cardiopatias em animais, Doenças do coração

As doenças cardíacas, cardiopatias em animais ou, em outras palavras, doenças do coração, também são muito comuns em cães e gatos. E o pior: além de diversos tipos, têm várias causas e diferentes sinais. Por isso, o melhor a se fazer é observar bem o comportamento do seu animal, realizar check-ups veterinários periódicos e manter uma rotina de vida saudável.

Entenda um pouco mais sobre o assunto:

As cardiopatias em animais incluem, principalmente:

  • Endocardiose ou ‘Doença Valvar Degenerativa Crônica’: responde por 90% dos atendimentos entre os pacientes com doença do coração no Hospital Veterinário Santo Agostinho. São mais constante em cães, principalmente os de pequeno porte. Geralmente se manifesta na idade entre 8 e 10 anos. Caracteriza-se pela incapacidade da valva mitral em levar o sangue vindo do átrio para a artéria aorta, provocando uma regurgitação, o recuo do sangue para o átrio;
  • cardiomiopatia dilatada: frequente entre as raças caninas de grande porte. Afeta os músculos do coração, tornando os tecidos cardíacos espessos e as paredes flácidas, o que compromete a contração e o bombeamento do órgão;
  • cardiomiopatia hipertrófica: maior índice de doenças cardíacas entre os felinos. Consiste na rigidez da musculatura da parte esquerda do coração, prejudicando a dilatação necessária para cada movimento.

Sinais de cardiopatia em cães e gatos:

Os sinais das cardiopatias são extremamente simples. Portanto, é fundamental observar mudanças na disposição do seu animal e, independente de vestígios, consultar regularmente o veterinário.

Fique de olho caso seu animal tenha alguns indícios como, por exemplo:

  • tosse, principalmente noturna, seca e alta;
  • cianose (língua roxa);
  • barriga d’água (inchaço abdominal);
  • cansaço;
  • desmaios;
  • arritmia: uma sequência intensa pode levar ao desmaio ou até à morte súbita.

Causas:

As doenças do coração podem ser congênitas ou adquiridas. Saiba a diferença:

Congênitas:

Desenvolvidas durante a gestação ou logo após o nascimento, geralmente devido a predisposição genética das raças.

Podem ser diagnosticadas logo nos primeiros 6 meses de vida. Por isso, a importância do check up realizado logo ao adotar o animalzinho é tão importante. Nela, serão observados alguns fatores como, por exemplo:

  • Persistência do ducto arterioso: o portador dessa doença dificilmente passa de 3 anos de idade. O ducto arterioso é um vaso que, durante a idade fetal, desvia o sangue da artéria pulmonar para a artéria aorta. A anomalia acontece quando, ao nascer, o ducto não se fecha. Permanecendo aberto, há desvio de sangue, alterações na pressão sanguínea e sobrecarga atrioventricular;
  • Persistência do arco aórtico: má formação dos anéis valvulares, acarretando compressão do esôfago, o que causa regurgitação pós prandial (após refeição) em filhotes no período de desmame. A longo prazo leva a problemas de nutrição e até pulmonares;
  • Tetraplegia de fallot: combinação de quatro deficiências – defeito do septo ventricular, estenose (estreitamento) pulmonar, deslocamento da aorta e hipertrofia do ventrículo direito secundário. Prejudica o crescimento do animal, conduzindo a problemas como sopro, hipoxemia (insuficiência de oxigênio no sangue) e policitemia (viscosidade no sangue, causado pelo número excessivo de hemácias).

Em casos específicos, essas doenças podem ser corrigidas com intervenção cirúrgica, desde que diagnosticadas precocemente. Uma vez confirmada a anomalia, a cirurgia pode ser realizada em um prazo de 6 meses a 1 ano.

Adquiridas:

Desenvolvidas durante o crescimento do animal. Entre elas estão endocardiose, cardiomiopatia dilatada e cardiomiopatia hipertrófica. As cardiopatias adquiridas são multifatoriais, isso é, podem ser causadas por agentes variados. As principais causas são:

  • miocardites: inflamação no coração;
  • infecções no coração;
  • hipotireoidismo ou outras deficiências hormonais;
  • deficiências nutricionais;
  • predisposição genética: mesmo as cardiopatias em animais não congênitas têm entre seus causadores o fator genético.

Raças com predisposição a desenvolverem doenças do coração:

Endocardiose – atinge principalmente cães de pequeno porte como, por exemplo:

Cardiopatia dilatada: mais frequente em animais grandes:

  • São Bernardo;
  • Doberman;
  • Pastores Ingleses;
  • Boxer.

Cardiopatia hipetrófica: recorrente em gatos de raça pura como, por exemplo:

  • Siamês;
  • Persa;
  • Ragdoll.

