Bombinha de asma e estetoscópio em cima de uma mesa

Além de marcar o início do inverno, o dia 21 de junho é o Dia Nacional de Controle da Asma. A data é um alerta de como a doença pode se desenvolver ou se agravar durante o inverno, estação marcada pelas baixas temperaturas e pelo clima seco.

A asma atinge pessoas em todo o mundo: cerca de 235 milhões de pessoas sofrem com a doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao passo que 6,4 milhões de brasileiros têm asma, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Ministério da Saúde. Para o pneumologista Cláudio Lemos, o número de pessoas com asma no mundo vem crescendo e as mudanças climáticas são uma hipótese. “No inverno, há mais exacerbações, crises agudas da asma, ou seja, uma piora da inflamação das vias aéreas relacionada com o clima”, diz.

Segundo o especialista, a asma é uma doença inflamatória que reduz o diâmetro das vias aéreas, pelo espasmo da musculatura dos brônquios, causando edema da mucosa e aumento da produção de secreções e comprometendo a passagem do ar. “Para os asmáticos, o ato de inspirar é difícil e o de expirar mais ainda. Falta de ar, tosse crônica, chiado no peito ou desconforto ao respirar são alguns dos sintomas.”

Faixa etária

A asma pode acometer pessoas de todas as idades. Lemos explica que a cada quatro crianças que nascem com a doença, uma permanece com a enfermidade na idade adulta. “Por outro lado, há pessoas que manifestam os sintomas da asma na idade adulta e na terceira idade. A asma no idoso é mais grave.” Ele esclarece que, em muitos desses casos, as inflamações aconteceram anos antes e não foram diagnosticadas corretamente. “Com o passar do tempo, o quadro piora e os sintomas se tornam mais intensos. Outro fator que interfere é a reserva funcional pulmonar do idoso ser menor”, explica.

O perfil de cada paciente é outro fator que também interfere no desenvolvimento da asma. “Idosos asmáticos e obesos costumam sofrer com exacerbações mais frequentes”, diz. O médico ainda exemplifica que doenças cardiovasculares e diabetes podem comprometer o quadro asmático.

Qualidade de vida

Felizmente é possível ter asma e ter qualidade de vida. O pneumologista ressalta que há, inclusive, atletas de alta performance que são asmáticos. “Hoje existem opções terapêuticas muito eficazes no mercado, principalmente na forma inalatória, que se apresentam como a principal recomendação para o controle eficaz”.

Há, porém, segundo Lemos,  possibilidades de agentes coadjuvantes de uso oral que são utilizados em casos específicos, por serem anti-inflamatórios como, por exemplo, a classe dos antileucotrienos. “Os medicamentos antiasmáticos visam agir de forma a atuar na prevenção, controle e melhora da qualidade da vida do paciente, evitando o uso recorrente de apenas as medicações de resgate (sintomáticos) o que, infelizmente, é muito visto na prática clínica diária.” O pneumologista esclarece, ainda, que nos medicamentos de uso inalatório há a vantagem das baixas dosagens, na ordem de microgramas, que têm assim potencial baixo de provocar os indesejáveis efeitos colaterais comparativamente aos de uso oral. “Portanto, as medicações inalatórias são recomendadas como a melhor base e a primeira linha de tratamento. Hábitos e ações também são importantes”, conclui.

Veja algumas atitudes que podem aumentar a qualidade da sua saúde:

  • lavar bem as roupas de frio e cobertores antes de usá-los;
  • manter o ambiente doméstico higienizado, principalmente os quartos;
  • fazer a higienização doméstica com pano úmido e sem odores fortes;
  • dar preferência ao uso de aspirador de pó;
  • abolir o tabagismo;
  • evitar lugares com fumaça de cigarro e/ou lotados de pessoas;
  • ingerir bastante água e líquidos em geral;
  • praticar exercícios físicos com moderação, a exemplo da caminhada;
  • forrar colchões e travesseiros com materiais impermeáveis;
  • preferir cobertores, travesseiros e fronhas antialérgicos;
  • vacinar-se em dia contra a gripe e contra pneumonia;
  • evitar o uso de tapetes, cortinas e carpetes.