Disfunção cognitiva canina: demência em cães

Com demência, cachorro triste olha pra trás no colo do dono

Um cão idoso pode sofrer alterações de comportamento como irritabilidade, desorientação e confusão. Muitas vezes, isso indica o quadro de disfunção cognitiva canina (DCC), que representa a demência nos cães. Isso ocorre devido a alterações cerebrais que afetam a memória, o aprendizado e a compreensão.

Portanto, não devemos ignorar estes sintomas ou atribuí-los apenas à senilidade. Em muitos casos, o tratamento para a DCC pode melhorar, inclusive, o quadro e a qualidade de vida destes.

Afinal: quais são os sinais de demência em cães?

Os sinais da disfunção cognitiva canina podem ser divididos em cinco grupos:

Desorientação

  • Procura uma porta no local errado;
  • choca-se com objetos e mobília;
  • perambula pela casa como se estivesse perdido;
  • pede para sair e, uma vez do lado de fora, volta para casa como se não soubesse porque estava lá fora;
  • anda em círculos;
  • fica preso em um canto, sem saber como sair, às vezes pressionando a cabeça contra a parede;
  • late para objetos ou plantas;
  • não encontra as vasilhas de água e comida.

Alteração nas relações sociais

  • A interação com humanos e outros animais diminui;
  • demonstra mais irritabilidade e agressividade com outros pets e familiares;
  • não responde a comandos que antes conhecia;
  • perde o interesse pelas brincadeiras;
  • passar horas olhando para o vazio.

Alteração no padrão de sono e vigília

  • Dormem o dia todo e ficam agitados no período noturno;
  • vocaliza e perambula pela casa durante a noite.

Alteração nos hábitos treinados

  • O cão antes treinado agora tem “acidentes”, fazendo suas necessidades pela casa;
  • faz suas necessidades em locais incomuns durante o passeio, como em áreas cimentadas.

Nível de atividade

  • Diminuição dos níveis de atividade;
  • perda do interesse na comida;
  • lentidão para obedecer aos comandos;
  • comportamentos repetitivos.

Sinais de ansiedade

Além dos sinais clássicos de demência canina citados, a ansiedade é frequente. Ela pode ser uma exacerbação de um quadro anterior ou surgir com o envelhecimento. É comum observar:

Quer dizer que um cachorro pode ter Alzheimer?

As alterações degenerativas observadas no cérebro de cães com disfunção cognitiva canina são semelhantes àquelas notadas em pacientes humanos na fase inicial do Alzheimer.

Os sinais podem começar a partir dos 6 anos de idade, mas se tornam mais evidentes a partir de 11. Aproximadamente 28% dos cães acima de 11 anos, e 68% dos cães acima de 15 anos apresentam sinais de DCC. O risco da doença é maior em fêmeas castradas, porém não existe diferença na prevalência em relação à raça.

O que causa o Alzheimer canino?

Como no Alzheimer humano, as causas são desconhecidas. Por isso, observam-se alterações físicas e químicas no cérebro como, por exemplo: acúmulo de proteínas, formação de placas amiloides e deficiência de dopamina.

Diagnóstico de demência em cães

Um cão mostrando sinais de disfunção cognitiva deve ser avaliado por um veterinário para que sejam excluídos outros problemas de saúde como, por exemplo:

O veterinário irá realizar um exame neurológico completo e poderá pedir exames laboratoriais e de imagem para excluir outras possíveis causas. Além disso, um questionário também pode ser aplicado para avaliação das mudanças de comportamento que são observadas em casa.

Questionário para avaliar presença da disfunção cognitiva em cães

Se você desconfia que seu cãozinho pode estar com DCC, imprima esse questionário e, ao longo das próximas duas semanas, anote as datas em que os eventos listados ocorrerem. Depois, agende uma consulta com um veterinário especializado e leve com você as anotações. Isso irá facilitar muito o diagnóstico!

