Médico examinando a vista de uma menina que está no colo da mãe para ver se ela tem alguma doença ocular

Dra. Carolina Paes

Atualmente, o público infantil está cada vez mais engajado no uso de dispositivos eletrônicos, principalmente em tempos de pandemia. A grande questão é que a luz azul, assim como o uso excessivo das telinhas e o esforço visual que elas exigem, têm gerado muitas preocupações e questionamentos entre os pais.

Afinal: será que esses hábitos são nocivos à saúde dos nossos filhos quando o assunto é a visão? Aliás, quais são as doenças oculares mais comuns em crianças, e como podemos identificá-las precocemente?

Bem… as respostas para todas essas dúvidas estão neste artigo! Então, para saber tudo o que precisa sobre esse assunto, é só continuar conosco.

6 doenças oculares em crianças que você precisa saber mais sobre

1. Ametropias (ou erros de refração)

Você com certeza já ouviu falar dos erros refrativos. São eles: miopia, hipermetropia e astigmatismo. Estes são os principais motivos pelos quais as crianças usam óculos e, por isso, ocupam o primeiro lugar da nossa lista.

Todos os tipos de ametropias acontecem por um mecanismo: os feixes de luz, ao atravessarem nossos olhos, não se convertem em um único ponto acima da retina, mas sim na frente, ou atrás dela. Isso faz com que a visão fique menos nítida que o normal.

Para entender melhor esse processo de formação das imagem que enxergamos e saber os detalhes sobre essas três condições, é só clicar aqui.

Em resumo:

  • Miopia: aqui, a imagem se forma na frente da retina. Então, a criança tem dificuldade para enxergar de longe.
  • Hipermetropia: a imagem é formada atrás da retina, fazendo com que a pessoa não consiga enxergar bem de perto.
  • Astigmatismo: a imagem, aqui, pode ser formada em vários planos e eixos diferentes. Isso acontece devido à irregularidades na córnea, que fazem com que os raios de luz não se concentrem em apenas UM PONTO na retina. A sensação, logo, é de que a imagem está distorcida.

2. Ambliopia (ou olho preguiçoso)

Diz respeito à falha no desenvolvimento da visão de um, ou ambos os olhos.

Geralmente, é provocada por anisometropia (diferença de grau entre os olhos), estrabismo, erros refrativos, catarata e outras doenças que possam interferir no desenvolvimento da visão da criança.

Para saber todos os detalhes sobre essa doença ocular, incluindo causas, sintomas e tratamentos, é só clicar aqui.

3. Estrabismo

O estrabismo é caracterizado pelo desvio ocular. Este pode, ainda, ser divergente (com um ou ambos os olhos direcionados para sentidos opostos), convergente ou vertical, e aparecer logo após o nascimento, ou durante a infância.

Uma das suas principais causas costuma ser a alta hipermetropia e, portanto, o tratamento inclui o uso de óculos.

Para saber mais sobre essa doença ocular, acesse o artigo “Estrabismo: causas, tipos, sintomas e tratamentos”.

4. Obstrução das vias lacrimais

É uma das doenças oculares em crianças que mais se manifesta pouco tempo após o nascimento.

Para entendê-la melhor: as lágrimas, que são produzidas por glândulas anexas às pálpebras superiores, fluem em direção aos olhos, preenchendo toda a sua superfície e lubrificando-os.

Depois, elas são drenadas por uma pequena abertura localizada no ângulo interno dos olhos e descem por um canal, chegando até o nariz e a garganta.

Este canal, por sua vez, quando sofre uma obstrução, provoca sintomas como lacrimejamento excessivo e, em casos mais graves, um leve inchaço na região lateral do nariz.

As causas para este bloqueio são variadas. Porém, a boa notícia é que ele costuma se curar sozinho, ou com o auxílio de massagens que estimulam o rompimento da obstrução. Quando essas alternativas não são suficientes, uma sondagem das vias lacrimais pode ser necessária.

Atenção: se houver muco, secreção, inchaço, vermelhidão e sensação de calor no local, pode ser que o quadro esteja acompanhado de uma infecção e, por isso, precise do uso de colírios antibióticos para se curar.

5. Alergia Ocular

As alergias oculares são reações provocadas por hipersensibilidade a algo ou alguma coisa. Elas podem ser agudas ou recorrentes, e costumam acometer grande parte da superfície ocular e/ou as pálpebras.

Os principais sintomas associados a este quadro são: sensação de areia nos olhos, vermelhidão, coceira e quemose conjuntival (uma espécie de “bolha de água” que aparece na conjuntiva).

Para saber todos os detalhes possíveis sobre as alergias oculares, basta clicar aqui.

