Close de criança de costas com manchas vermelhas ou exantema pelo corpo sendo examinado por um médico

Dra. Denise Brasileiro

Entre os desafios de ser pai e mãe, nenhum se iguala à aflição de ver um filho doente. E não precisa ser grave! Um simples resfriado já basta para bagunçar a rotina e deixar os pais de cabelo em pé.

Imagina então que aquela febre, dor de garganta e perda de apetite de repente se complicam com a criança se enchendo de manchas vermelhas no corpo? Agora sim, vamos correr para o pediatra!

E é isso mesmo… apesar de comuns e geralmente benignos, os exantemas podem representar doenças graves e são mesmo motivo para preocupação. A criança deve ser levada rapidamente ao especialista para definição do diagnóstico e início do tratamento.

Para deixá-los mais tranquilos e por dentro das causas possíveis, preparamos esse guia. Aqui, você encontra as doenças exantemáticas mais comuns na infância, suas causas, sintomas, exames necessários para o diagnóstico e formas de tratamento.

Para cada doença, preparamos um esquema que vai ajudá-lo a decifrar, de uma vez por todas, essas manchas vermelhas!

O que é, de fato, um exantema?

imagem das várias formas de exantemas
Fonte: Wikimidia commons

Também conhecido como rash cutâneo ou erupção cutânea, o exantema é caracterizado pelo aparecimento de manchas vermelhas na pele. Elas podem vir acompanhadas de:

  • máculas (manchas vermelhas);
  • pápulas (bolinhas);
  • vesículas (bolhas);
  • pústulas (supurações com pus);
  • crostas (casquinhas);
  • sufusão hemorrágica (infiltração de sangue nos tecidos após o rompimento de vasos).

Os exantemas são classificados em maculopapulares, quando apresentam máculas e pápulas, e em pápulo-vesiculosos, quando as lesões evoluem para vesículas e crostas.

Causas das doenças exantemáticas

Os exantemas são mais frequentes na infância e podem ter causas infecciosas, alérgicas, tóxicas ou físicas. As alterações da pele costumam coçar bastante e o quadro é geralmente acompanhado de febre.

As principais causas de exantema são:

  • Sarampo;
  • Escarlatina;
  • Rubéola;
  • Eritema infeccioso;
  • Exantema súbito (roséola);
  • Catapora (varicela);
  • Herpes zoster;
  • Mononucleose;
  • Síndrome mão-pé-boca;
  • Dengue, Chikungunya e febre Zika.

Sarampo

close de pele com sarampo
Fonte: Wikimidia commons

O sarampo é uma doença infecciosa causada por um paramixovírus.

Altamente contagiosa, a infecção é transmitida pelo contato direto ou inalação de gotículas de saliva expelidas no ar por pessoas infectadas.

O quadro se inicia com febre, apatia, tosse produtiva, coriza (nariz escorrendo), conjuntivite e manchas de Koplik (pontos brancos na mucosa bucal).

O exantema maculopapular do sarampo é caracterizado por manchas vermelhas que surgem na face e se estendem para o resto do corpo. Ele dura de 4 a 7 dias e pode ser seguido por uma descamação da pele.

A doença é considerada grave, pois pode evoluir com complicações e levar ao óbito.

SARAMPO
Agente Vírus do sarampo
Transmissão Contato direto ou inalação de gotículas de saliva expelidas no ar por pessoas infectadas.
Período de incubação 10 a 12 dias
Período de transmissibilidade 4 a 6 dias antes do exantema até 4 a 5 dias após o seu aparecimento
Duração do quadro 2 a 3 semanas
Sinais e sintomas clássicos
  • febre alta;
  • tosse produtiva;
  • coriza (nariz escorrendo);
  • conjuntivite;
  • fotofobia (aversão à luz);
  • manchas de Koplik (pontos brancos na mucosa bucal);
  • exantema maculopapular que se inicia atrás das orelhas e progride para o resto do corpo.
Complicações
  • pneumonia;
  • desidratação e desnutrição;
  • convulsão febril;
  • encefalite ou meningoencefalite;
  • panencefalite esclerosante subaguda (PEESA).
Diagnóstico Exame clínico, hemograma e sorologia
Tratamento Sintomático
Prevenção