Comportamento Data Data Data Data
DESORIENTAÇÃO
Aparenta estar confuso em ambiente familiar        
Não reconhece pessoas e animais        
Resposta anormal a objetos conhecidos        
Dificuldade em realizar tarefas previamente aprendidas        
Dificuldade em aprender novas tarefas        
Fica preso em cantos ou atrás de móveis        
Fica olhando para as paredes ou para o vazio        
Dificuldade em encontrar a porta        
Dificuldade em achar a vasilha de comida        
Não responde a comandos verbais        
INTERAÇÕES SOCIAIS
Mudança nas interações com pessoas e animais (recepção, brincadeira, carinho)        
Não responde como antes aos familiares        
Menos afeição e interação com os familiares        
Mudança na forma de explorar o ambiente        
Irritabilidade aumentada        
Agressividade aumentada        
Intolerância a ficar sozinho        
CICLO SONO-VIGÍLIA
Dorme mais no geral        
Dorme menos à noite        
Comportamentos noturnos anormais (vocalização, perambulação, inquietação)        
HÁBITOS TREINADOS
Elimina fezes e urina no local de dormir        
Não sinaliza mais que quer sair        
Elimina fezes e urina em casa após passeio        
Elimina fezes e urina em locais incomuns durante o passeio (cimento)        
ATIVIDADE
Perambulação e inquietação        
Diminuição dos níveis de atividade        
Perda de interesse na comida        
Lentidão em obedecer aos comandos        
Comportamentos repetitivos        

Baixe o questionário em PDF.

A demência em cães tem cura?

Não existe cura para a demência em cães e ela tende a progredir com o tempo. Em outras palavras, os tratamentos são indicados com a intenção de retardar essa evolução e atenuar os sinais clínicos.

O medicamento mais utilizado para tratar a demência canina é a selegilina, porém ela não é eficaz em todos os casos. Alguns efeitos colaterais são: agitação, confusão, vômitos e diarreia.

Alguns cuidados são importantes para manter a qualidade de vida e conforto do animal, como:

  • alimentação apropriada para a espécie, balanceada e rica em ômega 3;
  • manter uma rotina de brincadeiras que proporcionem estímulo mental e cognitivo, e favoreçam a interação com o tutor (enriquecimento ambiental);
  • alimentá-lo em horários regulares;
  • manter uma rotina diária de exercícios, com passeios curtos;
  • manter um peso saudável;
  • manter uma boa saúde bucal;
  • insistir em ensinar os comandos e rotinas básicas de higiene, porém, manter as ordens simples;
  • fornecer mais áreas para que o cão possa se aliviar, mesmo dentro de casa;
  • não gritar ou ser agressivo com o cão quando ele tiver um acidente;
  • não deixar o animal sozinho por longos períodos de tempo;
  • evitar mudar os móveis, a cama e as vasilhas do cão de lugar;
  • proporcionar ao cão idoso um local para descansar que seja isolado de crianças e outros pets;
  • suplementação com nutracêuticos e antioxidantes, S-Adenosil-Metionina, fosfatidilserina, ginkgo biloba, resveratrol, piridoxina, vitamina E e melatonina, de acordo com a orientação do veterinário.

Por fim, se seu cão apresenta alterações de comportamento, procure o veterinário responsável. O diagnóstico precoce de demência em cães é importante para se tentar retardar o processo da doença e oferecer a melhor qualidade de vida possível para o animal.

 

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Medicina Veterinária

10 Comments

  • Tenho dois yorks, sendo uma femea com 4 e um macho com 12.

    O macho começou a perder a visão ha uns 8 meses e hoje ja não enxerga. Até então ele se orientava pelo cheiro. Mas de uns 3 meses para cá percebi que ele começou com um estranho comportamento de ficar rodando e girando no próprio lugar. Ele começa a rodar e não para mais.

