Médica vacinando uma menina que segura um urso de pelúcia

Dra Juliana Campos

E aí? Como anda a vacinação de seu filho? E a sua e de seus familiares? Muito se fala em vacinas, campanhas são desenhadas para o combate de doenças específicas. Você leva seu filho várias vezes á sala de vacina, mas já parou para pensar na importância deste ato, que muitas vezes fazemos no modo automático?

Ao vacinar seu filho você está cometendo um ato de amor e responsabilidade, não só no âmbito individual, mas com toda a sociedade. Isso porque ao imunizar seu filho, além dele ficar protegido, você cria uma barreira para aquele vírus ou bactéria. Quando grande parcela da população de certo local estiver imune a determinado antígeno, ele não será mais capaz de se reproduzir e a tendência é que desapareça.

Foi isso o que aconteceu com a varíola em todo o mundo, com a poliomielite e com o sarampo (até recentemente) no Brasil. E isso não é maravilhoso? Imagina se pudéssemos fazer isso com todas as doenças evitáveis por vacinas? Estaríamos livres de tanta coisa não é mesmo?

Porém, temos que ter em mente que, mesmo nos casos em que as doenças ficaram controladas ou sumidas, não podemos relaxar e deixar de vacinar, pois vivemos em um mundo globalizado, temos contato o tempo todo (mesmo que não diretamente) com pessoas de outras regiões onde a doença ainda não foi controlada.

Foi o que aconteceu com o sarampo, que chegou através da Região Norte, por meio do atual e intenso fluxo de imigrantes. Possivelmente, isso aconteceu porque, com o desaparecimento do sarampo em território nacional, as pessoas passaram a se despreocupar com a vacinação, provavelmente porque as novas gerações não conhecem os riscos do sarampo. Dessa forma, criou-se um bolsão, uma área onde havia um grande número de pessoas desprotegidas e passíveis de serem contaminadas pelo vírus importado. Dessa forma, o vírus do sarampo encontrou um meio de propagar-se pelo Brasil criando um surto de uma doença que há muito estávamos desacostumados. Esse exemplo é excelente para refletirmos na importância do ato de vacinar.

Nos últimos anos têm surgido e ganhado força inúmeros movimentos antivacinas, com argumentos questionáveis. Vamos tentar rebater alguns deles?

As vacinas contêm compostos tóxicos como mercúrio, alumínio, MSG, fenol, formaldeído e chumbo.

É verdade que estes compostos estão em algumas vacinas, mas em uma dose tão pequena, tão inferior ao nível que causaria toxicidade, que não há o que temer em utilizá-los. Eles estão lá por um motivo, quando injetamos a vacina ela contém partes do antígeno (vírus ou bactéria), ou mesmo o antígeno atenuado (enfraquecido), estes compostos causam uma inflamação que ajuda o organismo a perceber que deve combater algo naquele local, ou seja, servem para “recrutar” as células de defesa que acabam reconhecendo não só estes compostos, mas o antígeno da vacina, que é o que causará o efeito protetor contra a doença. Se estes compostos não estivessem lá, provavelmente a vacina “passaria batida pelo organismo” e não poderia fazer seu efeito.

Você está injetando em seu organismo um vírus, ou bactéria que vai lhe fazer mal.

Como já mencionamos, quando a vacina contém um vírus inteiro ele é atenuado, enfraquecido a tal ponto que não é capaz de produzir a doença. Porém o organismo continua apto a identificá-lo e combatê-lo, fazendo uma espécie de memória que o ajudará a controlar uma possível infecção pelo vírus selvagem (o que pegamos no ambiente) de uma forma rápida e eficiente, de forma que ele não possa fazer mal ao indivíduo. Além disso, a maioria das vacinas contém apenas partes dos vírus e bactérias, isso significa que eles não podem causar a doença de forma alguma, um exemplo é a vacina da gripe. Muito se fala: “fiquei gripado depois que tomei a vacina”, pode até acontecer, mas de forma nenhuma esta gripe foi causada pela vacina. Acontece que temos mais de 200 tipos de vírus que podem causar sintomas semelhantes a uma gripe, e na vacina temos apenas 3 ou 4 deles. Portanto, esse indivíduo pegou outro vírus que não estava contido na vacina. Então não precisa vacinar? Precisa sim, porque aqueles 3 ou 4 vírus que estão lá podem causar infecções mais graves, portanto é uma boa prevenir.

Você pode causar uma sobrecarga no organismo ao injetar várias vacinas.

Este argumento não se aplica, uma vez que nosso sistema imunológico é treinado para entrar em contato com diversos antígenos por dia! Estamos em contato com milhões de vírus, bactérias e fungos diariamente, 24 horas por dia. Eles estão em todos os lugares, no ônibus, no corrimão, no chão, nos alimentos e até mesmo em nossa própria pele. Nosso intestino é habitado por milhares deles e nem por isso nosso corpo não dá conta do recado. As vacinas combinadas ou aplicadas no mesmo dia facilitam a vida dos pais e dos pequenos porque evitam algumas picadas a mais e algumas idas á sala de vacina.

As vacinas podem causar autismo.

Isso é uma inverdade, houve um estudo inglês que relacionou as vacinas ao autismo, porém foi descoberto que era um estudo forjado, falso, que só serviu para confundir a população e causar pânico. Portanto não! Vacinas não causam autismo. Elas te protegem contra doenças fatais ou de sequelas horríveis que te acompanharão pelo resto da vida.

As vacinas possuem efeitos colaterais, como febre, dor local e outros.

Isso é verdade, mas é mais verdade ainda, que é melhor apresentar uma febre, ou uma dor local do que ter sua vida ceifada ou carregar sequelas irreparáveis pelo resto da vida. O que é uma picada perto da perda daquele ente querido? Ou o que é uma febre em comparação ao enfrentamento de uma hospitalização, ou de uma surdez? Ou de uma paralisia? Não tem como comparar. Até mesmo efeitos colaterais mais graves e assustadores, que podem ocorrer se postos em uma balança geram menos risco para aquele individuo do que ele ficar exposto á doença. Portanto minha gente, a vacina é uma invenção maravilhosa, ajudou e ajuda a manter vivos e saudáveis milhões de pessoas.

Não vamos nos descuidar, lembre-se de que vacinar é um ato de amor! Vamos aproveitar e conferir nossa carteira de vacinação?