Como evitar alguns acidentes com crianças da forma certa?

bebe em um carro na cadeirinha para evitar acidentes enquanto um homem dirige o carro

Correr, cair, se levantar e sair correndo novamente. O dia a dia de muitas crianças pode virar uma tragédia num piscar de olhos e dos sorrisos e gargalhadas virem lágrimas e desespero.
Acidentes são comuns e todo mundo está sujeito a passar por eles em algum momento da vida. As crianças são as mais atingidas e muitas pessoas desconhecem como agir mediante uma fatalidade.
Acidentes de trânsito, afogamentos e sufocação são responsáveis pelas maiores causas de morte entre crianças, somadas chegam em 81,2%, segundo o Ministério da Saúde (DATASUS, 2016). Quedas, queimaduras e intoxicação somam 12,5% das outras causas que mais matam entre crianças de 0 a 14 anos. Cerca de 6% correspondem a mortes por fatores desconhecidos.
Alguns cuidados tomados pelos responsáveis podem minimizar e evitar que alguns incidentes aconteçam.

Trânsito

Chega a hora da viagem em família. Bagagens no porta malas, todos sentados e prontos para dar partida no carro. Porém, um único detalhe pequeno e que salva vidas é por vezes esquecido e ignorado: o cinto de segurança deixa de ser parte da rotina das pessoas apesar de ser de uso obrigatório e amparado por lei- CNT resolução 277 de 25/05/2008.
A física comprova que “tudo o que estiver solto dentro de um veículo, a uma velocidade de 60km/h, em caso de colisão pode ser afetado com um peso 50 vezes maior que o real.” Exemplo prático: uma criança de 20kg pode se transformar em um urso de 1000kg.
Após avaliar a sentença, cabe aos pais e responsáveis que tenham crianças providenciar o assento infantil apropriado para cada faixa etária do desenvolvimento dos filhos/ parentes e checar se todos os ocupantes do veículo estão usando o cinto de segurança.
O assento infantil muda de acordo com a idade da criança, por isso os responsáveis devem providenciar nos primeiros anos de vida o bebê conforto, depois a cadeirinha, o assento de elevação e por fim a criança passará a usar somente o cinto de segurança quando tiver completado doze anos.

Dicas valiosas para evitar acidentes com crianças no trânsito:

  1. Jamais carregar criança no colo dentro do carro
  2. Não utilizar assento infantil envolvido em colisão
  3. Cuidado com vidros elétricos, trava das portas e chave na ignição
  4. Nunca deixar a criança sozinha no carro

Quedas

As quedas são as campeãs de internações, correspondendo a 46% dos acidentados hospitalizados de 0 a 14 anos. (DATASUS 2016) Crianças adoram correr e se movimentar pelos ambientes. Por isso, ao limpar a casa garante que tudo esteja seco e guardado no devido lugar.
Algumas quedas podem provocar traumatismos cranianos, fraturas ósseas e dentárias.

Confira as dicas:

  1. Trocar móveis com quinas por móveis mais seguros e abaulados
  2. Evitar produtos que tragam perigo para crianças como ceras para lustrar o chão
  3. Observar padrões dos playgrounds e parques
  4. Colocar grades ou telas nas janelas
  5. Não deixar crianças pequenas em camas de adultos
  6. Evite comprar o andador já que é perigoso e desnecessário, já não é comercializado em vários países e não contribui com o desenvolvimento dos bebês, segundo o site Word Heath Organization (2014)

Afogamentos

Por natureza, crianças são exploradoras e curiosas. Por isso, ela tenderá a observar tudo a seu redor.
A maioria dos pequenos gosta de água, mas para aqueles que não saibam nadar é necessário tomar mais alguns cuidados especiais e evitar afogamentos. A água que entra nos pulmões impede a respiração, causando sufocação, dentro de pouco tempo a pessoa pode morrer se não for socorrida.

Por isso, veja as dicas a seguir para evitar acidentes com crianças:

  1. Remover (ou cobrir) reservatórios de água.
  2. Cercas de isolamentos/alambrados ao redor de piscinas.
  3. Usar dispositivos individuais para flutuação como as bóias infantis, mas lembrando que isso não substitui a supervisão de um adulto.
  4. Aprender medidas de ressuscitação imediata.
  5. Aulas de natação:
    • Crianças devem aprender a nadar a partir dos 4 anos.
    • Há evidências de que crianças de 1 a 3 anos de idade, que já tiveram aulas de natação, se afoguem menos.
    • Mesmo a criança que já aprendeu a nadar, precisa de supervisão.
    • Aulas de natação não tornam a criança de qualquer idade “ à prova de afogamento”.

Sufocação

Asfixia, ingestão e aspiração são acidentes com crianças bastante recorrentes. Muitas delas falecem por sufocação. A falta de ar nos pulmões faz com que os demais órgãos também não recebam oxigênio ocasionando o falecimento deles, o que leva a pessoa a óbito dentro de pouco tempo.
Por isso, é importante os responsáveis estarem atentos ao sono das crianças e checar se estão em posição segura e confortável e que favoreça a respiração. O fechamento das vias aéreas, como a aspiração ou ingestão de objetos pequenos e grãos também causam morte.