Leia também:
Sarampo: o que é, sintomas e tratamento
Sarampo: a doença toma força no Brasil
Vacinação contra o sarampo

Escarlatina

close de boca e bochechas com escarlatina
Fonte: Wikimidia commons

A escarlatina é uma doença bacteriana que afeta principalmente crianças em idade escolar (5 a 15 anos). Ela é causada por um estreptococo beta hemolítico do grupo A.

O aparecimento dos sintomas não está relacionado a uma ação direta da bactéria, mas resulta de uma reação imunológica do organismo à toxina produzida por ela.

Apresenta-se inicialmente como uma amigdalite bacteriana típica: febre alta e garganta inflamada. Após 12 a 48 horas, surge o rash cutâneo nas dobras ou no tronco. O exantema se espalha rapidamente e tem uma característica distinta: a hipertrofia folicular. Ela cria um relevo na pele e a sensação tátil de “lixa”.

Outros sinais clássicos da escarlatina são:

  • Sinal de Filatov: palidez da região perioral (exantema poupa a pele em volta da boca);
  • Sinal de Pastia: linha vermelha na prega do cotovelo;
  • Língua em framboesa: a língua, que se apresenta esbranquiçada no início do quadro, descama-se e adquire uma coloração vermelho escuro no quarto ou quinto dia;
  • Descamação laminar da pele, que se inicia no tronco e termina nas mãos e pés.

O tratamento da escarlatina é feito por meio de antibióticos.

ESCARLATINA
Agente Estreptococo beta hemolítico do grupo A
Transmissão Contato direto com gotículas de saliva ou secreções infectadas provenientes de pessoas doentes ou portadoras (transportam a bactéria no nariz ou garganta sem apresentarem sintomas).
Período de incubação 2 a 7 dias
Período de transmissibilidade 1 a 2 dias antes do exantema até o desaparecimento da febre
Duração do quadro 1 a 2 semanas
Sinais e sintomas clássicos
  • febre alta;
  • dor de garganta (amígdalas aumentadas, vermelhas e com exsudato);
  • presença de petéquias (pontinhos roxos) no palato (céu da boca);
  • aumento doloroso dos linfonodos do pescoço;
  • dor de cabeça;
  • dor abdominal;
  • exantema difuso que se inicia no pescoço e tronco;
  • pápulas (pele em lixa);
  • linha vermelha na prega do cotovelo (sinal de Pastia);
  • palidez em volta da boca (sinal de Filatov);
  • língua em framboesa;
  • descamação laminar.
Complicações
  • otite;
  • sinusite;
  • pneumonia;
  • abscesso na garganta;
  • meningite;
  • sepse;
  • glomerulonefrite aguda;
  • febre reumática.
Diagnóstico
  • exame clínico;
  • pesquisa da bactéria em esfregaço colhido por swab;
  • sorologia;
  • hemograma.
Tratamento Antibióticos
Prevenção
  • evitar contato com pessoas doentes;
  • os contatos de escarlatina devem receber antibioticoterapia preventiva.

Rubéola

close de costas de bebê com rubéola
Fonte: Wikimidia commons

A rubéola é uma virose altamente contagiosa, mais comum em crianças.

Os principais sinais e sintomas são febre baixa, dor de garganta, conjuntivite, dor de cabeça, mal estar, perda de apetite e aumento dos linfonodos. O rash cutâneo se inicia na face e pescoço, progride para o resto do corpo e dura em média 3 dias (variação: 2 a 7 dias).

Não há tratamento específico, mas os sintomas podem ser aliviados com analgésicos e antitérmicos.

Apesar de ser uma doença benigna, a rubéola tem grande importância pela sua capacidade de provocar sequelas no feto, quando adquirida durante a gestação. Ela pode levar ao aborto ou malformações congênitas como surdez, malformações cardíacas, lesões oculares e outras.

