Detalhe de um homem de terno digitando em um notebook simbolizando os efeitos do uso constante do computador para a visão

Adriana Bonfioli

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não é verdade que computador faz mal para a visão.

Entretanto, olhar para a tela o dia inteiro pode causar cansaço visual e sintomas como dores de cabeça e nos olhos, embaçamento da visão, vermelhidão, ardor, sensação de areia, coceira e lacrimejamento. É a chamada Ocular Vision Syndrome ou Síndrome do uso do computador.

A culpa dos olhos vermelhos e lacrimejantes não é apenas do PC. O mesmo problema acontece após uso constante e prolongado de celulares, tablets e televisão.

O hábito de ler na tela do computador é diferente da leitura de um livro ou revista impressa. O contraste entre as letras e o fundo é menor. Afinal:

  • Os caracteres em pixels têm as margens borradas e são difíceis de focalizar;
  • O brilho e os reflexos da tela dificultam a visão.

Uso contínuo do computador

Trabalhar o dia inteiro em frente ao computador exige um esforço contínuo dos olhos e de seus músculos, resultando em fadiga ocular.

Para realizar a convergência, os músculos extraoculares se contraem para mover os olhos para dentro em direção ao objeto. Para realizar a acomodação, o músculo ciliar, localizado dentro do olho, se contrai para modificar a forma do cristalino (lente ocular) e focalizar objetos próximos.

Realizar essas funções de forma contínua e prolongada leva a um cansaço visual impactante. Se a pessoa precisa de óculos e não os usa, os sintomas da síndrome do uso do computador são ainda piores.

E quem se lembra de piscar?

Concentrar-se na tela também leva a uma redução da quantidade de piscadas de olho por minuto.

O ato de piscar é responsável por espalhar a lágrima sobre a superfície ocular, lubrificando e protegendo sua camada mais superficial, o epitélio.

Se há um aumento do tempo entre uma piscada de olho e a outra, ocorre o ressecamento excessivo da superfície e a formação de pequenos pontinhos de lesão. Ao longo do dia, o processo se repete, até que apareçam os sintomas de irritação ocular.

A evaporação da lágrima é ainda maior em locais com ar condicionado ou vento, acelerando o aparecimento das lesões e intensificando o quadro da síndrome do uso do computador.

Em alguns casos dessa síndrome, a presença de blefarite contribui para o problema. Essa condição é caracterizada por uma inflamação crônica das margens das pálpebras e tem causas variadas, infecciosas e inflamatórias. Ocorre alteração das glândulas palpebrais que produzem a porção superficial e gordurosa da lágrima, responsável pela sua estabilidade.

O que fazer?

Para reduzir o desconforto provocado pelo uso constante do PC é recomendado:

  • Correção visual, se necessária;
  • Ergonomia: a tela do computador deve ser posicionada de 15 a 20 graus abaixo do nível dos olhos e de 40 a 75 cm de distância desses;
  • A mesa deve ser posicionada de forma a evitar reflexos na tela. A janela deve ficar ao lado do computador e não atrás ou à frente dele;
  • A luz ambiente deve ser reduzida para que o brilho da tela seja mais intenso;
  • A cadeira deve ser confortável e ajustada para que os pés fiquem totalmente apoiados e as costas retificadas;
  • Intervalos: pequenos momentos de descanso são essenciais. Recomendam-se intervalos de 15 minutos a cada 2 horas de uso dos eletrônicos. Durante o descanso, deve-se procurar olhar para objetos à distância para descansar os músculos ativados durante o trabalho;
  • Lágrimas artificiais: se for preciso, o ressecamento ocular pode ser tratado com lubrificantes oculares indicados por um especialista,
  • Se houver blefarite (pálpebra inchada), outras medidas são necessárias como: compressas mornas, limpeza local, uso de suplementos contendo Ômega 3 e, em alguns casos, antibióticos locais e sistêmicos.

O uso excessivo de PC e eletrônicos não pode ser evitado na vida profissional de muitas pessoas, mas certamente é possível de ser reduzido durante os momentos de lazer, o que evita o desenvolvimento da síndrome do uso do computador.

Vamos sair da telinha? Caminhar, ter mais contato com a natureza, cultivar os amigos no mundo real, passear, ler livros impressos e, enfim, cuidar da saúde emocional para ter mais qualidade de vida e felicidade!

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