Cachorro de pelagem branca sendo tocado por uma veterinária que está com um prancheta na mão

Dr. Vítor Ribeiro

A epilepsia é uma doença neurológica que acomete cães e gatos de todas as raças e idades. Ela ataca o sistema nervoso central, produzindo convulsões que podem ou não levar o animal à perda de consciência.

Se tratada adequadamente, o pet consegue levar uma vida normal, sem maiores problemas.

Quais são as principais causas da epilepsia em animais?

A epilepsia tem dois tipos:

Epilepsia primária ou idiopática: de ordem hereditária, mais comum em cães de raça pura. Manifesta-se geralmente entre os 6 meses e 3 anos de idade. Normalmente não traz alterações entre as convulsões.

Epilepsia sintomática: decorrente de trauma grave na cabeça, hemorragia, patologia degenerativa, tumor ou doenças infecciosas.

Fatores de risco

Em cães, a incidência maior de epilepsia ocorre nos machos. As raças com maior predisposição a desenvolverem epilepsia idiopática são:

  • São Bernardos;
  • Cocker Spaniels;
  • Setter irlandês;
  • Boxer;
  • Husky siberiano;
  • Springer Spaniel;
  • Malamute do Alasca;
  • Springer Spaniel;
  • Border Collies;
  • Shelties;
  • Poodles;
  • Fox terriers;
  • Beagles;
  • Dachshund;
  • Labradores;
  • Golden Retrievers;
  • Boiadeiro de Berna;
  • Lébrel Irlandês;
  • Springer Spaniel Inglês;
  • Spitz Finlandês;
  • Keeshond;
  • Tervuren;
  • Pastor-de-Shetland.

Sintomas

A epilepsia em animais é provocada por atividade elétrica excessiva no cérebro, que predispõe a crises epilépticas recorrentes. Quanto mais jovem for o pet ao começo dos sintomas, geralmente o controle da doença é mais difícil.

Crises epilépticas podem ter intervalos de várias semanas até meses, podendo aumentar de frequência e intensidade com a idade. Crises epilépticas focais se originam em um hemisfério do cérebro e levam à variadas alterações comportamentais como:

  • movimento de mascar chicletes;
  • lambedura repetitiva;
  • movimentos compulsivos de “caçar moscas imaginárias”;
  • entre outras.

As crises generalizadas são chamadas de convulsões, e atingem os dois hemisférios cerebrais, causando movimentos incontroláveis em todo o corpo, micção e defecação involuntárias e perda de consciência.

A crise de epilepsia em animais é dividida em quatro fases:

Pródromo: mudança de comportamento que precede a convulsão. O animal pode se mostrar assustado e arredio, ou buscar por atenção. Dura horas ou dias.

Aura: tem duração de minutos a horas. O animal pode apresentar comportamento de lambedura, latir, salivação excessiva, micção e vômito.

Ictus: é quando acontece a convulsão. O animal deita o corpo rigidamente de lado e apresenta espasmos, tremores agressivos, contrações musculares, dilatação da pupila, chutes aleatórios, salivação, micção e defecação involuntários. Uma crise tem duração de 1 a 5 minutos.

Pós-ictus: comportamento que segue a convulsão, podendo apresentar incoordenação, desorientação e cegueira. Pode durar de poucos segundos a várias horas.

O ideal é que o animal em crise epiléptica seja levado imediatamente ao veterinário. É extremamente recomendado que não se tente colocar nada na boca do pet.

Diagnóstico

A constante observação é fundamental para detectar traços da doença em seu animal. Episódios de crises mais leves, com alterações de comportamento, apatia ou salivação, são suficientes para uma consulta ao veterinário. Se seu cão ou gato sofreu mais que uma crise convulsiva, é possível que ele tenha epilepsia.

O diagnóstico da epilepsia animal é realizado por meio de:

  • exame clínico completo, com histórico de saúde;
  • avaliação neurológica em busca de outros sintomas e sinais de uma doença de base;
  • exame de sangue e de líquor para avaliação de possível patologia subjacente;
  • caso seja necessário, exames de imagem como tomografia computadorizada e ressonância magnética, que registram anomalias neurológicas.

Tratamento

A epilepsia não pode ser prevenida, mas recomenda-se não cruzar animais portadores da doença. Quando mais cedo identificada e tratada, maiores as chances de controle e menores as sequelas.

O tratamento tem como objetivo reduzir a frequência, duração e intensidade das crises epilépticas. A redução em pelo menos 50%, com o mínimo de efeitos colaterais, já é considerado um sucesso.

Geralmente, o controle é realizado com medicamentos antiepilépticos como o barbitúrico Fenobarbital. Devem ser administrados sob rigoroso acompanhamento veterinário, frequente realização de perfil bioquímico e acompanhamento da sua concentração no sangue. Seu uso traz efeitos colaterais como:

  • ataxia;
  • aumento de ingestão de água;
  • micção;
  • sonolência;
  • sobrepeso;
  • alterações hepáticas – se com frequência, é necessária uma consulta com o nutricionista, para orientação alimentar.

Portadores de epilepsia, quando tratados, geralmente mantêm boa qualidade de vida, mas exigem cuidados especiais. Devem ser mantidos afastados de escadas, piscinas, objetos pesados e ambientes que propiciem acidentes.

Alguns animais têm predisposição às crises devido a estímulos externos como fogos de artifício. Então, é interessante evitar esses estímulos.

No caso de crises muito frequentes, ou com duração maior do que 1 minuto, é importante que se procure um veterinário para re-adequação do tratamento e evitar a ocorrência de status epilepticus, condição onde o animal tem convulsões prolongadas ou sequenciais, trazendo risco à vida do animal.

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