Diagnóstico da COVID-19: entenda os testes disponíveis

Dra. Adriana Bonfioli

A pandemia causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), originada no final do ano de 2019 em Wuhan, na China, continua a se disseminar com rapidez pelo mundo.

A doença, denominada COVID-19, causa quadros que variam desde um resfriado comum até uma síndrome respiratória grave e potencialmente fatal. Para complicar ainda mais a situação, muitas pessoas infectadas pelo vírus permanecem assintomáticas, porém ainda podem transmitir a doença.

O isolamento social foi a principal medida adotada no mundo para conter a disseminação do coronavírus. O principal objetivo desta estratégia é evitar que muitas pessoas fiquem doentes simultaneamente, o que poderia causar um colapso no sistema de saúde.

Porém, é impossível sustentar a situação de isolamento por meses a fio, por motivos diversos. Ainda sem uma vacina ou tratamento eficaz, permitir que as pessoas transitem normalmente pelas ruas, retomem as suas atividades e voltem a interagir socialmente significa que a contaminação irá ocorrer e muitas delas ficarão doentes.

Agora, mais do que nunca, os exames diagnósticos para a COVID-19 se fazem essenciais. A detecção precoce dos infectados é crítica para que seja feito o isolamento deste indivíduo e dos seus contatos, contendo aquele foco de disseminação da doença.

Nesse contexto, é importante entender que nem todas as pessoas devem ser testadas. Existem indicações específicas e tipos de testes mais apropriados para cada caso e é sobre isso que vamos conversar agora.

Tipos de testes diagnósticos para a COVID-19

Existem três tipos de testes para detectar o novo coronavírus:

Testes virais RT-PCR Detecta material genético do vírus.
Teste rápido molecular Detecta material genético do vírus.
Exames para antígenos Detecta proteínas virais
Testes sorológicos ELISA Detectam anticorpos IgM, IgA e IgG.
Imunofluorescência
Quimioluminescência
Testes rápidos Anticorpos Detectam IgM e Ig
Antígenos Detectam proteínas virais

Testes virais

Os testes virais analisam amostras de secreções respiratórias (coletadas por meio de um swab nasal ou oral) para detectar a presença do SARS-CoV-2.

Dentre os testes disponíveis, o mais utilizado e padrão ouro é o RT-PCR (Reverse Transcription Polymerase Chain Reaction).

Reação em cadeia da polimerase da transcrição reversa (RT-PCR)

O RT-PCR detecta o material genético do coronavírus em amostras de secreções respiratórias (raspado de nasofaringe) do paciente. Esse teste é considerado pela Organização mundial de Saúde como o “padrão-ouro” para o diagnóstico da COVID-19.

Ele pode ser realizado entre o 3º e 10º dia do início dos sintomas, quando um resultado positivo indica a presença do vírus e confirma a infecção.

Interpretação dos resultados do RT-PCR:

Resultado Interpretações
Positivo
  • Paciente infectado pelo vírus no momento.
Negativo
  • Ausência de infecção
  • Vírus não presente na amostra coletada (amostra insuficiente ou de qualidade ruim)
  • Existe infecção, mas ainda é muito cedo para detectar o vírus, que ainda não se replicou o suficiente.

Testes sorológicos

Os testes sorológicos são realizados em amostras de sangue e verificam a resposta do sistema imunológico do paciente. Eles conseguem detectar vários tipos de anticorpos produzidos pelo organismo contra o vírus.

Os primeiros tipos de anticorpos a surgir são IgM e IgA, em torno de 4 a 5 dias após a infecção.

Entre o oitavo e décimo dia, aparece o IgG, uma proteína específica que se liga mais fortemente ao vírus, eliminando-o com maior eficiência. Este tipo de anticorpo, inclusive, é o que fornece a imunidade definitiva a doenças, embora ainda não se saiba, na COVID-19, quanto tempo dura essa proteção.

Os testes sorológicos são indicados após o décimo dia do início dos sintomas. Porém, os resultados são mais confiáveis após 14 dias para o IgM e 19 dias para o IgG.