6. Glaucoma congênito

O glaucoma congênito é uma das doenças oculares em crianças mais sérias deste texto. A condição, em si, é caracterizada por uma lesão do nervo óptico que, normalmente, está associada ao aumento da pressão ocular.

Então, quando falamos em glaucoma congênito, não é de se espantar que ele seja um problema que acomete a criança desde o seu nascimento e, portanto, pode ser diagnosticado já nos primeiros dias de vida.

Geralmente, seus sintomas incluem aumento dos olhos, inchaço nas córneas e visão turva. O diagnóstico, por sua vez, deve ser feito o mais rápido possível para que o tratamento seja 100% eficaz. Do contrário, o paciente pode sofrer uma perda irreversível de sua visão.

7. Catarata congênita

A catarata é, basicamente, uma doença ocular caracterizada pela opacificação do cristalino, a tão famosa “lente natural” dos nossos olhos. Ela pode afetar um ou ambos os olhos, e geralmente só pode ser notada durante um exame ocular.

Suas causas principais envolvem o envelhecimento (e, consequentemente, a perda de elasticidade e transparência do cristalino), algumas doenças oculares (como a uveíte, por exemplo), traumas, diabetes e uso contínuo/prolongado de medicamentos que contêm corticosteroides.

Porém, apesar de raro, essa condição também pode ser hereditária, ou ainda relacionada a distúrbios metabólicos e infecções intra-uterinas (ocasionadas por infecções que a mãe tenha sofrido durante a gestação).

A doença nos bebês se manifesta pelos olhos, que adquirem uma leve opacidade branca e leitosa. Porém, como já explicamos, esse sintoma geralmente só é identificado durante uma consulta. Por isso, nunca deixe de fazer o acompanhamento oftalmológico dos seus filhos desde o começo.

Normalmente, essa condição nos pequenos só afeta uma pequena parte dos olhos, dispensando e necessidade de cirurgia. Porém, a única pessoa que saberá qual é a melhor decisão para a criança é o oftalmologista.

8. Ptose congênita

A ptose diz respeito a um pequeno defeito no músculo responsável por levantar as pálpebras superiores dos olhos. Isso faz com que elas tenham um aspecto mais “caído” e, por isso, possam obstruir uma parte da pupila, ou toda ela, provocando alguns problemas de visão.

Pode acometer um ou ambos os olhos e, além disso, dependendo da gravidade, costuma afetar a criança de forma emocional e social. Independentemente disso, o diagnóstico e tratamento precoces são importantes pois, sem eles, a consequência mais comum é a ambliopia.

Na maioria dos casos, os pais conseguem perceber este quadro só de olharem para os seus filhos. Estes, normalmente, terão dificuldade para abrir os olhos quando bebês e, mais tarde, farão algumas coisas como:

  • levantar as sobrancelhas para conseguirem enxergar direito;
  • inclinar a cabeça para ver o que está por baixa da pálpebra caída;
  • esticar os olhos para cima com as mãos;
  • entre outros.

A ptose congênita é corrigida por meio de uma cirurgia chamada Blefaroplastia. O ideal é que esse procedimento seja feito ainda nos primeiros anos de vida do bebê, preferencialmente entre o segundo e o terceiro, ou no máximo até os sete anos.

Porém, vale ressaltar que, quanto mais cedo essa correção for feita, menores são as chances da criança desenvolver alguma doença ocular.

9. Retinoblastoma

O retinoblastoma é um tipo de câncer que afeta os olhos durante a infância. Ele pode estar presente na vida do pequeno desde o seu nascimento, ou surgir até o final dos 5 anos de idade.

Pode afetar um, ou ambos os olhos, e suas causas são variadas, incluindo a hereditariedade. O tumor, por sua vez, é bastante raro, porém, muito agressivo, podendo provocar cagueira ou até mesmo a morte. É por isso que seu diagnóstico precoce é tão importante.
O principal sintoma dessa doença é a leucocoria, um reflexo branco na pupila que aparece quando o olho fica oposto a alguma fonte de luz como o flash de uma câmera fotográfica, por exemplo.

O tratamento, claro, varia de acordo com o histórico do paciente, podendo ser feito por meio de cirurgia e/ou quimioterapia sistêmica, intravítrea e intra-arterial.

Enfim…

A conclusão que podemos tirar desse bate-papo de hoje é que a maioria das doenças oculares em crianças pode acontecer independentemente da quantidade de tempo que elas passam na frente das telinhas. Porém, hábitos como esse não deixam de ser perigosos por vários outros motivos.

No mais, a melhor forma de lidar com a saúde ocular dos seus filhos é manter as consultas oftalmológicas em dia e sempre tirar suas dúvidas com o médico responsável.

Um abraço e até a próxima!

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