Cachorro tendo seu quadril examinado

Santo Agostinho Assinatura

A displasia de quadril, ou displasia coxofemoral, é uma alteração do desenvolvimento na área de articulação do quadril. Ela acomete cães, principalmente aqueles de raças grandes.

Ela ocorre quando a cabeça do fêmur não se encaixa perfeitamente no acetábulo (a superfície articular), provocando instabilidade na região do quadril do animal e causando desequilíbrio, dor e desgaste da cartilagem.

A má articulação induz à inflamação e desgaste que pode levar à artrose.

Causas

A displasia de quadril é hereditária, mas não congênita, só se desenvolvendo durante o crescimento do cão. Os fatores que podem causar o agravamento da condição são:

  • crescimento rápido;
  • ambiente impróprio, como por exemplo, casa com piso muito liso;
  • alimentação inadequada e excessiva – com alto teor calórico, o que pode provocar a aceleração do crescimento;
  • obesidade;
  • exercícios inapropriados e de alto impacto – saltos, escadas;
  • predisposição racial.

Sintomas

  • Dorso curvado;
  • caminhar mancando de uma ou das duas patas de trás ou andar bamboleante;
  • dificuldade em se sentar e agachar;
  • dor;
  • recusa em fazer atividades físicas;
  • atrofia da musculatura;
  • “salto de coelho”, com as patas posteriores.

Diagnóstico

A displasia de quadril no cão é detectada através do exame ortopédico, histórico e radiografia.

Pode ser necessária sedação para realização da radiografia na posição adequada. Não é o grau da deformação, mas sim a inflamação decorrente a causa da dor e das dificuldades de movimentação do animal.

Cães com displasia mais graves ao raio-x podem sofrer menos dor do que outros com deficiência moderada.

Tratamento

Não existe tratamento que elimine a displasia de quadril. As medidas comumente adotadas visam melhorar a qualidade de vida do cão e dependem da idade, tamanho, saúde do animal e do seu nível da deficiência :

  • Cirurgia: indicada para casos em que o tratamento via medicamentos não apresenta resultados ou quando o diagnóstico é muito precoce. Podem corrigir a anatomia da articulação.

    Entre as técnicas usadas estão:

    • artroplastia com prótese de titânio;
    • sinfisiodese púbica;
    • denervação;
    • osteotomia tripla pélvica.

    A última, considerada a mais eficiente, faz uso de uma placa para corrigir a angulação dos ossos e evitar o deslocamento do fêmur, e deve ser feita apenas em animais em crescimento.

    Para casos em que essa intervenção não é possível, pode ser aplicada a artroplastia, a substituição da cabeça do fêmur e do acetábulo por uma prótese. Essa técnica extingue a dor, porém diminui a mobilidade do animal;

  • Fisioterapia: massagens, alongamentos, hidroterapia, acupuntura, eletroestimulação, cinesioterapia e outras terapias podem aliviar a dor e aumentar a flexibilidade do quadril.
  • Anti-inflamatórios: apesar de causarem efeitos colaterais quando usados prolongadamente, eles auxiliam nas dores derivadas da inflamação local.Seu uso é recomendado apenas nos momentos de crise dolorosa e na menor dose eficaz.

    Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs) como o meloxicam e o firocoxib, por exemplo, são indicados em crises dolorosas.

  • Condroprotetores: ajudam a preservar a saúde da articulação e podem ser usados de forma contínua.
  • Camas ortopédicas: colchões com viscoelástico auxiliam na acomodação e distribuição do peso do cão ao se deitar, melhorando seu conforto.
  • Cadeira de rodas: indicada para casos em que a mobilidade do animal é comprometida, permitindo a ele caminhar e mover as patas posteriores normalmente.
  • Manter baixo peso: a obesidade contribui para o aumento da dor e incapacidade de locomoção do cachorro. O controle da dieta e do peso ideal evitam sofrimento e complicações resultantes da displasia.
  • Exercício físico moderado: o fortalecimento da musculatura tem efeito benéfico no tratamento. São indicados exercícios repetitivos de baixo impacto.

Prevenção

Evitar a reprodução de cachorros com a doença. A Federação Cinológica Internacional estabeleceu a seguinte classificação para o grau de displasia presente no cão:

  • A (Normal) – livre de displasia de quadril.
  • B (Transição) – pequenos indícios.
  • C (Leve) – displasia leve.
  • D (Média) – displasia média.
  • E (Grave) – displasia de quadril grave.

Recomenda-se que os animais com as displasias graus C, D e E não se reproduzam. Ao adquirir um filhote de raça predisposta, é importante exigir os exames para displasia dos pais e avós para minimizar a reprodução de cães afetados.

Seguem outras formas de prevenção:

  • Monitorar a regularidade da velocidade de crescimento do cão, proporcionando dieta e rotina de exercícios físicos condizentes com sua raça e necessidades.
  • Manter o animal no peso ideal, evitando a obesidade.
  • Evitar atividades físicas de impacto e em piso escorregadio.
  • Natação: proporciona flexibilidade nas articulações.
  • Condroprotetores: suplementos nutricionais à base de sulfato de condroitina e glucosamina. O medicamento previne a osteoartrite que inflama a articulação, causando dor e perda de movimentos.

Fatores de risco

A displasia de quadril pode afetar qualquer cão, mas tem incidência maior em raças de grande porte como:

  • Pastor Alemão;
  • Rottweiler;
  • Labrador Retriever;
  • Boiadeiro Bernês;
  • Border Terrier;
  • Bulldogs Americano, Francês e Inglês;
  • Galgo Italiano;
  • Golden Retriever;
  • Husky Siberiano;
  • Mastim Espanhol e Napolitano;
  • Pastor Belga;
  • São Bernardo;
  • Whippet.

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