Interpretação dos resultados dos testes sorológicos na COVID-19:

Resultado Interpretações
Positivo
  • paciente teve contato com o SARS-CoV-2;
  • paciente teve COVID-19 e está se recuperando (ou está recuperado);
  • reação cruzada com outros coronavírus, Zika, dengue e fator reumatoide (falso positivo).
Negativo
  • ausência de infecção;
  • paciente foi recentemente infectado e os anticorpos ainda não são detectáveis;
  • os anticorpos estão presentes, porém não foram detectados pelo teste (falso negativo).

Quando pedir os testes diagnósticos

Fluxograma que mostra o aparecimento de anticorpos e antígenos ao logo do tempo
fonte: David Bichara

Interpretação dos resultados dos testes virais e sorológicos combinados

Todos os testes diagnósticos devem ser interpretados por um profissional médico capacitado. A partir dos resultados, todas as medidas serão tomadas para cuidar do paciente e prevenir a disseminação da doença.

Resultado Interpretações (*) Situação epidemiológica Medidas preventivas
Rt-PCR positivo + Sorológico não reagente
(IgM e/ou IgB)
Infecção ativa pelo coronavírus e janela imunológica (produção de anticorpos ainda não iniciou). Transmissão provável Isolamento social por 14 dias.
Rt-PCR positivo + Sorológico reagente (IgM e/ou IgB) Infecção ativa pelo coronavírus. Transmissão possível Isolamento social por 14 dias.
Rt-PCR negativo + IgM reagente e IgG reagente Infecção prévia pelo coronavírus ou infecção ativa com PCR falso negativo Transmissão possível Isolamento social por 14 dias.
Rt-PCR negativo + IgM reagente e IgG não reagente Fase inicial da doença, PCR falso negativo ou IgM falso positivo. Transmissão possível Isolamento social por 14 dias.
Rt-PCR negativo + IgM não reagente e IgG reagente Infecção prévia pelo coronavírus. Infecção prévia, não transmitindo. Ainda não se sabe se a imunidade contra o coronavírus é definitiva. Manter cuidados preventivos.
Rt-PCR negativo + IgM e IgB não reagentes Ausência de infecção recente ou passada Susceptível à infecção. Manter cuidados preventivos.

(*) Nenhum teste é 100% confiável, portanto, todos os resultados devem ser avaliados junto à clínica do paciente por um médico capacitado.

Testes rápidos para COVID-19: são confiáveis?

O teste rápido utiliza a técnica de imunocromatografia para detectar anticorpos contra o coronavírus. Apesar da grande vantagem do resultado quase imediato, os testes rápidos são menos confiáveis que as outras metodologias (baixa sensibilidade e especificidade).

Segundo o Ministério da Saúde, a chance de um resultado negativo estar errada é de 75%. Dessa forma, eles não são indicados como ferramenta para diagnóstico da COVID-19, pois uma pessoa com resultado negativo muitas vezes é portadora da doença. Os testes rápidos são mais utilizados para mapear a população “imunizada”.

Interpretação dos resultados dos testes rápidos na COVID-19:

Resultado Interpretações
Positivo
  • paciente teve contato com o SARS-CoV-2;
  • paciente teve COVID-19 e está se recuperando (ou está recuperado);
  • reação cruzada com outros coronavírus, Zika, dengue e fator reumatoide (falso positivo).
Negativo
  • ausência de infecção;
  • paciente foi recentemente infectado e os anticorpos ainda não são detectáveis;
  • os anticorpos estão presentes, porém não foram detectados pelo teste (falso negativo).

O diagnóstico definitivo da infecção pelo novo coronavírus deve ser feito por meio do RT-PCR. Os testes rápidos são relevantes para determinar o status imunológico da população.

Consulte a lista de produtos aprovados para a ANVISA para testes rápidos da COVID-19 aqui.

IMPORTANTE:

Qualquer exame deve ser solicitado e interpretado por um médico. Quando um teste é realizado fora do momento adequado da doença ou sem contexto clínico, seu resultado pode gerar vários problemas. Em casos de falso negativo, por exemplo, a doença pode ser descartada incorretamente e medidas de isolamento podem ser reduzidas, gerando risco de contágio. No caso de um eventual falso positivo, tratamentos podem ser indicados de forma equivocada.

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