RUBÉOLA
Agente Vírus da Rubéola
Transmissão
  • Contato direto com gotículas de saliva, sangue ou urina de pessoas doentes;
  • Transmissão vertical (durante a gestação).
Período de incubação 14 a 21 dias
Período de transmissibilidade 4 a 5 dias antes do exantema até 4 a 14 dias após
Duração do quadro 1 a 2 semanas
Sinais e sintomas clássicos
  • febre baixa;
  • dor de garganta;
  • conjuntivite;
  • dor de cabeça;
  • mal estar;
  • perda de apetite;
  • linfadenomegalia;
  • exantema confluente que desaparece sem descamar.
Complicações(raras)
  • artrite;
  • encefalite;
  • hemorragias.
Diagnóstico Exame clínico e sorologia
Tratamento Sintomático
Prevenção
  • Vacinação;
  • Evitar contato com pessoas doentes, especialmente durante a gravidez.

Eritema infeccioso

bebê deitado com a pele com eritema infeccioso
Fonte: Wikimidia commons

O eritema infeccioso é uma doença causada pelo Parvovírus B19 e que acomete principalmente crianças em idade escolar.

Os sintomas que precedem o aparecimento das manchas no corpo são geralmente leves: febre baixa, dor de cabeça e coriza (nariz escorrendo). Em muitos casos, o rash cutâneo surge subitamente como placas vermelhas e elevadas nas bochechas, que duram em torno de quatro dias. No segundo dia, surgem as manchas vermelhas nos membros que, quando começam a desaparecer, adquirem um aspecto rendilhado.

Os pacientes podem apresentar recorrência do rash durante semanas ou meses após contato com água quente, exposição ao sol, estresse ou exercício físico intenso.

ERITEMA INFECCIOSO
Agente Parvovírus B19
Transmissão
  • gotículas de saliva de pessoas doentes (contato direto ou objetos contaminados);
  • transmissão vertical (durante a gestação).
Período de incubação 6 a 14 dias
Período de transmissibilidade 5 a 10 dias após o contágio e permanece contagioso por 5 dias
Duração do quadro 1 a 2 semanas
Sinais e sintomas clássicos
  • febre baixa;
  • dor de cabeça;
  • coriza (nariz escorrendo);
  • manchas elevadas nas bochechas;
  • exantema de aspecto rendilhado.
Complicações artralgia persistente (dores leves nas articulações que podem durar semanas ou meses)
Diagnóstico Exame clínico
Tratamento Sintomático
Prevenção Evitar contato com pessoas doentes.

Exantema súbito

close de pele com roséola
Fonte: Wikimidia commons

O exantema súbito, ou roséola, é uma infecção provocada geralmente pelo herpesvírus-6. Porém, outros tipos de vírus podem ocasionar o mesmo quadro: herpesvirus-7, alguns enterovírus, adenovírus e parainfluenza tipo 1. É mais frequente em crianças entre 3 e 6 anos de idade.

O quadro se inicia com febre alta (39 a 40ºC) que dura de 3 a 5 dias, acompanhada de perda do apetite e irritabilidade. A febre desaparece subitamente junto com o surgimento do exantema. Ele se localiza inicialmente no tronco, mas rapidamente se espalha para os membros e o rosto, persistindo de algumas horas até 3 dias.

A roséola é uma doença benigna e de curta duração. O alívio dos sintomas é feito por meio de repouso, hidratação, analgésicos e antitérmicos.

EXANTEMA SÚBITO (Roséola infantil)
Agente Herpesvírus-6 (principal)
Transmissão Gotículas de saliva de pessoas doentes ou portadoras assintomáticas (contato direto ou objetos contaminados)
Período de incubação 7 a 15 dias
Período de transmissibilidade 5 a 10 dias após o contágio e permanece contagioso por 5 dias
Duração do quadro 1 a 2 semanas
Sinais e sintomas clássicos
  • febre baixa;
  • dor de cabeça;
  • coriza (nariz escorrendo);
  • manchas elevadas nas bochechas;
  • exantema surge imediatamente após a resolução da febre;
  • manchas vermelhas de aspecto rendilhado.
Complicações(raras) convulsões febris
Diagnóstico Exame clínico
Tratamento Sintomático
Prevenção Evitar contato com pessoas doentes.

