Mãe com prato de salada nas mãos olhando para seu filho que está comendo um hambúrguer

Dra. Denise Brasileiro

Biscoitos recheados no café da manhã, telinhas e desenhos durante as refeições, sucos de caixinha para o lanche da tarde e por aí vai. Afinal: quem nunca achou que estava aprimorando a educação alimentar do pequeno quando, NA VERDADE, estava cometendo erros seríssimos com ela?

Apesar de serem bastante prejudiciais à saúde, escolhas “equivocadas” são comuns na hora de decidir o que os filhos. Por isso, não precisa se sentir culpado, e muito menos pensar que você comprometeu a alimentação do seu filho para sempre. O importante é procurar as informações corretas e fazer as mudanças enquanto é tempo!

Continue comigo e veja os 10 maiores erros que os pais cometem na educação alimentar de seus filhos, e pode começar a riscá-los de sua rotina! Preparada(o)?

A má educação alimentar infantil é aquela em que…

1. Os próprios pais não se alimentam direito

Acredite: não adianta NADA convencer o pequeno a comer verduras e legumes se os pais não o fazem. A criança adquire muitos de seus hábitos observando o mundo à sua volta e, claro, as pessoas que convivem com ela.

Portanto, se você quer que ela coma bem e crie apreço pelas refeições saudáveis, basta montar pratos saudáveis para si próprio(a) e comê-lo na frente dela.

Lembre-se: um exemplo vale mais do que mil palavras

2. Ninguém senta à mesa na hora das refeições

É sempre bom tentar comer junto com o pequeno, principalmente em refeições importantes como o almoço e a janta. Assim, a família cria um ritual em que a criança pode ver os pais comendo bem, experimentar a comida deles, concentrar-se no próprio prato e no momento e, claro, criar vínculos especiais com toda a família.

3. A criança tem acesso a alimentos processados e industrializados

Todo mundo sabe o quanto um docinho, refrigerante ou bolacha recheada pode fazer o dia de uma criança melhor. Porém, é preciso entender uma série de coisas:

  • esses alimentos só podem ser oferecidos ao pequeno, de preferência, após os 2 anos. Assim, ele não fica com o paladar condicionado a preferir alimentos ricos em açúcar e gorduras. Além disso, essa prática previne que a criança desenvolva, mais tarde, problemas como obesidade e diabetes.
  • mesmo depois que seu filho começar a experimentá-los, é importante entender que a presença de alimentos não-saudáveis em casa deve ser evitada. Para que dar a chance ao pequeno de fazer más escolhas alimentares?

4. O pequeno é muito estimulado a beber sucos

É preciso entender que os sucos, naturais ou processados, são bastante ricos em carboidratos e açúcar (frutose).

Basta pensar o seguinte: para fazer um suco de laranja, é preciso, pelo menos, 3 unidades para que ele fique concentrado e muito gostoso. Em outras palavras, a criança, ao bebê-lo, está consumindo o triplo de TUDO que essa fruta tem, incluindo as coisas que, se em grandes quantidades, fazem mal para a saúde.

O preferível, aqui, é dar a fruta para o pequeno comer. Assim, ele aproveita todas as fibras e vitaminas desta, e a ingere de forma moderada.

Aliás, lembre-se do princípio mais importante da hidratação: a única bebida necessária no dia-a-dia é a água.

5. A criança não possui lanches saudáveis em sua merendeira

Colocar um pacotinho de biscoitos industrializados, uma caixinha de suco artificial e um bolinho de chocolate na merendeira do pequeno é bastante tentador. Afinal, parece ser a opção mais simples para os dias corridos, né?

Porém, não se engane. E não se deixe levar pelos produtos que se dizem extremamente saudáveis, livres “disso e daquilo”. Tome como princípio para a sua vida o seguinte: o alimento saudável DE VERDADE é aquele que não vem em um pacote, ou caixinha.

Ao invés de comprar coisas prontas para dar ao seu filho, tire um dia da semana para preparar lanches escolares saudáveis. Selecione vegetais, legumes, frutas e receitas que levam alimentos in natura. Podem ser feitos bolos integrais, petiscos com frutas secas e por aí vai.

6. Os pais não conversam sobre alimentação com seus filhos

Impor que o pequeno coma bastante alface, brócolis e cenouras não adianta. É só se colocar no lugar dele, oras. Se alguém lhe obrigasse a comer verduras e legumes, com o argumento de que “é porque eu mandei”, você as comeria?

Pois é. No lugar disso, converse com o pequeno. Explique sobre as propriedades dos alimentos saudáveis, e o motivo pelos quais eles são importantes. Pode falar da saúde do coração, do organismo como um todo e até mesmo do cérebro. Leve-a, também, para comprar os alimentos, deixe que ela possa escolher as opções que existem na sessão de hortifruti no supermercado e criem receitas juntos!

Convença uma criança de que o corpo precisa de comidas saudáveis para ficar bem desde cedo, e veja ela adquirir excelentes hábitos alimentares para o resto da vida!

7. A família come fora de casa várias vezes na semana

Cozinhar em casa possibilita um melhor controle sobre as escolhas e até mesmo o modo de preparo dos alimentos. A certeza de que tudo foi higienizado de forma caprichada, por exemplo, só é estabelecida quando tudo for preparado por… VOCÊ!

Isso inclui, também a opção e quantidade de óleo no preparo das refeições assim como a integridade e procedência dos alimentos de forma geral.

8. Os pais não oferecem à criança um alimento que ela recusou anteriormente

É comum que o pequeno, durante a infância, tenha resistência a certos alimentos. Para se ter ideia, uma criança precisa experimentar algumas receitas umas 10 vezes antes de se acostumar com elas!

Por isso, seja criativo! Invente novas receitas, deixe o prato com um aspecto divertido e bonito e tente de novo.

9. A criança assiste TV, ou usa o celular durante as refeições

O momento da refeição precisa ser “sagrado”. O pequeno deve se concentrar naquilo que está comendo, e aproveitar cada segundo daquele ritual com as pessoas que ama.

Assim, ele saberá dizer se está satisfeito, por exemplo, e desenvolverá melhores hábitos alimentares ao longo da vida.

Dica 1: não insista que a criança coma ainda mais, ou “limpe o prato”, quando ela se diz satisfeita. Além disso, aguarde até o horário da próxima refeição para oferecer a comida novamente.

Dica 2: NUNCA use junk food e guloseimas como recompensa por bom comportamento, e nem como chantagem/condição para que a criança coma tudo o que está no prato.

10. Os pais criticam o excesso de peso dos filhos

Acredite: não existe nada de útil, ou efetivo, em criticar o peso da criança. Isso só trará a ela problemas de autoestima e autoconfiança.

Enfim…

Quase todos os pais do mundo já cometeram ALGUM desses erros. O importante é sempre se informar sobre eles, assim como as boas condutas, e segui-las da forma correta.

Além disso, em caso de quaisquer dúvidas, não hesite em perguntá-las a um profissional, e nunca abandone as consultas de rotina com um pediatra/nutrólogo.

Por fim, siga todas as nossas dicas e tenha em mãos uma educação alimentar efetiva e eficaz!

Quer aprender a fazer lanches escolares mais saudáveis? Leia o texto da Dra. Denise Brasileiro, pediatra e nutróloga, sobre o assunto:

VOLTA ÀS AULAS, MERENDA ESCOLAR E LANCHEIRA SAUDÁVEL: COMO CONCILIAR TUDO ISSO?