Mão segurando um cigarro para mostrar os efeitos do tabagismo na saúde

Dr. Celso Dilascio

Como todos nós já sabemos (ou deveríamos saber), os efeitos do tabagismo na saúde são preocupantes. Afinal, nos dias atuais, qualquer pessoa que tenha visto a parte de trás de um maço de cigarros sabe do que estamos falando.

Porém, nosso objetivo aqui hoje não é chocar, e muito menos traumatizar alguém. Isso a gente deixa para as embalagens. O que queremos é destacar quais são os malefícios do tabaco para a sua saúde e, dessa forma, deixar que você decida o próximo passo a ser tomado.

Acontece que a grande verdade é: se você é fumante, ou até mesmo fuma de vez em quando, que essa escolha seja consciente. Ou seja, sabendo exatamente o que é o tabaco, como o processo de fumar acontece e quais são suas consequências para o organismo.

Vamos lá?

O que acontece quando fumamos?

1ª fase: cavidade bucal, faringe, laringe e traqueia

Quando uma pessoa fuma, a primeira coisa que acontece é a liberação de uma mistura de gases ao redor dos olhos, nariz e garganta. Inclusive, os olhos podem lacrimejar, o nariz escorrer e a garganta ficar irritada.

A fumaça “tragada” desce pela faringe, laringe e traqueia. Esta, por sua vez, possui cabelos minúsculos chamados cílios, que trabalham para purificar e umedecer o ar que, ao ser respirado, desce pelos tubos brônquicos e chega aos pulmões.

O grande problema é que o processo de fumar costuma paralisar e até mesmo eliminar estes cílios, tornando a filtragem do ar ineficaz e permitindo que várias substâncias estranhas ao corpo viajem por todo nosso sistema respiratório.

Curiosidade importante: já reparou que uma pessoa que fuma com frequência costuma acordar tossindo, ou tossir ao longo do dia? Isso acontece porque os cílios que não foram danificados durante as últimas tragadas começam a funcionar novamente, varrendo todas as impurezas que estão por ali e eliminando-as pela garganta.

O problema é que, para cada cigarro consumido, milhares e milhares de cílios são comprometidos. Aí, quando eles finalmente começam a funcionar de novo, chegou a hora de fumar novamente, porque o organismo se viciou nessa prática e os efeitos a curto prazo que ela traz.

2ª fase: brônquios e pulmões

No fundo dos pulmões, a fumaça do cigarro danifica as células responsáveis por remover partículas estranhas dos alvéolos (pequenos “sacos de ar” localizados no final das ramificações dos brônquios).

Além disso, é importante saber que grande parte do que se inala ao fumar um cigarro se transforma em alcatrão. Esse alcatrão não é diferente (mesmo) do que você costuma usar para pavimentar uma estrada, ou limpar a casa, por exemplo.

A realidade é que somente 30% do alcatrão presente no cigarro é enviado de volta ao ar através da expiração. O restante gruda na garganta e nos pulmões que nem cola quente.

Esse alcatrão, por sua vez, mata grande parte das células pulmonares saudáveis, permitindo que tudo de mais estranho e tóxico circule por ali e, consequentemente, pelo restante do corpo.

Além disso, uma pessoa que fuma regularmente costuma a perder um pouco do olfato e paladar, tudo graças ao alcatrão, que reveste a língua e as passagens nasais.

Atenção: cigarros com baixo teor de alcatrão são UM MITO. Os fabricantes que adicionam essa informação na embalagem, na verdade, fazem apenas pequenos orifícios no filtro do para “reduzir” a quantidade de alcatrão que você ingere.

“Mas, calma… isso é bom, não?” Bem, infelizmente não, porque essa técnica não funciona. Ocorre que seus dedos, ao segurarem o cigarro, bloqueiam a maioria desses buracos, fazendo com que você fique praticamente no zero a zero.

3ª fase: corrente sanguínea

Por fim, os produtos químicos presentes na fumaça do cigarro são absorvidos quase que imediatamente pela corrente sanguínea. A partir daí, eles vão direto para o coração e, então, para qualquer outra parte do corpo.

