Mãe trocando a fralda de seu bebê

A chegada do bebê traz muita alegria mas, com ela, também podem surgir ansiedade e preocupação. Afinal, como entender todos os sinais deste ser tão frágil e, ao mesmo tempo, tão complexo?

Neste cenário, diarreia e desidratação são quadros que preocupam e tiram o sono das mamães. Mas fiquem tranquilas, há solução. Para começar, vamos entender melhor sobre o assunto?

O que é a diarreia?

A diarreia é o aumento do número de evacuações e perda de consistência das fezes. Elas ficam líquidas e frequentes, correspondendo a uma das principais causas de morbilidade e mortalidade em crianças com menos de cinco anos de idade, principalmente em regiões pobres de recursos.

Ela corresponde, também, a um distúrbio gastrointestinal que resulta na alteração do transporte de água e sais para o corpo, o que vai impede os órgãos de realizarem suas funções normais.

Quando em maior frequência, ela diarreia costuma durar de 3 a 7 dias. Quando seguida de vômito e perdurar por mais de 24 horas, é importante procurar o médico.

A diarreia pode ser classificada em:

Aguda: geralmente não ultrapassa sete dias, mas pode chegar até 14. É facilmente tratada e, também, o tipo mais comum.

Persistente: duração maior que 14 dias.

Crônica: tempo superior a 30 dias.

Por que é preciso ficar alerta?

A desidratação é uma das consequências mais sérias da diarreia. Com a perda de muito líquido pelas fezes, bebês e crianças pequenas desidratam em pouco tempo.
Se não forem assistidas, pode ser necessária uma hidratação por via venosa com internação hospitalar, podendo levar ao coma e até mesmo à morte. Desnutrição, atraso no desenvolvimento do peso e estatura, e retardo do desenvolvimento intelectual também estão na lista das possíveis complicações.
Um estudo publicado na revista científica The Lancet (‘Global burden of childhood diarrhea and interventions’) cita que grande parte das mortes relacionadas à diarreia ocorrem nos primeiros 2 anos de vida (72%), destacando a importância da intervenção neste período. Podem ocorrer picos de incidência de diarréia na idade 6 a 11 meses, que depois diminuem com o tempo.

Quais são os fatores de risco para a diarreia?

  • Falta de recursos e higiene – saneamento básico precário;
  • Ingerir água ou alimentos contaminados com fezes humanas ou de animais;
  • Infecções virais, bacterianas, parasitárias;
  • Desnutrição;
  • Falta de amamentação;
  • Desmame precoce;
  • Uso indiscriminado de antibióticos;
  • Complemento alimentar inadequado para menores de seis meses;
  • Deficiência de zinco e vitamina A.
  • De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os seguintes agentes infecciosos são os que causam a maior parte dos quadros da diarreia aguda:

    Vírus: rotavírus, coronavírus, adenovírus, calicivírus (em especial o norovírus) e astrovírus.

    Bactérias: E. coli enteropatogênica clássica, E. coli enterotoxigenica, E. coli enterohemorrágica, E. coli enteroinvasiva, E. coli enteroagregativa 18, Aeromonas, Pleisiomonas, Salmonella, Shigella, Campylobacter jejuni, Vibrio cholerae, Yersinia.

    Parasitas: Entamoeba histolytica, Giardia lamblia, Cryptosporidium, Isosopora.

    Fungos: Candida albicans.

    Quais são os sinais de que o bebê sofre de desidratação?

    1. As lágrimas podem não parecer na hora do choro;
    2. Boca seca com saliva viscosa;
    3. Pele ressecada;
    4. Urina diminui;
    5. Olhos fundos;
    6. A parte mole na cabeça do bebê, moleira, fica funda;
    7. Dobra na pele da barriga. Se puxar a pele por alguns segundos, ela demora a voltar;
    8. Pulso fraco;
    9. Criança muito quieta, diferente, apática;
    10. Pressão arterial abaixo do normal e aumento da frequência cardíaca;
    11. O diagnóstico é feito pelo exame físico e avaliação dos sintomas (vômitos, febre, dor abdominal, náuseas) pelo pediatra. Em alguns casos, o especialista pode solicitar exames laboratoriais.

