Autismo: 5 dicas para um sono melhor

Menina com autismo dormindo abraçada ao seu ursinho de pelúcia

Você já parou para pensar na importância do sono para a saúde? Pois saiba que ele tem uma função essencial: restaurar o cérebro e eliminar as toxinas acumuladas nos tecidos.
Além disso, tudo o que aprendemos ao longo do dia é organizado e armazenado na memória durante o sono. Sendo assim, não é de se admirar o quanto ele é necessário para que todas essas funções neurológicas aconteçam!
O problema é que temos visto cada vez mais crianças com dificuldades para dormir. Em pacientes com autismo, problemas dessa natureza são ainda mais frequentes.
Pesquisas mostram que 40% a 80% das crianças com autismo têm, também, transtorno do sono associado. Pensando nisso, separamos o artigo de hoje para conversarmos sobre alguns dos quadros mais comuns relacionados à falta de descanso e por que eles acontecem.
Vamos lá?

Problemas relacionados ao sono:

Em crianças com TEA, os problemas relacionados ao sono mais comuns são:

  • padrões irregulares de sono e vigília – por exemplo, ficar acordado até muito tarde ou acordar muito cedo pela manhã;
  • dormir menos do que o esperado para a idade, ou ficando acordado por mais de uma hora durante a noite;
  • levantar e brincar, ou fazer barulhos por algumas horas durante a noite;
  • sonolência excessiva durante o dia.

Por que as crianças com autismo têm mais dificuldade para dormir bem?

Algumas pesquisas apontam que, em média, os pequenos com autismo dormem 40 minutos a menos do que as outras crianças da mesma idade. A longo prazo, esse déficit de sono traz prejuízos expressivos.

Ainda não se sabe ao certo o motivo da dificuldade para dormir, mas algumas hipóteses já foram levantadas:

  • dificuldade para se encaixar em padrões e costumes sociais: desde muito cedo, as pessoas sabem quando é a hora de dormir, principalmente em função dos ritmos circadianos do corpo. Porém, elas também usam os padrões e dicas sociais para isso. Por exemplo: as crianças reparam seus familiares se preparando para dormir, acordam com todos da casa, ingressam em uma rotina geral e por aí vai. Dependendo da situação, os pequenos com autismo podem interpretar mal esses comportamentos ou não assimilarem bem essas “pistas sociais”.
  • alteração da produção de melatonina: a melatonina, hormônio responsável por regular nosso sono, começa a ser liberada após o anoitecer. Alguns estudos, entretanto, têm mostrado que uma parcela das crianças com autismo não libera a melatonina nos horários “corretos”. Em vez disso, elas têm níveis mais altos desse hormônio durante o dia.
  • estímulos externos: enquanto a maioria das crianças continua a dormir profundamente quando os pais abrem a porta, colocam mais uma coberta nos filhos, conversam na sala etc, o pequeno com TEA tem os sentidos mais “aguçados”, despertando ao menor estímulo.
  • ansiedade: as crianças com o autismo geralmente apresentam níveis de ansiedade mais elevados do que as crianças neurotípicas, o que resulta em maior agitação.

E por que a falta de sono pode ser nociva aos pequenos?

Dormir mal pode ter um impacto sério não só na vida de um pequeno com autismo, mas sim na de qualquer pessoa. Uma série de pesquisas mostraram que, em crianças com TEA, há uma conexão entre a falta de sono e as seguintes características:

  • agressividade;
  • depressão;
  • hiperatividade;
  • problemas comportamentais;
  • irritabilidade;
  • dificuldade de aprendizagem;
  • baixo desempenho cognitivo.

Como saber se meu filho está com problemas para dormir?

A quantidade de horas que precisamos para dormir varia de acordo com a idade. Aí vão os parâmetros para as crianças:

  • 1 a 3 anos: 12 a 14 horas de sono por dia (incluindo os cochilos);
  • 3 a 6 anos: 10 a 12 horas de sono por dia;
  • 7 a 12 anos: 10 a 11 horas de sono por dia.

Se o seu pequeno tem dificuldade para adormecer, possui um sono muito leve e, frequentemente, não consegue completar os valores de referência acima, é possível que ele esteja passando por alguns problemas para descansar bem durante a noite.
Para ter certeza, marque uma consulta com o médico que o acompanha. É importante verificar se existem alterações físicas causando o problema como, por exemplo, níveis alterados de melatonina. O médico irá determinar se há necessidade de medicação.

Agora sim: 5 dicas para fazer o pequeno com TEA dormir bem

  1. Crie uma rotina

    A rotina é importante para que as crianças criem um padrão de comportamento, ajudando-as a organizarem o próprio tempo e a entenderem que a hora de dormir está chegando. Sendo assim, estabeleça um horário fixo para o sono do pequeno e, alguns minutos antes, faça tarefas prazerosas e relaxantes com ele.
    Você pode recorrer a um bom banho quentinho, um chá de cidreira, uma historinha, escutar músicas de ninar e por aí vai. O importante, aqui, é manter um padrão diário com as atividades que ele mais gosta e, na medida em que elas forem acabando, avise à criança que a hora de dormir está chegando. Se preciso, utilize um quadro de imagens durante todo o processo.

    Quadro de imagens

    Alguns pacientes com TEA possuem dificuldade para se comunicarem verbalmente. Sendo assim, uma ótima forma de apresentar as tarefas realizadas durante o dia (e à noite também, claro) é montar um quadro visual com várias ilustrações das ações que eles devem cumprir.

  2. Atenção à alimentação

    Alguns alimentos causam mais agitação na hora de dormir. Evite dar chocolate, bebidas com cafeína e refrigerantes para a criança no período noturno.

  3. Crie um ambiente favorável ao sono

    O quarto do pequeno deve ser confortável e aconchegante. E atenção à luminosidade! A criança com autismo possui alterações sensoriais que podem causar uma hipersensibilidade à luz. Mesmo as luzes noturnas, de baixa intensidade, podem estimular o cérebro e causar agitação.
    O ideal é que, desde bebê, a criança seja acostumada a dormir em um ambiente totalmente escuro. Se o seu filho dorme com alguma luz acesa, vá reduzindo gradativamente a sua intensidade até que ele se acostume à escuridão.

  4. Acostume a criança a dormir sozinha

    A própria presença de um dos pais no quarto pode ser um estímulo para que a criança queira ficar acordada. O ideal é ensinar os filhos a dormirem sozinhos.

  5. Limite o tempo de tela

    Aí vai uma dica valiosíssima não só para crianças com TEA, mas para todos nós: limite o uso de todas as telas da casa (televisões, celulares, tablets, computadores etc) duas horas antes de dormir. Assim, a produção de melatonina, que precisa do escuro para ser estimulada, acontece de um jeito mais fácil.

Enfim…

No mais, estabelecer uma boa rotina para dormir bem e acostumar o pequeno a ela pode ser desafiador, mas traz importantes benefícios.
É preciso lembrar de que um bom sono é essencial para que a saúde e disposição das crianças continue firme e forte. O segredo, então, é o seguinte: tenha paciência, não desista e, se for muito difícil, peça ajuda ao pediatra, combinado?
Descanse bem, e até a próxima!

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Psicologia

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