Nisso, o coração começa a bater mais rápido, 10 a 25 batimentos por minuto. Isso adiciona até 36.000 batimentos extras por dia. Bizarro, né?

A fumaça também pode causar batimentos cardíacos irregulares ou arritmia. Isso acontece porque o nível de oxigênio no sangue é reduzido, uma vez que o monóxido de carbono produzido quando se fuma faz o cérebro pensar que este é oxigênio.

O problema é que, naturalmente, as células do corpo ainda estão precisando de oxigênio “de verdade”, fazendo com que seu coração trabalhe o dobro para fornecê-lo.

4ª fase: o restante do corpo

Outra coisa que acontece quando se fuma é que a pressão arterial aumenta cerca de 10 a 15%. A título de curiosidade, pressão alta significa que você tem um risco aumentado para ataque cardíaco e derrame.

Além disso, fumar não afeta apenas a pressão, mas também danifica o próprio sangue. Como já explicamos anteriormente, quando se fuma, o monóxido de carbono é gerado e processado pelo organismo. Para se ter ideia, o monóxido de carbono é o que compõe aquela fumaça que sai do tubo de escape do seu carro.

Quando se fuma, esse composto químico permanece na corrente sanguínea por cerca de seis horas, fazendo o possível para roubar oxigênio de todas as células do corpo, comprometendo o funcionamento destas ao longo do tempo.

E quais são, então, os efeitos do tabagismo na saúde?

Após toda essa reflexão, não é muito difícil chegar a algumas conclusões de quais doenças o cigarro pode provocar. Porém, como nosso objetivo é colocar alguns pingos nos “is”, vamos citar alguns dos efeitos mais comuns do tabagismo na saúde:

Problemas de circulação

Quando se fuma, o alcatrão presente nos cigarros entra no sangue, correto? Pois bem, isso faz com que ele:

  • torne o seu sangue mais grosso e, consequentemente, aumente as chances de formação de coágulos, causando quadros como trombose venosa profunda, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca etc;
  • aumente a sua pressão arterial e frequência cardíaca, fazendo o coração trabalhar mais do que o normal;
  • estreite suas artérias, reduzindo a quantidade de sangue rico em oxigênio que circula em seus órgãos.

Problemas de coração

Não é surpresa para ninguém, depois de tudo isso, que fumar danifica o coração e a circulação sanguínea, aumentando o risco de quadros como doença cardíaca coronária, ataque cardíaco, AVC etc.

A boa notícia é que, após um ano sem fumar, todos estes riscos são reduzidos pela metade. Depois de 15 anos, eles se tornam semelhantes aos de uma pessoa que nunca fumou na vida. Então, nunca é tarde para mudar de atitude!

Problemas de estômago

Fumantes têm uma chance maior de desenvolver câncer de estômago ou úlceras. Isso acontece porque fumar pode enfraquecer o músculo que controla a extremidade inferior do esôfago, permitindo que o ácido estomacal viaje na direção errada (para cima), causando o famoso refluxo.

Problemas de pele

Fumar reduz a quantidade de oxigênio que chega à sua pele. Isso significa que, se você fuma, sua pele envelhece mais rapidamente e fica cinza e sem brilho. Além disso, as toxinas do cigarro, agora presentes em seu corpo, também podem causar celulite.

Render-se ao tabaco prematuramente envelhece a pele cerca de 10 e 20 anos, aumentando as chances de se obter rugas faciais, principalmente ao redor dos olhos e da boca.

Problemas nas articulações

Fumar pode fazer com que seus ossos fiquem fracos e quebradiços. As mulheres, em especial, precisam ser bastante cuidadosas com isso, já que são mais propensas a sofrer de osteoporose.

Problemas no cérebro

Fumar aumenta o risco de sofrer um derrame em pelo menos 50%, o que pode causar danos cerebrais e morte. Isso acontece, como já explicamos aqui, devido aos problemas de circulação que o cigarro pode causar.

