mosquito da dengue pousado e ao fundo um desfocado de cor amarelo

Adriana Bonfioli

A dengue é causada por um vírus transportado pelo mosquito Aedes aegypti.

Seu quadro clínico pode variar desde uma simples febre que desaparece sem tratamento, até complicações graves como hemorragia e morte.

O diagnóstico precoce é essencial para reduzir a mortalidade pela dengue. Não existe tratamento contra o vírus e são usados medicamentos como analgésicos e hidratação para mascarar os sintomas.

Transmissão da dengue

A dengue é um problema de saúde pública mundial, especialmente nas regiões tropicais e subtropicais. O vírus, no Brasil, é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, principalmente nas estações chuvosas.

O crescimento da população, urbanização não planejada e controle ineficiente do mosquito são as principais causas do aumento do número de casos nas últimas décadas.

Apresentação da dengue

Após a picada do mosquito, o vírus fica incubado e se multiplicando durante um período médio de 5 a 6 dias. A presença do vírus no sangue (viremia) resulta no início dos sintomas e, a partir deste momento, o hospedeiro passa a transmitir a doença se for picado pelo mosquito.

A dengue pode se apresentar de três formas:

1. Febre indiferenciada

Ocorrência de febre não acompanhada de outros sintomas, o que torna o diagnóstico difícil.

2. Dengue clássica

O quadro clássico da dengue apresenta febre alta, de início súbito, que dura de 3 a 7 dias, acompanhada de dores musculares e nas articulações, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, fraqueza, falta de apetite, vômitos, diarreia, vermelhidão (rash cutâneo) e coceira pelo corpo que podem, ou não, estar acompanhadas de pequenos pontos de hemorragia.

A doença dura entre 5 e 7 dias e os sintomas regridem lentamente.

3. Dengue hemorrágica

O quadro grave da dengue hemorrágica geralmente ocorre em uma segunda infecção, em que a resposta imune do hospedeiro é exacerbada.
Ocorre febre elevada e súbita, acompanhada de vermelhidão na pele e um aumento doloroso do fígado (hepatomegalia). A febre inicial dura de 2 a 7 dias e o paciente evolui para melhora ou para a fase hemorrágica, podendo apresentar os seguintes sinais:

  • petéquias: pequenos pontos avermelhados na pele ou nas mucosas, causados por um sangramento leve;
  • púrpura: múltiplas manchas e placas arroxeadas na pele ou nas mucosas;
  • equimose: mancha arroxeada causada por um sangramento abaixo da pele;
  • sangramento nasal, gengival ou de outras mucosas;
  • vômitos com sangue;
  • fezes com sangue.

A prova do laço, ou teste do torniquete, é um exame rápido que pode ser usado quando há suspeita de dengue para identificar se há fragilidade dos vasos sanguíneos.

Para este teste, utiliza-se um aparelho de pressão (esfigmomanômetro) colocado no braço e insuflado até o valor médio entre a pressão arterial máxima e mínima. Espera-se 5 minutos até retirar o aparelho e depois mais 2 minutos para que o sangue volte a circular no braço.

O aparecimento de pontos vermelhos indica fragilidade capilar e risco aumentado de dengue hemorrágica. A presença de mais de 20 petéquias em um quadrado desenhado na pele de 2,5 x 2,5cm é considerada um resultado fortemente positivo.

É importante destacar que a prova do laço pode dar resultados falsos em pessoas que usam aspirina, anticoagulantes, corticosteróides e em algumas outras situações.

O exame de sangue na dengue hemorrágica demonstra uma diminuição importante das plaquetas, células relacionadas aos mecanismos de coagulação.

4. Choque

Em casos graves de dengue hemorrágica, pode ocorrer um aumento da permeabilidade dos vasos que permite o extravasamento do plasma sanguíneo. A pressão arterial cai, o pulso fica instável, ocorre palidez e cianose (extremidades sem oxigênio ficam azuladas).

O choque pode levar à falência dos órgãos e à morte se não tratado.

Diagnóstico

Nas áreas endêmicas, principalmente nas épocas chuvosas, um paciente apresentando febre alta, dores no corpo, dor de cabeça e fraqueza, acompanhadas ou não dos outros sintomas, deve ser avaliado através dos seguintes exames laboratoriais:

  • Isolamento do vírus;
  • sorologia;
  • hemograma completo;
  • coagulograma;
  • função hepática.

Tratamento

Não existe tratamento específico, apenas sintomático e de suporte. São eles:

  • Hidratação oral e/ou venosa;
  • analgésicos e antitérmicos (paracetamol e dipirona)*;
  • transfusão sanguínea, nos casos hemorrágicos graves.

(*) Contraindicados os antiinflamatórios não esteróides e a aspirina em pacientes com suspeita de dengue.

Prevenção

O controle do mosquito é a principal forma de prevenção da dengue. Ele é feito por meio da eliminação de potenciais criadouros e do controle químico (durante as epidemias).

Aí vão algumas dicas que ajudam a impedir a propagação do mosquito:

  • descartar garrafas em local coberto, ou virá-la com a boca para baixo;
  • eliminar acúmulo de água nas lajes, calhas, coletores de água das geladeiras e aparelhos de ar condicionado, baldes e vasos vazios, pratinhos de plantas entre outros;
  • encher de areia os pratos das plantas;
  • manter vedadas caixas d’água, cisternas, poços e outros depósitos de água;
  • manter limpas as piscinas com cloro;
  • descartar corretamente lixo, entulho e pneus velhos;
  • manter as lixeiras tampadas e protegidas da chuva.

Vacina contra a dengue

A vacina contra a dengue disponível no mercado, Dengvaxia (Sanofi)*, está indicada apenas para os pacientes que já foram infectados pelo vírus previamente e têm o objetivo de prevenir formas graves da doença caso ocorra uma reinfecção.

São necessárias três doses e ela não está disponível na rede pública.

Em pacientes com sorologia negativa, que nunca foram infectados, a vacina não é recomendada pela Anvisa **. Estudos mostraram que os pacientes que eram negativos e foram vacinados desenvolveram formas mais graves da doença após contrair o vírus.

Então, quem deve tomar a vacina?

  • Pessoas com sorologia positiva para a dengue;
  • de 9 a 45 anos;
  • e moradores de áreas endêmicas.

O Instituto Butantan, em parceria com o NIH (national Institutes of Health) e outras entidades, desenvolveu uma nova vacina contra a dengue****, atualmente na fase final de ensaios clínicos.

Quando disponível, será necessária apenas uma dose para combater os quatro tipos de vírus da dengue.

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Fontes:

* http://www.vacinar.com.br/site/bulas/Dengvaxia_Bula_Paciente.pdf
** http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/vacina-dengue-esclarecimentos/219201
*** https://www.nih.gov/
**** http://www.butantan.gov.br/producao/dengue/Paginas/default.aspx

Bibliografia

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4784057/
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/dengue_aspecto_epidemiologicos_diagnostico_tratamento.pdf
http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/75303/9789241504034_eng.pdf;jsessionid=AD8C6A054B07CBA0D9A0AEADEEB25DA8?sequence=1