Menina em consultório médico segurando as gorduras localizadas na região barriga. Isso é um dos sintomas da Dislipidemia na infância

Dra. Denise Brasileiro

A dislipidemia é um distúrbio caracterizado por níveis anormais de lipídios no sangue.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, diversos estudos mostram que este quadro pode surgir muito cedo, ainda na infância. Estima-se que, aos 20 anos, aproximadamente 20% das pessoas já terão algum grau de dislipidemia.

Os especialistas apontam como principal causa o estilo de vida moderno – caracterizado pelo sedentarismo e alto consumo de açúcar e carboidratos.

É essencial que a família tenha consciência de que um estilo de vida saudável deve ser cultivado desde cedo. Ainda mais importante que isso é saber que a adoção de hábitos saudáveis deve ser objetivo de toda a família. Afinal, a forma principal de aprendizado de uma criança é pelo exemplo que seus pais dão!

Nosso objetivo hoje é esclarecer tudo sobre a dislipidemia infantil para os papais e mamães e, com isso, orientá-los sobre como evitá-la da forma correta. Vamos lá?

O que você precisa saber sobre dislipidemia infantil

É praticamente impossível discutir a dislipidemia infantil sem associá-la à obesidade. Isso acontece porque, como o próprio nome sugere, esse distúrbio ocorre quando a criança apresenta altas concentrações de lipídios/lipoproteínas (popularmente conhecidos como gorduras) no sangue.

Aí vai um breve panorama da situação: os lipídios são moléculas orgânicas de extrema importância para a nossa saúde. Suas principais funções, no corpo humano, são:

  • formam as membranas de todas as células do organismo;
  • fornecem energia;
  • auxiliam na produção de hormônios sexuais (testosterona, progesterona e estrógeno) e da vitamina D;
  • realizam o transporte de vitaminas lipossolúveis (solúveis em gordura – são elas: A, D, E e K ).

Sua concentração em níveis regulares é essencial para o bom funcionamento do organismo.

Porém, quando em quantidade excessiva, os lipídios podem provocar uma série de complicações. Afinal, eles tendem a se acumular nos vasos sanguíneos, dificultando o transporte de sangue do coração para o corpo, com consequências graves

Tipos de dislipidemia:

Esse distúrbio pode ser dividido em duas categorias. São elas:

Dislipidemia primária

Causada por fatores genéticos. Se a família possui um histórico de alteração no metabolismo dos lipídios, é bastante provável que os herdeiros sofram do mesmo mal. Podem ocorre:

  • excesso de produção má eliminação de triglicerídeos e LDL (gorduras ruins);
  • deficiência ou eliminação excessiva de HDL (gordura boa).

Dislipidemia secundária

Provocada por fatores externos como:

  • estilo de vida sedentário;
  • ingestão excessiva de gordura saturada, colesterol e gorduras trans;
  • tabagismo;
  • uso excessivo de álcool;
  • diabetes mellitus;
  • doenças renais;
  • hipotireoidismo;
  • uso de medicamentos tiazídicos, betabloqueadores, retinóides, esteróides etc;
  • infecção pelo vírus HIV;
  • entre outros.

Dislipidemia e obesidade

Viu como a dislipidemia infantil pode ser relacionada à obesidade? Uma criança sedentária e com maus hábitos alimentares dificilmente conseguirá escapar de complicações ligadas ao sobrepeso e, consequentemente, a quadros precoces de doenças cardiovasculares (como a aterosclerose) e endócrinas (como a própria dislipidemia ou, ainda, o diabetes, por exemplo).

Diagnóstico das dislipidemias na infância

Nas crianças, está indicado medir o colesterol nas seguintes situações:

Crianças de 2 a 9 anos

Nessa idade a triagem não é obrigatória, sendo indicada apenas se a criança apresenta:

  • parentes de primeiro grau com história de doença cardiovascular precoce;
  • pais com colesterol elevado (maior que 240mg/dl);
  • portadores de diabetes, hipertensão e obesidade.
  • portadores de condições de risco como: doença renal crônica, síndrome nefrótica, HIV, doença de kawasaki, pós transplante cardíaco ou renal;
  • portadores de manifestações clínicas das dislipidemias: xantomas, arco corneano, pancreatite e xantelasma.

Crianças com mais de 9 anos

A partir dessa idade a triagem passa a ser universal e realizada periodicamente.

E quais os valores normais do colesterol e lipídios no sangue?

LIPÍDIOS DESEJÁVEIS LIMÍTROFES AUMENTADOS
Colesterol total <150 150-169 > ou = 170
Colesterol LDL <100 100-129 > ou = 130
Colesterol HDL >45 40-45
Colesterol não HDL <120 120-144 > ou = 145
Triglicérides <100 100-129 > ou = 130

(*) em MG/DL

E como solucionar este problema?

O primeiro passo será sempre a consulta com o pediatra. Nela, ele analisará o caso do seu pequeno e pedirá uma série de exames que poderão diagnosticar e classificar a obesidade e a dislipidemia.

A partir daí, o tratamento pode ser realizado de duas formas:

  • mudanças no estilo de vida: implementar uma dieta saudável para toda a família, com o foco na ingestão de verduras e legumes, proteínas e gorduras boas , e adição de exercícios físicos diários para normalizar o metabolismo do corpo.
  • medicamentos: em alguns casos, como o da dislipidemia primária, é preciso entrar com medicamentos que vão regularizar os níveis de gordura no sangue do paciente. Porém, ainda neste caso, a adequação do estilo de vida ainda se faz necessária, combinado?

A dislipidemia associada à obesidade é a forma mais comum na infância e pode estar associada a outras condições graves como diabetes, síndrome metabólica e doença gordurosa do fígado.

Se seu filho está acima do peso, consulte o pediatra e inicie o tratamento o mais rápido possível! Alterações como essas, na infância, podem ter sérias consequências na vida adulta.

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