Exame de vista: quando fazer e o que esperar?

Médica oftalmologista segura o queixo de uma menina pequena enquanto ilumina os olhos dela em uma clínica durante uma consulta oftalmológica. A mãe dessa menina está ao lado apoiando a mão na cabeça da filha que está realizando um exame de vista.

Quando nós pensamos em fazer um exame de vista, a primeira coisa que nos vem à cabeça é: “Ah, não! Aquele colírio!”. Infelizmente, as gotinhas são necessárias para o exame, por dois motivos: medir o grau com precisão e fazer o exame do fundo do olho.

Você sabia que 40 a 50% dos casos de cegueira poderiam ter sido prevenidos por meio de uma avaliação? Em uma consulta oftalmológica completa, é possível detectar doenças oculares, claro, mas também várias condições sistêmicas como diabetes, hipertensão, doenças reumatológicas e até tumores cerebrais!

Por isso, é importante fazer visitas regulares ao oftalmologista desde cedo e certificar-se de que a avaliação foi completa e caprichada, ok?

Primeiro “exame de vista” da vida!

A primeira avaliação ocular deve ser feita na maternidade. O “Teste do Olhinho”, recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, foi instituído por lei em vários estados e é realizado nos primeiros dias de vida, geralmente pelo pediatra.

É um exame simples e rápido. Um pequeno feixe de luz é projetado dentro dos olhos do bebê e o reflexo vermelho que se forma é observado pelo médico. Se houver algum obstáculo a esse feixe de luz, como uma catarata, tumor ou descolamento de retina, o reflexo se mostrará alterado e o bebê será encaminhado imediatamente para uma consulta com o especialista.

Se o teste do olhinho for normal, o pediatra irá orientar os pais a levarem o bebê para essa primeira avaliação completa aos seis meses de idade.

Primeira consulta oftalmológica da criança

Recomenda-se que a primeira consulta com um oftalmologista ocorra aos seis meses de idade (para essa avaliação, é necessário dilatar a pupila).

Passo a passo do exame do bebê:

  • Anamnese: histórico da gestação e do parto, dados médicos da família;
  • Inspeção da superfície ocular;
  • Exame do reflexo da pupila: com uma pequena lanterna, o especialista observa se as pupilas se fecham em resposta à luz;
  • Hirschberg: também utilizando a lanterna, o médico observa o reflexo da luz nas córneas do bebê. O normal é que eles estejam centralizados, em ambos os olhos. Reflexos deslocados do centro ou assimétricos podem indicar estrabismo.
Figura que representa reflexos nos olhos. Nos dois primeiros, o reflexo está centralizado, o que mostra que ele está normal. Nos outros dois o reflexo está assimétrico, indicando estrabismo.
  • Motilidade ocular: é possível examinar a movimentação dos olhos e sua sincronia utilizando objetos que o bebê segue com os olhos;
  • Retinoscopia: a retinoscopia é um exame que utiliza uma faixa de luz em movimento e lentes especiais para detectar a presença de erros refrativos (miopia, hipermetropia e astigmatismo). É muito importante diagnosticar precocemente a anisometropia (diferença de grau entre os dois olhos), pois, sem tratamento, ela pode resultar em perda da visão (ambliopia);
  • Fundoscopia: o exame de fundo de olho é realizado após a dilatação da pupila. Ela avalia a retina e o nervo óptico, verificando a presença de doenças como catarata congênita, glaucoma congênito, retinopatia da prematuridade e tumores;
  • Pressão ocular: pode ser avaliada manualmente ou utilizando tonômetros portáteis, como o tonopen.

Consultas oftalmológicas na infância: qual a frequência necessária?

A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) sugere que um exame ocular completo seja realizado pelo oftalmologista a cada 6 meses durante os dois primeiros anos e, depois, anualmente até os 7 a 9 anos de idade.

Porém, o profissional deve ser procurado a qualquer momento, caso a família perceba algum dos seguintes sinais e sintomas:

  • alteração do reflexo vermelho em fotografias (leucocoria);
  • “olho torto” (estrabismo);
  • pálpebra caída (ptose);
  • lacrimejamento constante;
  • olhos vermelhos;
  • secreção ocular;
  • dificuldade para enxergar ou distinguir cores;
  • tendência a apertar os olhos para tentar ver os objetos que estão longe;
  • dores de cabeça;
  • visão dupla.

Como é o exame de vista das crianças?

Além dos passos já descritos para o exame do bebê, na criança é possível fazer o teste da visão. O método de exame varia de acordo com a faixa etária, porém já é possível medir o grau, se houver, com mais precisão.

Exame de vista nos adultos: quando fazer?

Dos 20 aos 40 anos

Pessoas abaixo de 40 anos, saudáveis, sem história familiar de doenças oculares e que não apresentam outros fatores de risco para alterações visuais podem ser avaliadas pelo oftalmologista a cada 2 anos.

Se, mesmo nessa faixa etária, existirem fatores de risco para doenças oculares, o paciente deve ser avaliado uma vez por ano. São eles:

Em qualquer época, uma consulta oftalmológica deverá ser marcada imediatamente se aparecerem sinais ou sintomas oculares anormais.

Após os 40 anos de idade

Após os 40 anos, é recomendado um exame de vista anual. Afinal, nesta faixa etária, o risco de doenças oculares como Glaucoma e Catarata aumenta progressivamente. O diagnóstico precoce é a principal arma na prevenção de perdas visuais irreversíveis.

Para saber como é feita uma consulta oftalmológica completa no adulto, leia:
A CONSULTA OFTALMOLÓGICA

Gostou do texto? Mantenha-se sempre atualizado sobre as melhores escolhas para a sua vida com o nosso Blog e redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter)! Estamos te esperando.

Oftalmologia

Médica oftalmologista e idealizadora do Convite à Saúde. Atualmente atende na Clínica Advision, nas especialidades de plástica ocular e cirurgia de catarata. Paralelamente, escreve e coordena o departamento de redação do portal, além de prestar consultoria na área de auditoria médica.

Deixar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *