médica vacinando mulher no braço

Dra. Adriana Bonfioli

A Febre amarela é uma doença infecciosa grave causada por um vírus da família Flaviviridae e transmitida por mosquitos.

Quem contrai essa doença pode não apresentar sintomas, ou ter febre alta, prostração, dor de cabeça, dores no corpo, náuseas e vômitos por cerca de três dias.

Suas formas graves são raras, mas, quando acontecem, podem acometer órgãos essenciais como os rins, fígado e coração, e provocar hemorragia, choque e morte.

Problema de saúde mundial

A febre amarela é endêmica em 44 países de regiões tropicais da África, América do Sul e América Central.

Nos últimos anos, observou-se um aumento progressivo dos casos de febre amarela nas regiões sul e sudeste do Brasil, especialmente no estado de Minas Gerais, resultando em muitas fatalidades.

A infecção geralmente ocorre em áreas rurais, mas mudanças ambientais e sociais criaram, nas últimas décadas, condições propícias para que o vírus se aproximasse novamente dos centros urbanos.

Nestes locais, o grande número de pessoas e a alta densidade de mosquitos aumentam as chances de transmissão do vírus e, consequentemente, o início de uma epidemia.

Os turistas não vacinados que viajam para áreas endêmicas têm grande risco de serem infectados pelo vírus, e de transportarem a doença para outros países.

Transmissão da Febre amarela

A transmissão do vírus da febre amarela segue três padrões: selvática, intermediária e urbana.

  • Transmissão selvática: ocorre nas florestas tropicais onde o vetor é o mosquito Haemagogus e os hospedeiros são os macacos. O ser humano é contaminado esporadicamente, quando picado pelo vetor ao visitar a selva.
  • Transmissão intermediária: mosquitos semi-domésticos, que proliferam na selva e no ambiente domiciliar, infectam tanto macacos quanto humanos. Este é o tipo mais comum de transmissão nas aldeias da África.
  • Transmissão urbana: ocorre quando uma pessoa infectada introduz o vírus em zonas densamente povoadas onde as pessoas não são vacinadas. Nas áreas urbanas o vetor da febre amarela é o Aedes aegypti, mesmo mosquito transmissor da dengue.

O macaco não transmite a doença para o homem, nem ocorre transmissão de uma pessoa para a outra. A única forma de contaminação pelo vírus é através da picada do mosquito.

Figura representativa do clico urbano e ciclo silvestre da transmissão da febre amarela.

Fonte: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/jpg/2018/janeiro/30/ciclo-de-transmissao-da-febre-amarela.jpg

Sinais e sintomas

Após a picada do mosquito infectado, a doença fica incubada por 3 a 6 dias.

Nos casos leves ocorrem febre, dor de cabeça e dores musculares. Após alguns dias, o paciente se recupera totalmente. Nos casos graves de febre amarela, ocorre a chamada Febre hemorrágica Viral, que apresenta os seguintes sintomas:

  • febre alta;
  • calafrios;
  • mal estar;
  • dor de cabeça;
  • dor lombar;
  • dores musculares;
  • náusea;
  • tonteira;
  • sinal de Faget: temperatura alta com frequência cardíaca baixa.

Nesta fase, que pode durar vários dias, o paciente possui grande quantidade de vírus circulando em seu sangue, fazendo com que as chances de transmissão para os mosquitos sejam altas.

A maioria dos casos evolui para a remissão e a cura.

Os casos complicados de febre amarela ocorrem em cerca de 20% dos pacientes. Nestes, a melhora aparente dura cerca de dois dias e é seguida por um período de intoxicação com febre alta, vômitos, dor no abdome, prostração e desidratação.

O acometimento do fígado leva à icterícia (aspecto amarelado da pele e da parte branca dos olhos), uma deficiência na coagulação e hemorragias, e:

  • petéquias: pequenos pontos avermelhados na pele, ou nas mucosas, causados por um sangramento leve;
  • equimose: mancha arroxeada causada por um sangramento abaixo da pele;
  • sangramento nasal e gengival;
  • vômitos com sangue.

Pode ocorrer, também, lesão dos rins e insuficiência renal aguda.

O acometimento neurológico leva a confusão, convulsões e coma. A morte ocorre após 7 a 10 dias em 20 a 50% das pessoas que apresentam complicações.

Diagnóstico

É difícil o diagnóstico da Febre amarela durante a fase aguda, cujos sintomas são semelhantes a várias outras doenças.

Com o aparecimento de complicações e a suspeita clínica, testes sorológicos confirmam o diagnóstico.

Tratamento

Não existe tratamento específico para o vírus e o paciente deve ser hospitalizado para observação. São utilizados medicamentos sintomáticos e de suporte como:

  • Hidratação oral e/ou venosa;
  • Analgésicos e antitérmicos (paracetamol e dipirona)*;

(*) Contraindicados os antiinflamatórios não esteróides e a aspirina em pacientes com suspeita de febre amarela.

Prevenção contra a febre amarela

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção contra a febre amarela. Ela é segura e uma única dose protege a pessoa por toda a vida. Raros efeitos colaterais são descritos (1 a cada 200 mil pessoas vacinadas), e são mais comuns em pessoas acima de 60 anos.

É importante que os casos da doença sejam rapidamente identificados para que possa ser instituída a vacinação em massa.

As pessoas excluídas da vacinação, exceto durante epidemias, são:

  • bebês com menos de 9 meses de idade;
  • mulheres grávidas;
  • pessoas com alergia grave à proteína do ovo;
  • imunodeficientes (HIV/AIDS ou outras causas).

 

O controle dos mosquitos deve ser feito nas áreas urbanas, por meio da eliminação de potenciais criadouros e do controle químico (durante as epidemias).

Algumas dicas sobre como impedir a propagação do mosquito são:

  • descartar garrafas em local coberto ou com a boca para baixo;
  • eliminar acúmulo de água nas lajes, calhas, coletores de água das geladeiras e aparelhos de ar condicionado, baldes e vasos vazios, pratinhos de plantas entre outros;
  • encher de areia os pratos das plantas;
  • manter vedadas caixas d’água, cisternas, poços e outros depósitos de água;
  • manter as piscinas limpas com cloro;
  • descartar corretamente lixo, entulho e pneus velhos;
  • manter as lixeiras tampadas e protegidas da chuva.

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Fontes:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4349381/
http://revista.fagoc.br/index.php/saude/article/view/208/255
http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/febre-amarela-sintomas-transmissao-e-prevencao
https://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs100/pt/
https://www.bio.fiocruz.br/index.php/febre-amarela-sintomas-transmissao-e-prevencao