De costas, crianças de várias idades diferentes abraçadas da menor para a maior

Dra. Letícia Silveira

Conseguir entender e acompanhar as fases do desenvolvimento infantil é um dos maiores desafios dos pais. E saiba, comparar o seu filho com outras crianças não é um método confiável para isso!

Apesar de sabermos que cada criança é única e, por isso, tem o seu tempo de aprendizado e evolução, existem alguns marcos do desenvolvimento que são comuns a todos os pequenos durante fases específicas de suas vidas.

Pensando nisso, separamos o artigo de hoje para conversarmos sobre como ocorre o desenvolvimento infantil e quais são as suas referências. Vamos lá?

Como funciona o desenvolvimento infantil?

O desenvolvimento infantil, de acordo com o psicólogo Jean Piaget, pode ser dividido em 4 estágios:

  • sensório-motor (dos 0 aos 2 anos);
  • pré-operatório (2 aos 7);
  • operatório concreto (8 aos 12);
  • operatório formal (a partir dos 12).

Então… vamos por partes?

1. Estágio 1 (sensório-motor)

Entre os 0 e 2 anos, a criança começa a tomar consciência do seu corpo e, portanto, a entender algumas sensações e reproduzi alguns movimentos.

Então, nesse período, o bebê:

  • começa a agir, após o primeiro mês e meio de vida, por vontade própria e não apenas por reflexos;
  • começa a explorar e absorver informações sensoriais como os sons, a visão e o tato;
  • inicia um pequeno processo de comunicação por meio da vocalização (grunhidos, gritinhos, risadinhas etc);
  • consegue esticar os braços e executar essa ação com a intenção de alcançar algo;
  • segurar objetos;
  • desenvolve (a partir do 8º mês de vida) uma noção maior do espaço, entendendo que uma coisa/pessoa não desaparece quando sai do seu campo de visão;
  • começa a se locomover por meio das engatinhadas;
  • já é capaz (a partir dos 18 meses) de reproduzir e imitar algumas ações, e fazer associações a objetos e pessoas.

2. Estágios 2 (pré-operatório)

Vai dos 2 aos 7 anos de idade e é marcado por uma série de novidades como:

  • [entre os 2 e 3 anos] começar a andar;
  • [entre os 2 e 3 anos] ter, gradualmente, mais controle dos esfíncteres (conseguindo prender o xixi e o coco) e, consequentemente, começar a fase do desfralde;
  • [entre os 2 e 3 anos] desenvolver pequenas habilidades linguísticas, formular frases e aumentar o vocabulário;
  • [entre os 2 e 3 anos] ter mais consciência de si mesmo e suas vontades (entender o significado de “eu” e formular frases como “quero isso”, “não estou com fome” etc);
  • [por volta dos 3 anos] compreender conceitos que envolvem espaços, como “dentro”, “fora”, “em cima”, “embaixo” etc;
  • [por volta dos 3 anos] entender um pouco sobre como as etiquetas sociais funcionam, aplicando “por favor” e “obrigado”, por exemplo, no vocabulário;
  • [dos 3 aos 5 anos] ter maior atividade e coordenação motora (inclusive para vestir as próprias roupas, comer sozinha etc);
  • [dos 3 aos 5 anos] começar a entender o significado de “causa e efeito”;
  • [dos 3 aos 5 anos] começar a usar MUITO a imaginação e se torna cada vez mais curiosa;
  • [dos 4 aos 5] ter um vocabulário de aproximadamente 2.000 palavras;
  • [dos 4 aos 5] reconhecer e produzir ordens numéricas e alfabéticas;
  • [dos 4 aos 5] aprimorar a fala, usando bem as vogais e consoantes;
  • [dos 4 aos 5] vai começar a testar os seus limites e os de outras pessoas também, principalmente os pais;
  • [dos 5 aos 6] saber se vestir sozinha;
  • [dos 5 aos 6] cuidar da própria higiene com autonomia;
  • [dos 5 aos 6] conversar fluentemente, conjugando verbos, utilizando plurais etc;

3. Estágio 3 (operatório concreto)

Acontece dos 7 aos 12 anos e é caracterizada pelos seguintes marcos:

  • [dos 7 aos 12] entender conceitos abstratos como saudade, dor, amizade, afeto, tristeza, medo;
  • [dos 7 aos 12] desenvolver pensamentos e noções lógicas;
  • [dos 7 aos 12] entender o conceito de empatia.

3. Estágio 4 (operatório formal)

A partir dos 12 anos, o jovem já é capaz de entender conceitos e regras de convivência social e trabalhar conceitos matemáticos e de raciocínio lógico.

No quesito sociabilidade, espera-se que ele já tenha um círculo razoável de amigos e que, dentro dele, trabalhe a empatia, a generosidade e a coletividade.

E se o meu filho demorar/não conseguir cumprir todos os “pré-requisitos” de cada estágio do seu desenvolvimento?

Primeiramente: sem desesperos. Como já explicamos, cada um destes estágios serve, apenas, como referência. Um atraso ou outro, acredite, pode não ser nada.

Porém, por via das dúvidas, é sempre importante manter um diálogo com o pediatra e comunicá-lo dessas possíveis “demoras”, combinado?

Cuide-se, observe o pequeno bem de perto e até a próxima!

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