Catapora ou varicela

Close de pele com catapora
Fonte: Wikimidia commons

A catapora é uma doença viral altamente contagiosa, causada pelo vírus varicela-zoster, da família dos herpes vírus. É mais frequente em crianças entre 5 e 9 anos de idade.

O quadro inicial da varicela apresenta febre, dor de cabeça, sintomas respiratórios tipo resfriado, vermelhidão e prurido na pele. Depois, aparecem os sinais característicos desta infecção, os “pontinhos vermelhos” na pele.

O exantema da varicela apresenta, ao mesmo tempo, pápulas, vesículas, pústulas e crostas. A distribuição mais comum é no rosto, pescoço e tronco.

A doença é, na maioria dos casos, benigna. Medidas gerais como cortar as unhas, banho com anti-sépticos, antitérmicos e anti-histamínicos são utilizados para aliviar os sintomas e prevenir complicações como infecção secundária.

Crianças desnutridas e pessoas com o sistema imunológico comprometido podem ter formas disseminadas e graves de varicela, com vasculite, pneumonite e encefalite.

CATAPORA (VARICELA)
Agente Vírus varicela-zoster
Transmissão
  • Gotículas de saliva de pessoas doentes (contato direto ou objetos contaminados);
  • Transmissão vertical (gestação).
Período de incubação 10 a 21 dias
Período de transmissibilidade 1 a 2 dias antes do início do rash cutâneo até 7 dias depois. Quando todas as lesões formam crostas, não há mais risco de transmissão.
Duração do quadro 1 a 2 semanas
Sinais e sintomas clássicos
  • febre baixa;
  • perda de apetite
  • dor de cabeça;
  • apatia;
  • exantema onde coexistem pápulas, vesículas, pústulas e lesões crostosas;
  • prurido intenso.
Complicações(raras)
  • vasculite;
  • perda de apetite
  • pneumonite;
  • encefalite.
Diagnóstico Exame clínico e sorologia, se necessário.
Tratamento
  • Medidas gerais como cortar as unhas, banho com anti-sépticos. Analgésicos, antitérmicos, anti-histamínicos;
  • Antibióticos em infecções secundárias;
  • Antiviral em casos específicos.
Prevenção
  • Vacinação;
  • Evitar contato com pessoas doentes.

Leia também:
Catapora: o que é, sintomas e como lidar com ela

Herpes zoster

close de pele com Herpes zoster
Fonte: Wikimidia commons

O herpes zoster, também conhecido como cobreiro, ocorre quando há reativação do vírus varicela-zoster, latente nos gânglios nervosos após uma infecção primária durante a infância.

Acomete geralmente pessoas acima de 50 anos e geralmente está relacionado a uma baixa na imunidade do organismo.

Alguns fatores que podem desencadear o quadro de herpes zoster são:

  • estresse;
  • doenças sistêmicas;
  • uso de medicamentos imunossupressores;
  • trauma local;
  • exposição excessiva ao sol.

O zoster é incomum na infância, mas pode ocorrer se a infecção primária aconteceu durante a gestação.

O quadro clínico se inicia com uma dor, formigamento ou prurido, que podem surgir mesmo antes do aparecimento das lesões de pele. O exantema e as vesículas aparecem no tronco, face ou membros. Elas se distribuem em faixa e ocorrem apenas de um lado do corpo, não atravessando a linha média.

O tratamento do herpes zoster é feito com antivirais e corticosteróides.

A complicação mais frequente é a neurite pós-herpética (10% dos pacientes), que pode ocasionar dor intensa e persistente no local acometido.