Complicações das doenças do coração:

As doenças do coração são silenciosas e podem levar a quadros que debilitam progressivamente a saúde do animal como, por exemplo:

  • Insuficiência cardíaca congestiva: distúrbios na pressão arterial sistólica (bombeamento máximo do sangue) e diastólica (relaxamento do órgãos para fluxo do sangue). A insuficiência do lado direito do coração incide sobre acúmulo de sangue no abdômen, enquanto a insuficiência que acomete o lado esquerdo gera retenção de sangue no pulmão. Provoca congestão, edema, regurgitação e outros problemas;
  • hipertensão arterial sistêmica: aumento significativo na pressão arterial. Pode lesionar vasos sanguíneos de todos os órgãos, provocando hemorragias e deficiência de oxigênio e nutrientes em vários órgãos do corpo.
  • tromboembolismo: a queda no fluxo sanguíneo leva a formação de coágulos, que viajam pela corrente sanguínea até bloquearem algum vaso do corpo.

O que fazer em caso de emergência?

Se seu animalzinho desmaiar, ou apresentar crises associadas a cardiopatias, jamais tente socorrê-lo em casa. É expressamente recomendado que ele seja encaminhado a um serviço de emergência veterinária. Chegando a um hospital, as primeiras medidas são, principalmente:

  • oxigênoterapia;
  • infusão contínua de medicamento na veia: normalmente furosemida, que combate o edema pulmonar e insuficiência cardíaca.

Como é o setor de cardiologia de um Hospital Veterinário?

Uma estrutura completa para atender um paciente com doenças do coração conta com:

  • doppler: avalia a circulação dos vasos e o fluxo de sangue através de ondas de som refletidas;
  • PAI: Pressão Arterial Invasiva. Método no qual é introduzido na artéria um cateter, conectado em uma coluna líquida e a um transdutor que mede a pressão;
  • electrocardiograma computadorizado: conexão de eletrodos em partes específicas do corpo para registro da atividade elétrica do coração;
  • holter: nesse procedimento, eletrodos são instalados no corpo do animal, que, de casa, tem seus batimentos e pressão monitorados em um aparelho do hospital, por um período de 24 a 48 horas;
  • ecodopplercardiograma: ultrassom que apresenta imagens do músculo, das valvas cardíacas e mostra o fluxo sanguíneo;
  • duplex scan: outro exame derivado da ultrassonografia, ideal para avaliar as artérias carótidas e fluxo carotídeo;
  • ultrassom torácico extracardíaco: 4 vezes mais sensível que a radiografia, a ultrassonografia torácica tem se tornado um importante método para avaliação de problemas no pulmão, pleura, mediastino, diafragma e parede torácica.

Tratamento para as doenças do coração

O tratamento das cardiopatias em animais objetiva dar sobrevida com qualidade ao paciente. Visa controlar a insuficiência cardíaca e seus sinais.

O diagnóstico precoce merece nova menção pois possibilita ao animal um tratamento que garanta bons anos de boa saúde, sem maiores sequelas ou sustos.

O tratamento conservador mais adotado em doenças cardíacas envolve medicação oral administrada em casa pelos próprios donos, com prescrição de fármacos como, por exemplo:

  • inibidores da enzima conversora de angiotensina: ajudam a diminuir a pressão arterial;
  • diuréticos: atuam como redutor de edema e também diminui a pressão arterial;
  • medicamentos que aumentam a contração cardíaca.

Em quadros moderados, é realizada bateria de exames a cada 6 meses; em casos mais graves, a cada 3 meses. O check-up inclui:

  • mensuração da pressão;
  • eletrocardiograma;
  • raio x de tórax;
  • ecodopplercardiograma.

Prevenção

Um dia a dia saudável pode evitar as cardiopatias em animais! Procure oferecer a ele, principalmente:

  • alimentação equilibrada: consulte o veterinário sobre a dieta ideal para a raça, idade e condições do seu pet;
  • ambiente confortável, higienizado e de área condizente com o porte dele;
  • rotina de lazer: passear e brincar com seu pet. Se você tiver um gato que não sai de casa, que tal propiciar um espaço com brinquedos, andaimes e peças em que ele possa se divertir?

Além disso, o acompanhamento do veterinário é essencial. Como dissemos no início do texto, doenças cardíacas têm diversas causas e sinais sutis. Cada raça, espécie e tipo de pet tem suas especificidades em relação ao coração. Por isso, o checkup cardíaco, no mínimo anual, é importantíssimo para o bem-estar do seu companheiro.

Nutracêuticos

Atualmente, alguns veterinários têm alcançado bons resultados na prevenção de cardiopatias em animais com o uso de nutracêuticos, compostos que podem servir como suplemento e nutricionais e como prevenção à doenças cardíacas. Entre os nutracêuticos mais indicados, estão:

  • ômega 3: reduz de taxas de triglicerídeos no sangue, combate o acúmulo de placas em artérias e reduz a pressão arterial;
  • coenzima q10 e ubiquinol: atuam na mitocôndria cardíaca, melhorando a respiração cardíaca e oxigenação tecidual; importantes também para as válvulas, com função antioxidante e anti- inflamatória, retardando o aparecimento das doenças valvares.

Doenças do coração podem gerar problemas constantes na qualidade de vida do seu amigo. Então, fique atento a saúde cardíaca dele! Realize check ups com o veterinário frequentemente. E não se esqueça de que: cuidado, amor e alegria fazem o coração bater mais forte!

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