A boa notícia é que, dentro de dois anos depois de parar de fumar, o risco de derrame é reduzido para metade e, dentro de cinco, será o mesmo do que o de um não fumante.

Problemas nos pulmões

Os pulmões são extremamente afetados pelo fumo. Acredite: tosse, resfriado, chiado no peito e asma são apenas o começo. Fumar pode causar doenças fatais como pneumonia, enfisema, câncer de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

A DPOC, uma doença progressiva e debilitante, é na verdade o nome de uma coleção de doenças pulmonares, incluindo bronquite crônica e enfisema. Pessoas com DPOC têm dificuldade em respirar, principalmente devido ao estreitamento das vias aéreas e à destruição do tecido pulmonar. Seus sintomas típicos incluem: falta de ar, rouquidão, tosse persistente com catarro e infecções frequentes no peito.

Embora os primeiros sinais de DPOC costumam ser descartados por parecerem uma ‘tosse do fumante comum’, eles pioram caso a pessoa continue fumando, comprometendo bastante sua qualidade de vida.

E a boa notícia? Bem, a melhor forma de retardar a progressão dessa doença é parar de fumar.

Problemas na boca e garganta

Fumar causa problemas pouco atraentes como mau hálito e dentes amarelados, além de causar doenças gengivais e, como já explicamos, danificar o paladar.

Contudo, o dano mais grave causado pelo fumo na boca e na garganta é o risco aumentado para câncer nos lábios, boca, língua, garganta, cordas vocais (laringe) e esôfago.

Problemas de fertilidade

Fumar pode causar impotência masculina, pois danifica os vasos sanguíneos que fornecem sangue ao pênis, e também pode danificar o esperma e causar câncer de testículo.

Para as mulheres, fumar pode reduzir a fertilidade e aumentar os riscos para câncer de colo do útero. Pessoas que fumam também são menos capazes de se livrarem de infecções pelo HPV que, com o tempo, podem evoluir para o câncer.

Além disso, fumar durante a gravidez pode provocar situações perigosas e desagradáveis como aborto, nascimento prematuro, natimortos, doenças gerais e risco de morte súbita.

Por fim: quero parar de fumar, e agora?

Decidir que você está pronto para parar de fumar é apenas metade da batalha. Porém, NUNCA se desanime. Saber por onde começar nessa jornada é fundamental para alcançar a linha de chegada. Por isso, reunimos aqui algumas formas eficazes que vão te ajudar a parar de fumar de uma vez por todas. Olha só:

1. Estabeleça uma data

Depois de decidir parar de fumar, chegou o momento de decidir quando isso vai acontecer. Escolha um dia que não esteja muito distante (para que você não mude de ideia), mas que lhe dê tempo o suficiente para se preparar psicologicamente para se livrar do cigarro.

Até que esse dia chegue, prepare o território e vá se acostumando com a ideia. Para isso:

  • pare de comprar maços e permaneça com aqueles que você já tem;
  • tente tornar seus intervalos para fumar cada vez menos frequentes;
  • peça ajuda de parentes e amigos próximos para suportar a “abstinência”;
  • arranje substitutos temporários para os cigarros, como garrafas de água, fidget spinners, comidas (porém, cuidado para não exagerar) etc.

2. Engane seu organismo

Existem produtos no mercado, como chicletes e adesivos de nicotina, que dão conta de aliviar as crises de abstinência e, o melhor de tudo: não viciam. Porém, quando passar para essa fase, não fume ao mesmo tempo, combinado? Afinal, o excesso de nicotina faz mal de qualquer jeito, seja ele em forma de doce ou cigarro.

3. Peça ajuda

Caso nenhuma das opções anteriores tenha sido eficaz, procure pela ajuda de um profissional. Atualmente, existem grupos de apoio para fumantes, assim como remédios que diminuem a ansiedade durante o processo e outros recursos que vão te ajudar a parar com o cigarro de vez!

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