Close de mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya, pousado em uma pele humana sugando sangue

Dra. Isadora Saraiva

A Chikungunya é uma doença infecciosa febril causada pelo vírus Chikungunya, um arbovírus também conhecido pela sigla CHIKV. Esse vírus é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, assim como os vírus da dengue, da febre amarela e da Zika.

Não é uma doença contagiosa, porém é altamente epidêmica, pois o mosquito pode picar uma pessoa doente e transmitir a doença para outro indivíduo.

Como a febre Chikungunya é transmitida?

O vírus Chikungunya, originário da África, se adapta bem a climas tropicais e é transmitido através de um vetor, o mosquito Aedes aegypti. Ambientes quentes e úmidos, sejam sazonais ou endêmicos, contribuem para a proliferação do vetor.

Surtos da doença, antes restritos aos continentes africano e asiático, passaram a afetar também as regiões tropicais da América a partir do século XXI. No Brasil, somente em 2019, foram mais de 100 mil casos registrados.

Sinais e sintomas

Fase Aguda

Após a picada do mosquito, o vírus passa por um período de incubação de 2 a 10 dias. A seguir, a maioria das pessoas infectadas começa a apresentar os sintomas agudos da doença, que podem ser muito semelhantes ao da Dengue. A doença acomete todas as faixas etárias, mas crianças e idosos estão propensos a quadros mais graves. Até 30% das infecções podem ser assintomáticas, quando os portadores do vírus não terão sintomas. Os sintomas mais comuns são:

  • febre alta e repentina, acima de 39ºC;
  • artralgia (dor intensa nas articulações);
  • cefaleia (dor de cabeça);
  • mialgia (dores musculares)
  • conjuntivite;
  • fotofobia (sensibilidade à luz);
  • rash cutâneo (exantema ou manchas vermelhas na pele).

Fase Crônica

Os sintomas agudos duram 7 a 10 dias e, geralmente, desaparecem por completo. Entretanto, em alguns pacientes, as dores articulares persistem por meses ou anos e podem ser incapacitantes.

Complicações graves secundárias à febre Chikungunya são raras. Alguns pacientes, especialmente bebês e pessoas idosas ou doentes, podem apresentar:

  • meningite;
  • encefalite;
  • síndrome de Guillain-Barré;
  • hepatite;
  • insuficiência renal;
  • uveíte;
  • miocardite;
  • pericardite;
  • insuficiência respiratória;
  • morte.

A febre Chikungunya não tem complicações hemorrágicas como a dengue.

Diagnóstico

Clinicamente, o Chikungunya tem uma apresentação semelhante à dengue e à febre Zika. link Para diferenciá-las, é necessário realizar exames laboratoriais como sorologia, isolamento viral e PCR.

Algumas características que ajudam no diagnóstico diferencial são:

  • febre alta (também presente na dengue, menos comum na Zika);
  • artralgia intensa (podendo inclusive apresentar edema de articulações e extremidades);
  • artralgia com duração maior que 3 meses.

O diagnóstico diferencial da febre Chikungunya deve ser feito também com outras afecções que causam febre e manchas vermelhas no corpo, como malária, dengue, leptospirose e, especialmente no caso das crianças, as doenças exantemáticas infantis.

Tratamento

Não há um tratamento específico para a doença, porém algumas medidas podem ajudar a aliviar os sintomas:

  • repouso;
  • hidratação;
  • uso de paracetamol (aspirina e antiinflamatórios são contraindicados na fase aguda).

Na fase crônica pode ser necessário o uso de corticosteróides. A prática de exercícios leves e fisioterapia podem ser benéficas para alguns pacientes.

Prevenção

Não existe uma vacina para o vírus CHIKV. Portanto, a principal forma de prevenção da febre Chikungunya e de outras doenças causadas por arbovírus é o combate contra o Aedes aegypti, seu principal transmissor.

São algumas das medidas contra o mosquito:

  • cobrir todos os reservatórios de água da residência, pois as larvas do mosquito Aedes aegypti proliferam-se em água parada;
  • manter o paciente protegido das picadas de mosquitos com camisas de manga longa e calças, além de fazer o uso de repelentes seguros. Pessoas na fase aguda dessa doença podem, se picadas novamente, contribuir com sua propagação;
  • ao viajar para uma região onde estão acontecendo surtos da doença, investir ainda mais nessas medidas de precaução.

As medidas de combate ao mosquito, especialmente na época das chuvas, garantem a saúde de toda uma comunidade. Faça a sua parte!

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