Médico examinando o olho de um paciente por meio de um aparelho

Adriana Bonfioli

A oftalmologia é uma especialidade da medicina que avançou muito em termos de tecnologia nos últimos anos. Novos exames para diagnóstico e acompanhamento surgiram, assim como novos tratamentos, medicações e recursos. É muito comum sair de uma consulta com pedidos de exames oftalmológicos complementares. Vamos conhecer mais sobre eles?

1. Retina

Durante a consulta de rotina, a retina é avaliada através dos exames de biomicroscopia de fundo de olho e da oftalmoscopia binocular indireta. Quando uma alteração é observada, o paciente é encaminhado para realizar exames oftalmológicos complementares como:

  • mapeamento de retina;
  • retinografia;
  • angiofluoresceinografia;
  • tomografia de coerência óptica (OCT).

Esses exames são realizados por especialistas em retina, os chamados retinólogos.

Mapeamento de retina

Exame oftalmológico que observa a retina central e periférica, vasos sanguíneos e nervo óptico. Tem esse nome porque através dele o fundo de olho é mapeado e suas alterações registradas.

Retinografia

Fotografa o fundo de olho, sendo utilizado principalmente para registrar as alterações encontradas e para acompanhá-las ao longo do tempo. Existem alguns aparelhos, como o Optomap, que são capazes de registrar até doenças na periferia da retina, um local de difícil visualização.

Angiofluoresceinografia

Fotografa o fundo de olho com a utilização de filtros e após a injeção do contraste fluoresceína sódica. Por meio desse exame é possível observar nitidamente a vascularização da retina e alterações como microaneurismas, neovascularização, vazamentos e edemas.

A angiofluoresceinografia é utilizada para diagnóstico e acompanhamento de diversas doenças oculares como a retinopatia diabética, degeneração macular relacionada à idade (DMRI), coroidopatia serosa central e oclusões vasculares da retina.

Tomografia de coerência óptica (OCT)

Esse procedimento utiliza um feixe de luz para obter imagens em cortes da retina e do nervo óptico, possibilitando o exame de suas camadas. Não é necessária a utilização de contraste.

O OCT tem muitas aplicações para a oftalmologia, dentre elas o acompanhamento de alterações retinianas em pessoas que sofrem com as seguintes doenças oculares: degeneração macular relacionada à idade (DMRI), retinopatia diabética, edema macular, membrana epirretiniana, buraco macular e tração vítreo retiniana.

Ultrassom

Utilizado para examinar as estruturas oculares. É um exame essencial quando algum obstáculo impede o exame do fundo do olho, como por exemplo catarata ou sangue na cavidade vítrea. A presença destas opacidades impede que seja visualizada a retina. Também utilizado nos traumas oculares, suspeita de corpo estranho intraocular e tumores.

2. Córnea

Paquimetria ultrassônica

Exame oftalmológico que mede a espessura da córnea. É muito utilizado na avaliação do ceratocone, glaucoma e edemas corneanos, assim como no pré e no pós-operatório de cirurgias refrativas e na adaptação à lentes de contato.

Topografia de Córnea ou Ceratoscopia Computadorizada

Analisa o relevo corneano e determina as medidas de curvatura da córnea. Utilizada para o diagnóstico de doenças oculares como ceratocone e astigmatismos irregulares, assim como em períodos de adaptação à lentes de contato, no pré-operatório das cirurgias refrativa e de catarata, para calcular o “grau” da lente intraocular a ser implantada e no pós-operatório dos transplantes de córnea.

Pentacam

Exame de tomografia que analisa as superfícies anterior e posterior da córnea e mapeia a espessura corneana ponto a ponto.

O Pentacam é capaz de diagnosticar o ceratocone precocemente. Durante o pré-operatório da cirurgia refrativa, fornece informações mais detalhadas e úteis para o planejamento e detecta com mais sensibilidade as alterações que contra indicam a cirurgia.

Microscopia Especular da Córnea

Fotografa a camada interna da córnea, chamada endotélio, responsável pela sua transparência. As células endoteliais são contadas e suas características analisadas.

É um exame utilizado no pré-operatório de cirurgias intra oculares como catarata, glaucoma e transplante de córnea, assim como pelos usuários de lentes de contato e em casos de doenças corneanas.

3. Cirurgia de Catarata

O diagnóstico da catarata é realizado durante a consulta oftalmológica. Caso a cirurgia seja recomendada, alguns exames oftalmológicos são indicados para o pré-operatório.

A topografia de córnea e a ecobiometria fornecem os dados para calcular o “grau” da lente intraocular a ser implantada. A microscopia especular examina o endotélio da córnea detectando alterações que podem exigir cuidados especiais durante a cirurgia.

Em pacientes portadores de alta miopia ou com histórico de lesões periféricas predisponentes ao descolamento de retina, o mapeamento com um retinólogo deve ser indicado.

Nos casos de catarata total, em que não é possível examinar o fundo de olho, é necessário realizar um exame de ultrassom para avaliar a presença de alterações como a hemorragia vítrea e o descolamento de retina.