HERPES ZOSTER (COBREIRO)
Agente Vírus varicela-zoster
Transmissão Contato com a secreção presente nas vesículas.
Período de incubação anos
Período de transmissibilidade
  • 1 a 2 dias antes da erupçao ate 5 dias após o surgimento das vesículas;
  • Enquanto houver vesículas pode haver transmissão.
Duração do quadro 7 a 10 dias
Sinais e sintomas clássicos
  • dor local que pode preceder o aparecimento das lesões;
  • vesículas dispostas em faixa e que não ultrapassam a linha média.
Complicações
  • neurite pós-herpética (dor que persiste por semanas ou meses após o desaparecimento das lesões);
  • uveíte (inflamação ocular);
  • síndrome de Ramsay Hunt.
Diagnóstico Exame clínico
Tratamento Antivirais e antiinflamatórios
Prevenção Vacinação (infância e adultos não imunes após os 50 anos)

Mononucleose (doença do beijo)

close de pele com mononucleose
Fonte: Wikimidia commons

A mononucleose, também chamada “doença do beijo”, é causada pelo Epstein-Barr virus (EBV). É mais comum entre crianças e adolescentes e sua transmissão se dá por meio de saliva contaminada (tosse, espirro, beijo, objetos contaminados).

A transmissão pode ocorrer a partir do momento da infecção, mesmo antes do aparecimento dos sintomas. Uma vez curada, a pessoa permanece contagiosa por vários meses. O risco de contágio é maior nas primeiras semanas da doença.

O quadro inicial da mononucleose apresenta: febre alta, calafrios, fadiga, perda de apetite, dor de garganta, linfonodos aumentados no pescoço, dor muscular e dores de cabeça.

O exantema pode surgir no tronco, coxas e braços, e é mais comum nas pessoas que equivocadamente são tratadas com antibióticos.

Complicações graves podem ocorrer em pacientes com mononucleose, por isso eles devem ser sempre acompanhados por um médico.

MONONUCLEOSE
Agente Vírus Epstein-Barr
Transmissão Gotículas de saliva de pessoas doentes ou portadoras (contato direto ou objetos contaminados)
Período de incubação Desde o momento da infecção até meses depois da cura.
Período de transmissibilidade 30 a 45 dias
Duração do quadro Semanas a meses
Sinais e sintomas clássicos
    • pode ser assintomática;

ou

  • febre alta;
  • calafrios;
  • fadiga;
  • perda de apetite;
  • dor de garganta;
  • dor de cabeça;
  • dor muscular;
  • gânglios no pescoço;
  • aumento do fígado e baço;
  • exantema maculopapular pruriginoso.
Complicações
  • anemia, alteração de plaquetas e leucócitos;
  • hepatite;
  • encefalite, meningite e síndrome de Guillain Barré;
  • miocardite;
  • pneumonia;
  • nefrite;
  • úlcera vulvar aguda (doença de Lipschutz);
  • síndrome de fadiga crônica;
  • associação com câncer nasofaríngeo e alguns linfomas, como o de Burkitt.
Diagnóstico Exame clínico
Tratamento Antivirais e antiinflamatórios
Prevenção Evitar contato com pessoas doentes.

Leia também:
Mononucleose: a doença do beijo

Síndrome mão-pé-boca

close de boca com doença mao-pé-boca
Fonte: Wikimidia commons

A síndrome mão-pé-boca é uma doença virótica causada por picornavírus (Coxsackie A e B, Hep A, poliovírus, Echovírus e enterovírus 68 a 72). A forma de transmissão principal é fecal-oral.

Geralmente benigna e autolimitada, a doença dura em torno de uma semana. Entretanto, alguns casos podem se tornar graves e evoluir com complicações, incluindo o óbito.

A transmissão se dá por meio do contato com secreções das vias respiratórias, das feridas ou fezes dos pacientes infectados.

O quadro se inicia com febre, dor de garganta e vesículas na mucosa bucal, na língua e nas bochechas, que se rompem e formam úlceras dolorosas.

O exantema pápulo-vesicular surge nas mão e pés, e pode acometer também os cotovelos, os tornozelos, os glúteos e a região genital. As vesículas são tipicamente ovaladas, semelhantes a grãos de arroz. Quando se rompem, expelem um líquido altamente contagioso.