    Acontece que ele tem problema intestinal então todos os cocos dele são meio moles, mesmo comendo a ração medicamentosa. Mas como ele começou a rodar no proprio eixo, começou a pisar no coco até quase fundir a bosta no chão. O pior é que depois ele volta pra cama dele e suja tudo, depois entra na da outra e suja também. Isso está me deixando maluca!!

    Fora que ele se tornou agressivo comigo e apenas comigo.

    • Oi Lilian, tudo bem? Gostaríamos de dizer que sentimos muito pelo diagnóstico do seus cachorros. Só quem é tutor sabe o quanto esses momentos são complicados, né? Torcemos para que, com a ajuda do veterinário deles, vocês consigam dar qualidade de vida para eles. Um abraço.

  • Olá boa noite .
    Tenho uma Lhasa Apso e notei esses dias que ela não está muito bem .
    Ela já está com 16 anos e me parte o coração com o que acabei de ler.
    Ela não é minha na verdade é do meu atual marido e cuido dela de 2 anos p cá .
    Semana passada ela começou sangrar ( menstruar) novamente, porém já dura 13 dias .
    Notei sintomas de urina frequente como se estivesse com infecção urinária pois vai a todo mundo no “shito” ( em japonês para fraudas ) .
    Agora a pouco notei que ela tem andado em círculos . Vou levar o material de urina amanhã p fazer o exame . Mais já notei aqui pela matéria q realmente deve ser demência !!!!
    Que triste , não consigo pensar nisso sem lacrimejar !!
    Moro no Japão e aqui é muito precário o atendimento. Mais vou torcer p que eu possa me surpreender .
    Muito obrigado por todas as informações!!!

    • Olá Anne Silva. É de cortar o coração ler esse seu relato. Esperamos que dê tudo certo e ficamos felizes por ter ajudado de alguma forma. Um abraço e até a próxima.

  • minha poodle tem 18 anos e esta sofrendo com a idade .ainda esta com infecso urinaria mas esta em tratamento e ceguinha e surda e esta com todos os comportamento de um humano com Alzheimer.esrou preocupada que.nao bebe agua.mas.esrou dando frutas .Danone yakult .e papinha com legumes e frangos.voces tem mais.alguma ideia do que eu posso dar.para ela.

    • Olá, Inacia. Aconselhamos que você procure um veterinário especialista em nutrição. Ele indicará a dieta ideal para o seu cão. Ele analisará toda a situação e as condições do seu peludo e saberá o que fazer. Um abraço e até a próxima.

  • Minha spitz tem quase 14 a. Sempre foi uma
    lady maravilhosa e sempre gostou de andar
    De uns tempos para cá, aprecia a ideia de passear porém ao chegar na rua já abaixa o
    Rabo e fica muito assustada o que aumenta
    com ruído de carros e motos. Costumada
    desde pequena a andar na praça de meu bairro , dava até 10 a 11 voltas, hoje estranha
    e o máximo q consigo levá-la é uma volta
    Outros sinais q vc apontou, só apresenta
    um pouco de perambulação a noite
    Será DCC?
    Muito obrigada!!!!

    • Olá, Maria Lúcia. Aconselhamos que você leve sua Spitz em um veterinário. Ele irá analisar o caso dela e fará o diagnóstico correto. Um abraço e até a próxima.

  • Tenho um cão que está indo para 21 anos..Ele está com todos esses si tomas..sem e numa qualidade de vida..usa fralda..cego…cai várias vezes..não consegue mais se levantar sozinho…fica fora do e fica preso em pequenos caos.. O que devo fazer?

    • Olá, Maria. Tudo bem?

      Sentimos muito pelo que você está passando com o seu cachorro. O que podemos dizer nessa situação é que você procure um veterinário para que, juntos, possam pensar em formas de melhorar a qualidade de vida do seu peludo. Mas, saiba que o mais importante é você dar todo o amor que puder para ele.

      Um abraço e até a próxima.

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