Ecobiometria

Exame oftalmológico que utiliza o ultrassom para medir o comprimento do olho e calcular a lente intraocular por meio da utilização de dados da topografia de córnea.

Biometria óptica (IOL master ou Lenstar)

Exame de biometria que utiliza a interferometria para medir o comprimento ocular com maior precisão que a ecobiometria ultrassônica.

Potencial de Acuidade Macular (PAM)

Mede o potencial de acuidade visual do olho. Em pacientes com baixa de visão, com suspeitas de que outra alteração ou doença ocular possa estar contribuindo para o embaçamento além da catarata, o PAM é capaz de prever de forma aproximada a visão do paciente após a cirurgia. Um feixe de luz contendo figuras ou letras é projetado dentro do olho do paciente e o menor tamanho que ele conseguir ler é registrado.

4. Glaucoma

Dentre as doenças oculares, o glaucoma é a que utiliza o maior número de exames oftalmológicos complementares para o diagnóstico e acompanhamento dos pacientes.

Quando a suspeita de glaucoma é levantada durante uma consulta de rotina, os seguintes exames oftalmológicos podem ser necessários: curva de pressão ocular, paquimetria, retinografia colorida, campimetria computadorizada e OCT.

Curva de pressão ocular

Utilizada para avaliar o comportamento e as variações da pressão ocular através de múltiplas medidas ao longo do dia. Exame importante para o diagnóstico e acompanhamento do tratamento do glaucoma.

Paquimetria

Como vimos, esse exame oftalmológico mede a espessura corneana. No glaucoma, a importância desse exame reside na validação da medida da pressão.

As mensurações feitas pela tonometria – outro exame que mede a córnea – sofrem variações de acordo com a espessura corneana: em córneas finas, a medida é falsamente reduzida e em córneas espessas, a mensuração apontada é maior do que a medida real. A espessura corneana precisa ser conhecida e registrada corretamente para todos os pacientes com glaucoma.

Retinografia colorida

A retinografia registra o nervo óptico e sua escavação. Em pessoas com boa saúde ocular, a proporção da área de escavação em relação ao disco óptico é usualmente menor ou igual a 3 para 10 (0,3). Quando ocorre o dano ao nervo óptico ocasionado pelo glaucoma, essa escavação aumenta e apresenta alguns sinais típicos que podem ser observados na biomicroscopia de fundo e registrados através da retinografia.

Campimetria computadorizada

Exame oftalmológico que avalia a integridade do campo visual e se há comprometimento do funcionamento do nervo óptico pelo glaucoma ou outras doenças oculares como neurite óptica, tumores, aneurismas e outras alterações neurológicas. Existem alterações no exame que são típicas de glaucoma e ajudam no diagnóstico da doença. A campimetria é utilizada também para acompanhamento do tratamento.

Tomografia de coerência óptica (OCT)

Fornece informações valiosas sobre o nervo óptico e a camada de fibras nervosas, sendo O OCT um exame oftalmológico muito importante para os pacientes que sofrem com o glaucoma. Detecta precocemente alterações, possibilitando o início do tratamento antes mesmo que o campo visual seja afetado.

5. Avaliação lacrimal

A avaliação da qualidade da lágrima é feita através do uso de corantes como a fluoresceína, rosa bengala e lissamina verde. Eles revelam áreas de lesão na córnea e na conjuntiva como erosões, ceratites ou úlceras de córnea.

Break up time (BUT)

Avalia a qualidade da lágrima utilizando a fluoresceína e o filtro azul da lâmpada de fenda. Durante o exame, observa-se o tempo que a lágrima demora para se romper entre um piscar e o outro.

Quando o exame aponta uma evaporação precoce da lágrima, ou seja, antes de 10 segundos, há evidências que o paciente sofra com olho seco.

Teste de Schirmer

Utiliza tiras de papel filtro para avaliar a produção lacrimal. Ao final dos cinco minutos do exame, a medida da área úmida do papel corresponde à quantidade de lágrimas produzidas. Esse exame é indicado especialmente para pacientes portadores de doenças reumatológicas e com suspeita de olho seco.

Quando a queixa é excesso de lágrimas e a suspeita principal a obstrução do canal lacrimal, essas podem ser avaliadas através de entubação e lavagem.

Lavagem das vias lacrimais

Após instilação de colírio anestésico, é introduzida uma cânula nos pontos lacrimais inferiores e injetado soro fisiológico 0.9%. A passagem do líquido até a garganta indica que as vias estão desimpedidas. Se houver obstrução do canal lacrimal, o soro, possivelmente acompanhado de secreção purulenta, irá refluir.

Uma avaliação oftalmológica completa e detalhada consegue diagnosticar a maioria das doenças oculares e conduzi-las satisfatoriamente. Nos casos em que há necessidade de exames complementares, os mesmos devem ser realizados em locais confiáveis e com profissionais de excelência. Exames de má qualidade muitas vezes dificultam o diagnóstico e confundem o médico. Converse com o seu oftalmologista sobre a suspeita, os exames indicados e o melhor local para realizá-los.

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