A doença dura em torno de uma semana e pode se curar espontaneamente. Alguns casos, porém, evoluem com complicações graves.

SÍNDROME MÃO-PÉ-BOCA
Agente Picornavírus (Coxsackie A e B, Hep A, poliovírus, Echovirus e enterovírus 68 a 72
Transmissão
  • fecal oral;
  • gotículas de saliva (contato direto ou objetos contaminados);
  • secreção das feridas.
Período de incubação 3 a 6 dias
Período de transmissibilidade Desde alguns dias antes do início dos sintomas até semanas após a cura.
Duração do quadro 7 a 10 dias
Sinais e sintomas clássicos
  • febre;
  • dor de garganta;
  • perda de apetite;
  • vesículas na mucosa bucal e língua;
  • exantema pápulo-vesicular nas mãos e pés.
Complicações
  • orquite;
  • encefalite;
  • meningite;
  • paralisia de nervos cranianos;
  • conjuntivite hemorrágica;
  • miocardite;
  • falência cardiorrespiratória;
  • óbito.
Diagnóstico
  • exame clínico;
  • sorologia;
  • PCR;
  • cultura.
Tratamento
  • Sintomático (cuidado com a desidratação);
  • Imunoglobulina endovenosa é utilizada em casos graves, com resultados controversos.
Prevenção
  • Medidas de higiene, especialmente após a troca de fraldas.;
  • Desinfecção de superfícies e objetos utilizados por pessoas doentes.

Dengue, Chikungunya e febre Zika

A dengue, chikungunya e a febre Zika são viroses transmitidas pelo mosquito Aedes. Elas provocam um exantema maculopapular acompanhado de febre alta, dor de cabeça e dor articular. O rash cutâneo das três doenças é muito semelhante e o quadro dificilmente é diferenciado apenas com o exame clínico.

Dengue

closee de pele com dengue
Fonte: Wikimidia commons

A dengue pode causar desde quadros leves, com apenas febre, até complicações graves como hemorragia e óbito.
O quadro clássico apresenta:

  • febre alta;
  • dores musculares;
  • dor de cabeça;
  • dor atrás dos olhos;
  • fraqueza;
  • falta de apetite;
  • vômitos;
  • diarréia;
  • exantema pruriginoso;
  • pontos de hemorragia na pele.

O quadro grave da dengue hemorrágica geralmente ocorre em uma segunda infecção, em que a resposta imune do hospedeiro é exacerbada.

Ocorre febre elevada acompanhada de rash cutâneo e hepatomegalia (aumento do fígado). Na fase hemorrágica, o paciente pode apresentar:

  • petéquias: pequenos pontos arroxeados na pele ou nas mucosas, causados por um sangramento leve;
  • púrpura: múltiplas manchas e placas arroxeadas na pele ou nas mucosas;
  • equimose: mancha arroxeada causada por um sangramento abaixo da pele;
  • dor abdominal;
  • vômitos com sangue;
  • fezes com sangue;
  • sangramento nasal, gengival ou de outras mucosas;
  • sonolência;
  • confusão mental;
  • aumento da frequência cardíaca;
  • queda da pressão arterial;
  • dificuldade respiratória;
  • coma.

Os casos graves podem evoluir com choque, falência dos órgãos e morte.

DENGUE
Agente Vírus da dengue (arbovírus)
Transmissão Picada do mosquito do gênero Aedes
Período de incubação 3 a 15 dias (média de 5 a 6 dias)
Período de transmissibilidade Desde um dia antes da febre até o sexto dia da doença.
Duração do quadro 3 a 7 dias
Sinais e sintomas clássicos
  • febre alta;
  • dores musculares;
  • dor de cabeça;
  • dor atrás dos olhos;
  • fraqueza;
  • falta de apetite;
  • vômitos;
  • diarréia;
  • exantema pruriginoso;
  • epontos de hemorragia na pele.
Complicações Dengue hemorrágica, choque e óbito
Diagnóstico
  • exame clínico;
  • Prova do laço;
  • Hemograma, coagulograma, testes de função hepática e renal;
  • Sorologia;
  • Isolamento do vírus.
Tratamento Sintomático
Prevenção Controle do vetor