Dicas:

  1. O bebê deve dormir de barriga para cima, em berço certificado, com colchão firme, sem travesseiro, protetor ou cobertas soltas. Em último caso, as cobertas apenas deverão ser utilizadas da cintura para baixo.
  2. Deixar objetos pequenos fora do alcance, incluindo brinquedos fora da faixa etária ideal para a criança. Usar brinquedos apropriados, evite fios, cordões e sacos plásticos
  3. Aspirações de grãos de milho, feijão e amendoim é alta, por isso evite deixar esses alimentos crus ao alcance das crianças
  4. Em caso de ingestão e asfixia, provoque o vômito da criança para que o objeto que esteja tapando a garganta seja expelido.
  5. Em caso de objetos colocados e aspirados pelo nariz, leve a criança imediatamente ao hospital para que um médico avalie o melhor procedimento de urgência e faça a retirada do objeto.
  6. Crianças menores podem se asfixiar com a própria baba e vômito ao dormir, por isso é importante colocá-las para arrotar antes de dormirem, até mesmo para que a digestão seja iniciada.

Queimaduras

A maior vilã dos acidentes com crianças neste caso é a água quente, seja em banhos, cozinha, bolsa de água quente para recém-nascidos com cólicas, etc.
Queimaduras podem deixar marcas e cicatrizes, além de atingirem tecidos destruindo-os parcial ou totalmente. A pele e seus anexos, como tecido celular subcutâneo, músculos, tendões e até os ossos podem sofrer com as queimaduras, que podem ser térmicos, químicos, elétricos ou radioativos.

Dicas:

  1. Jamais esquecermos na época de festa juninas das deliciosas fogueiras – com supervisão intensa.
  2. Fogos de artifício devem ser soltos com a supervisão e o auxílio dos bombeiros.
  3. Elementos químicos como ácidos, produtos de limpeza e outros devem ser armazenados em locais seguros e etiquetados.
  4. Evite mexer em fiação descalço e com a energia ligada.
  5. Evite fazer gambiarras para ligar secadores de cabelo, televisões e outros aparelhos elétricos.
  6. Passe protetor solar e evite a exposição demasiada ao sol.

O tratamento de queimaduras deve ser feito em centros especializados logo após o acidente. Alguns casos demandam tratamentos mais complexos como em queimaduras mais profundas que não curam espontaneamente e precisam de realizar enxerto.
Mesmo se a queimadura não for tão séria, é necessário ir ao profissional para realizar os procedimentos necessários e agilizar a recuperação e cicatrização correta.

Primeiros socorros de acidentes com crianças por queimadura

  1. Evite o contato com a fonte causadora da queimadura e outras fontes de calor.
  2. Lave o local atingido com água corrente em temperatura ambiente até resfriar o área atingida.
  3. Busque auxílio profissional imediatamente.
  4. Caso não haja postos de saúde disponíveis no momento em que sofreu o acidente, acione o SAMU(192) ou o Corpo de Bombeiros(193) para conduzi-lo a um Pronto-Socorro.
  5. Não passe nenhum produto, pomada ou receita caseira no local para não irritar o local e infeccioná-lo.
  6. Não estoure bolhas provocadas pela queimadura pois elas são uma resposta do corpo e protegem-no de vírus, bactérias e microrganismos infecciosos.
  7. Se houver necessidade, cubra o local ferido com um pano limpo até chegar em um lugar de atendimento hospitalar.
  8. Pacientes queimados não devem retirar a roupa que estavam no acidente, o certo é molhá-la e permanecer assim até receber atendimentos para evitar que as bolhas estourem e que a pele seja arrancada no puxar dos tecidos.
  9. Retire objetos e acessórios do corpo, porque as queimaduras incham os lugares atingidos e eles podem ficar presos podendo piorar ainda mais o local

Intoxicação

Crianças pequenas tendem a colocar na boca tudo que veem e por isso muitas engolem objetos e podem ingerir produtos tóxicos porque acham que é algum alimento.
Logo, nunca deixe ao alcance delas produtos de limpeza, beleza e medicamentos pois elas podem ingerir e se intoxicar. Além desses produtos, alimentos vencidos também podem provocar intoxicação.
Plantas e capins também podem ser venenosas, por isso tome cuidado com os tipos de cultivos que você pretende fazer, todo cuidado é pouco para preservar a vida de seu filho.

Dicas:

  1. Faça prateleiras/armários altos para colocar remédios e produtos de limpeza.
  2. Produtos de beleza e higiene devem ser armazenados em caixotes e guardados em armários.
  3. Pastas dentais para crianças não devem conter flúor, pois nessa fase o flúor é muito tóxico para o organismo delas e pode gerar doenças como a Fluorose (má formação dentária, com aparência esbranquiçada não-natural listrada ou com manchas nos dentes, além de fazerem os dentes ficarem mais fracos).
  4. Alimentos vencidos devem ser descartados.
  5. Cola escolar deve ser não tóxica e de preferência antialérgica.

Caso perceba manchas no corpo de seu filho, olhos vermelhos, mal-estar, vômitos e outros sintomas incomuns, leve-o imediatamente a emergência para que as providências necessárias sejam tomadas e evitar que alguma tragédia aconteça.
Aqui em Belo Horizonte temos o setor de TOXICOLOGIA do Hospital João XXIII que é fantástico e transmite as informações de imediato de acordo com a substância ingerida.

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