Doenças oculares em crianças: quais são as mais comuns?

Médico examinando a vista de uma menina que está no colo da mãe para ver se ela tem alguma doença ocular. Representação das doenças oculares mais comuns nas crianças.

Atualmente, o público infantil está cada vez mais engajado no uso de dispositivos eletrônicos, principalmente em tempos de pandemia. A grande questão é que a luz azul, assim como o uso excessivo das telinhas e o esforço visual que elas exigem, têm gerado muitas preocupações e questionamentos entre os pais.

Afinal: será que esses hábitos são nocivos à saúde dos nossos filhos quando o assunto é a visão? Aliás, quais são as doenças oculares mais comuns em crianças, e como podemos identificá-las precocemente?

Bem… as respostas para todas essas dúvidas estão neste artigo! Então, para saber tudo o que precisa sobre esse assunto, é só continuar conosco.

9 doenças oculares em crianças que você precisa saber mais sobre

1. Ametropias (ou erros de refração)

Você com certeza já ouviu falar dos erros refrativos. São eles: miopia, hipermetropia e astigmatismo. Estes são os principais motivos pelos quais as crianças usam óculos e, por isso, ocupam o primeiro lugar da nossa lista.

Todos os tipos de ametropias acontecem por um mecanismo: os feixes de luz, ao atravessarem nossos olhos, não se convertem em um único ponto acima da retina, mas sim na frente, ou atrás dela. Isso faz com que a visão fique menos nítida que o normal.

Para entender melhor esse processo de formação das imagem que enxergamos e saber os detalhes sobre essas três condições, é só clicar em Erros refrativos: tipos, causas, sintomas e tratamentos.

Em resumo:

  • Miopia: aqui, a imagem se forma na frente da retina. Então, a criança tem dificuldade para enxergar de longe.
  • Hipermetropia: a imagem é formada atrás da retina, fazendo com que a pessoa não consiga enxergar bem de perto.
  • Astigmatismo: a imagem, aqui, pode ser formada em vários planos e eixos diferentes. Isso acontece devido à irregularidades na córnea, que fazem com que os raios de luz não se concentrem em apenas UM PONTO na retina. A sensação, logo, é de que a imagem está distorcida.

2. Ambliopia (ou olho preguiçoso)

Diz respeito à falha no desenvolvimento da visão de um, ou ambos os olhos.

Ocorre quando o cérebro da criança não recebe a informação visual adequada em seus primeiros anos, momento em que ela ainda está “aprendendo a enxergar”.

Pode ser provocada por:

  • ametropias altas (necessidade de óculos com graus altos);
  • diferença importante entre o grau de cada olho;
  • estrabismo;
  • catarata;
  • ptose palpebral
  • ou qualquer outra condição que prejudique a visão nesta fase inicial da vida.

Esta condição, caso não seja tratada de forma precoce, pode levar ao comprometimento visual irreversível.

Para saber todos os detalhes sobre essa doença ocular, incluindo causas, sintomas e tratamentos, é só clicar em Ambliopia: causas, sintomas e tratamentos.

3. Estrabismo

Estrabismo é uma alteração no alinhamento dos olhos na qual eles perdem a capacidade de olhar para o mesmo ponto simultaneamente. De forma mais comum, um dos olhos mantém-se alinhado e o outro apresenta o desvio. Frequentemente, a criança pode trocar o olho fixador (com o qual ela está olhando os objetos), alternando também o olho desviado.

O estrabismo pode ser: 

  • horizontal (para o lado da orelha ou do nariz);
  • vertical (para cima ou para baixo);
  • torcional.

Pode estar presente em todos os momentos ou ser intermitente.

Esta condição pode se apresentar em qualquer fase da vida, porém seu início é mais comum na infância. É uma das principais causas de ambliopia.

O tratamento pode incluir óculos, tampão, cirurgia ou até injeção de toxina botulínica.

Para saber mais sobre essa doença ocular, acesse o artigo “Estrabismo: causas, tipos, sintomas e tratamentos”.

4. Obstrução das vias lacrimais

É uma das doenças oculares em crianças que mais se manifesta pouco tempo após o nascimento.

Para entendê-la melhor: as lágrimas, que são produzidas por glândulas anexas às pálpebras superiores, fluem em direção aos olhos, preenchendo toda a sua superfície e lubrificando-os.

Depois, elas são drenadas por uma pequena abertura localizada no ângulo interno dos olhos e descem por um canal, chegando até o nariz e a garganta.

Este canal, por sua vez, quando sofre uma obstrução, provoca sintomas como lacrimejamento excessivo e, em casos mais graves, um leve inchaço na região lateral do nariz.

As causas para este bloqueio são variadas. Porém, a boa notícia é que ele costuma se curar sozinho, ou com o auxílio de massagens que estimulam o rompimento da obstrução. Quando essas alternativas não são suficientes, uma sondagem das vias lacrimais pode ser necessária.

Atenção: se houver muco, secreção, inchaço, vermelhidão e sensação de calor no local, pode ser que o quadro esteja acompanhado de uma infecção e, por isso, precise do uso de colírios antibióticos para se curar.

5. Alergia Ocular

As alergias oculares são reações provocadas por hipersensibilidade a algo ou alguma coisa. Elas podem ser agudas ou recorrentes, e costumam acometer grande parte da superfície ocular e/ou as pálpebras.

Os principais sintomas associados a este quadro são: sensação de areia nos olhos, vermelhidão, coceira e quemose conjuntival (uma espécie de “bolha de água” que aparece na conjuntiva).