Saiba mais:

Descubra o que você REALMENTE precisa saber sobre a dengue

Chikungunya

Close de pele com chikungunya
Fonte: Wikimidia commons

A febre chicungunha é uma doença viral semelhante à dengue e transmitida pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes.
O quadro clínico também é semelhante ao da dengue, porém não ocorrem complicações hemorrágicas. Em bebês, idosos e pacientes com outras doenças de base, pode levar a complicações graves a até ao óbito.

CHICUNGUNHA (CHIKUNGUNYA)
Agente Vírus Chikungunya (arbovírus)
Transmissão
  • Picada do mosquito do gênero Aedes (mais comum);
  • Transmissão vertical (gestação);
  • Contato com sangue de pacientes infectados (agulhas contaminadas, transfusão de sangue e transplante de órgãos).
Período de incubação 3 a 14 dias (média de 3 a 7 dias)
Período de transmissibilidade Um dia antes do inicio dos sintomas ate 7 dias depois.
Duração do quadro
  • Fase aguda: 3 a 7 dias
  • Fase crônica: até três anos
Sinais e sintomas clássicos
  • febre alta;
  • poliartralgia intensa (dores em várias articulações);
  • exantema pruriginoso.
Complicações
  • incapacitação pelas dores articulares intensas;

Em bebês, idosos e pessoas com outras doenças de base, pode levar a:

  • meningite;
  • encefalite;
  • síndrome de Guillain-Barré;
  • hepatite;
  • insuficiência renal;
  • uveíte;
  • miocardite;
  • pericardite;
  • insuficiência respiratória;
  • morte.
Diagnóstico
  • exame clínico;
  • Sorologia;
  • PCR.
Tratamento Sintomático
Prevenção Controle do vetor

Febre Zika

close de pele com zika
Fonte: Wikimidia commons

Assim como a dengue e o chicungunha, a febre Zika é transmitida pelo mosquito Aedes. O quadro de Zika é semelhante ao da dengue, porém mais brando.

Ocorre febre baixa, dor de cabeça, dor muscular, dor articular, conjuntivite, fotofobia e exantema. O rash cutâneo é difuso e muito pruriginoso. As dores nas articulações, geralmente das mãos e pés, podem demorar semanas para desaparecer.

Quando adquirida na gravidez, a febre Zika pode levar à microcefalia (malformação congênita em que a cabeça do feto é pequena).

FEBRE ZIKA
Agente Vírus Zika (arbovírus)
Transmissão
  • Picada do mosquito do gênero Aedes (mais comum);
  • Transmissão vertical (gestação);
  • Transmissão sexual.
Período de incubação 3 a 12 dias
Período de transmissibilidade
  • 1 a 2 dias antes do início dos sintomas até 3 a 5 dias após em sangue
  • Na urina, pode persistir por 10 a 15 dias
  • Há relatos de persistência em esperma por 2 meses
Duração do quadro 5 a 7 dias
Sinais e sintomas clássicos
  • febre baixa;
  • dor de cabeça
  • dor muscular;
  • dor articular;
  • conjuntivite;
  • fotofobia;
  • exantema pruriginoso.
Complicações
  • síndrome de Guillain-Barré;
  • adquirida na gravidez, a febre Zika pode levar à microcefalia (malformação congênita em que a cabeça do feto é pequena).
Diagnóstico
  • exame clínico;
  • Sorologia;
  • PCR.
Tratamento Sintomático
Prevenção Controle do vetor

Enfim…

Como vimos, manchas vermelhas no corpo da criança podem ser causadas por doenças benignas e de curta duração, mas também podem representar quadros graves e potencialmente fatais.
Leve imediatamente seu filho ao pediatra se ele desenvolver um exantema! Somente um especialista é capaz de fazer o diagnóstico correto e tratá-lo com segurança.

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