    O que fazer?

    • No caso da diarreia que resulta em desidratação, é preciso a hidratação imediata. Nos casos mais simples, isso pode ser feito por meio do soro caseiro e muito líquido;
    • O soro endovenoso é indicado nos casos graves e mediante vômito após a ingestão de líquidos;
    • Também são indicados alimentação leve e repouso. Para os lactantes, o aleitamento materno é um importante fator de proteção;
    • Consumir bastante líquido, após cada evacuação. A quantidade recomendada pela SBP é de:
      • menores de 1 ano – 50-100 ml;
      • de 1 a 10 anos – 100-200 ml;
      • maiores de 10 anos – a quantidade que o paciente aceitar.
    • Trocar refeições mais pesadas por pequenas ao longo do dia, dando preferência às sopas;
    • Alimentos ricos em potássio como banana, batata e maçã também são indicados;
    • Alimentos como frituras, leite, iogurtes e doces devem ser evitados. Há alimentos que são muito perigosos. Veja quais são eles clicando aqui.

    O pediatra também pode orientar para a necessidade de:

    • Uso de antibióticos, no caso de diarreia por bactérias;
    • Medicamentos que auxiliam no restabelecimento da flora intestinal da criança.

    Como preparar o soro caseiro?

    Para preparar 200 ml da solução é necessário utilizar:

    • 2 medidas rasas de açúcar, do lado maior da colher padrão;
    • 1 medida rasa de sal, do lado menor da colher padrão;
    • 1 copo (200 ml) de água filtrada.

    Misture tudo e ofereça para a criança várias vezes, principalmente mediante ao vômito e à evacuação. O composto dura adequadamente apenas 24 horas. Como contém açúcar, os diabéticos não devem fazer uso. Para os demais, não há restrição.

    Quem não quiser preparar o composto pode buscar pelos sais de reidratação nas farmácias. O aleitamento materno deve ser mantido e incentivado durante todo o período em que a diarreia se faz presente.

    A importância da vacina

    Um dos vírus causadores da diarreia é o rotavírus. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece para menores de 1 ano uma vacina para combatê-lo. São necessárias duas doses. A primeira deve ser tomada entre 1,5 mês e 14 semanas, e a segunda entre 14 semanas e 5,5 meses, com intervalo mínimo entre elas de 30 dias.

    Vale ressaltar que as vacinas são muito importantes e o calendário deve ser seguido com rigor.

    Outra medida importante que conta com a ajuda do SUS é a distribuição do hipoclorito de sódio a 2,5%, que pode ser solicitado gratuitamente nos postos de saúde. Ele deve ser utilizado se a água para beber não for potável e não for possível tratá-la por fervura. Neste caso, basta pingar duas gotas da substância para cada litro, deixar agir por 30 minutos e armazenar adequadamente em utensílio limpo.

    A medida pode parecer longe da realidade de muitas pessoas mas, segundo o Ministério da Saúde, são de grande importância para impedir a diarreia e a gastroenterite de origem infecciosa presumível.

    Hora de evitar a diarreia e a desidratação infantil

    As seguintes medidas, quando adotadas no dia a dia, ajudam a evitar problemas de saúde:

  • Lavar bem os alimentos;
  • Cozinhar adequadamente carnes e legumes;
  • Desinfetar superfícies, utensílios e equipamentos antes da preparação da comida;
  • Eliminar insetos do ambiente;
  • Dar descarga com a tampa do vaso sanitário fechada;
  • Manter o lixo tampado;
  • Manter uma alimentação saudável;
  • Consumir água e sucos;
  • Priorizar a amamentação dos bebês.
  • O Convite à Saúde conta com a contribuição da pediatra Túlia Fadel. Para ler mais conteúdos como esse, fique de olho em nosso Blog e siga nossos perfis nas redes sociais (Facebook e Instagram)!