Para saber todos os detalhes possíveis sobre as alergias oculares, basta clicar em Alergia ocular: causas, sintomas e tratamentos.

6. Glaucoma

Apesar de ser uma condição que classicamente acomete idosos, o glaucoma também pode ocorrer em crianças. A condição é caracterizada por uma lesão do nervo óptico que, normalmente, está associada ao aumento da pressão ocular. Pode ser primário ou causado por outras doenças oculares. Alguns tipos tem um componente genético associado.

Uma das formas de apresentação na infância é o Glaucoma Primário Congênito. Trata-se de uma malformação na porção anterior do olho, que dificulta a drenagem do humor aquoso (líquido que preenche a câmara anterior do olho), fazendo com que ocorra elevação da pressão ocular. 

Os principais sintomas são:

  • lacrimejamento;
  • desconforto com a luz;
  • aumento do piscar;
  • vermelhidão;
  • turvação;
  • aumento do diâmetro corneano.

Estas alterações podem estar presentes já ao nascimento, porém geralmente são percebidas apenas nas primeiras semanas ou nos primeiros meses de vida.

Para saber todos os detalhes possíveis sobre o glaucoma congênito, basta clicar em Glaucoma congênito: o que você precisa saber?

O diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para o prognóstico visual, já que trata-se de condição que pode levar a cegueira em pouco tempo. 

7. Catarata congênita

A catarata é, basicamente, uma doença ocular caracterizada pela opacificação do cristalino, a tão famosa “lente natural” dos nossos olhos. Ela pode afetar um ou ambos os olhos, e geralmente só pode ser notada durante um exame ocular.

Suas causas principais envolvem o envelhecimento (e, consequentemente, a perda de elasticidade e transparência do cristalino), algumas doenças oculares (como a uveíte, por exemplo), traumas, diabetes e uso contínuo/prolongado de medicamentos que contêm corticosteroides.

Porém, apesar de raro, essa condição também pode ser hereditária, ou ainda relacionada a distúrbios metabólicos e infecções intra-uterinas (ocasionadas por infecções que a mãe tenha sofrido durante a gestação).

A doença nos bebês se manifesta pelos olhos, que adquirem uma leve opacidade branca e leitosa. Porém, como já explicamos, esse sintoma geralmente só é identificado durante uma consulta. Por isso, nunca deixe de fazer o acompanhamento oftalmológico dos seus filhos desde o começo.

Normalmente, essa condição nos pequenos só afeta uma pequena parte dos olhos, dispensando a necessidade de cirurgia. Porém, a única pessoa que saberá qual é a melhor decisão para a criança é o oftalmologista.

8. Ptose congênita

A ptose Diz respeito a queda da pálpebra superior e consequente redução da fenda palpebral (abertura dos olhos). Geralmente é associada a um defeito no músculo responsável por levantar as pálpebras superiores dos olhos.

Pode acometer um ou ambos os olhos e levar, dependendo da gravidade, ao comprometimento do desenvolvimento visual (ambliopia) ou a problemas ortopédicos no pescoço. Isso ocorre porque a criança passa a elevar o queixo para enxergar por baixo das pálpebras, fazendo com que adote uma posição da cabeça que pode prejudicar a coluna cervical. Na maioria dos casos, os próprios familiares notam a alteração.

A ptose congênita é corrigida por meio de cirurgia. O momento e o tipo de cirurgia a ser realizada dependem, principalmente, do grau de acometimento do centro da visão, da necessidade de adoção de uma posição de cabeça compensatória e do desconforto emocional e social causado pela alteração.

Porém, vale ressaltar que, quanto mais cedo essa correção for feita, menores são as chances da criança desenvolver alguma doença ocular.

9. Retinoblastoma

O retinoblastoma um tipo de câncer ocular que acomete crianças. Apesar de ser bastante raro, é o tumor maligno ocular mais frequente na infância. Além disso, é uma neoplasia muito agressiva, que pode provocar cegueira ou até mesmo a morte se não diagnósticada e tratada de forma precoce. Por outro lado, caso o tratamento adequado seja instituído rapidamente, as chances de cura são superiores a 90%.

O tumor pode acometer um ou ambos os olhos. Pode, ainda, ocorrer de forma esporádica ou familiar e estar associado ou não a mutação genética. Geralmente, se apresenta antes de 1 ano de idade, sendo mais frequente até os 3 anos. Raros casos podem acontecem após os 5 anos.

O principal sintoma dessa doença é a leucocoria, um reflexo branco na pupila que aparece quando o olho fica oposto a alguma fonte de luz como o flash de uma câmera fotográfica, por exemplo. Muito comum também é a queixa inicial ser de desvio ocular.

O tratamento, varia de acordo com o histórico do paciente, podendo ser feito por meio de cirurgia e/ou quimioterapia sistêmica, intravítrea e intra-arterial.

Enfim…

A conclusão que podemos tirar desse bate-papo de hoje é que a maioria das doenças oculares em crianças pode acontecer independentemente da quantidade de tempo que elas passam na frente das telinhas. Porém, hábitos como esse não deixam de ser perigosos por vários outros motivos.

No mais, a melhor forma de lidar com a saúde ocular dos seus filhos é manter as consultas oftalmológicas em dia e sempre tirar suas dúvidas com o médico responsável.

Um abraço e até a próxima!

 

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Oftalmologia

Médica oftalmologista especialista em oftalmopediatria e estrabismo. Atualmente atende na Clínica Awor, no Hospital Evangélico Unidade Betim e no Centro de Excelência em Oftalmologia em Pará de Minas.

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