla;
  • polimiosite e dermatomiosite;
  • polimialgia reumática;
  • arterite de células gigantes;
  • miopatia metabólica;
  • câncer metastático;
  • endocardite bacteriana subaguda;
  • doença de Lyme;
  • hepatite C;
  • AIDS;
  • sífilis crônica;
  • tuberculose;
  • disfunção temporomandibular;
  • hérnia de disco;
  • síndrome da dor miofacial;
  • ansiedade;
  • depressão;
  • doença celíaca;
  • deficiência de vitamina D;
  • medicamentos (estatinas, inibidores de aromatase).

Tratamento

Apesar de não haver cura, o tratamento da fibromialgia consegue melhorar os sintomas de dor e fadiga, tratar a ansiedade, a depressão e melhorar o sono.
As seguintes terapias são recomendadas:

  • medicamentos:
    • anti-inflamatórios e analgésicos;
    • duloxetina e milnaciprano para tratar a dor e a fadiga;
    • pregabalina e gabapentina para regular a transmissão dos impulsos nervosos;
    • antidepressivos como a amitriptilina e a ciclobenzaprina);
  • terapia cognitivo-comportamental;
  • técnicas de relaxamento;
  • meditação e mindfulness;
  • acupuntura;
  • exercícios físicos leves a moderados;
  • técnicas de higiene do sono;
  • controle do estresse.

Enfim…

Conviver com qualquer dor crônica é um desafio. Pacientes com fibromialgia precisam aprender a fazer ajustes em suas atividades diárias em busca de mais qualidade de vida.
É importante seguir as recomendações médicas em relação às mudanças de estilo de vida e não interromper as medicações prescritas.
Cuidar especialmente bem as saúde emocional ajuda o paciente a ter mais controle e auto estima para conviver com a doença.

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Clínica Geral

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