mosquito da dengue que chupou muito sangue pousado em pele humana e ao fundo um desfocado de cor verde

Dra. Isadora Saraiva

A dengue é causada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Seu quadro clínico pode variar desde uma simples febre, que desaparece sem tratamento, até complicações graves como hemorragia e morte. Algumas pessoas com infecção pelo vírus podem não ter qualquer sintoma.

O diagnóstico precoce é muito importante para reduzir a mortalidade pela dengue, pois não existe tratamento específico contra o vírus. Acompanhar um paciente desde o início da doença permite a identificação, prevenção e tratamento das possíveis complicações.

Afinal: como a dengue é transmitida?

A dengue é um problema de saúde pública mundial, especialmente nas regiões tropicais e subtropicais. O vírus, no Brasil, é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a febre amarela. Nas estações chuvosas, ocorre um aumento na quantidade de mosquitos circulando.

O crescimento da população,urbanização não planejada e controle ineficiente do mosquito da dengue são as principais causas do aumento do número de casos nas últimas décadas.

Existem quatro tipos de vírus da dengue. A infecção por um deles gera imunidade permanente contra aquele tipo e imunidade temporária contra os demais.

Apresentação da dengue

Após a picada do mosquito, o vírus fica incubado e se multiplicando durante um período médio de 5 a 6 dias. Após esse período, com o aumento do número de vírus circulando no sangue (viremia), inicia-se a fase sintomática da doença.

O período de transmissão vai desde 1 dia antes do início da febre até o 6º dia de sintomas, em média.

As formas sintomáticas da dengue são:

1. Febre indiferenciada

Ocorrência de febre não acompanhada de outros sintomas, o que pode tornar o diagnóstico mais difícil.

2. Dengue clássica

O quadro clássico da dengue apresenta febre alta, de início súbito, que dura de 3 a 7 dias, acompanhada de dores musculares e nas articulações, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, fraqueza, falta de apetite, vômitos, diarreia, manchas vermelhas no corpo (rash cutâneo) e coceira pelo corpo que podem, ou não, estar acompanhadas de pequenos pontos de hemorragia.

A doença dura entre 5 e 7 dias e os sintomas regridem lentamente. Na fase de convalescência, a pessoa pode sentir fraqueza por algumas semanas.

3. Dengue hemorrágica

A febre hemorrágica da dengue (FHD) parece estar relacionada com infecções subsequentes, em que a resposta imune do hospedeiro é exacerbada.

O quadro inicial é idêntico ao da dengue clássica, porém o paciente evolui para a forma mais grave em torno do 3º ou 4º dia, quando surgem novos sintomas:

  • petéquias: pequenos pontos avermelhados na pele ou nas mucosas, causados por um sangramento leve;
  • púrpuras: múltiplas manchas e placas arroxeadas na pele ou nas mucosas;
  • equimoses: mancha arroxeada causada por um sangramento abaixo da pele;
  • sangramentos nasal, gengival ou de outras mucosas;
  • dor abdominal intensa e contínua;
  • prostração e sonolência;
  • vômitos com ou sem sangue;
  • fezes com sangue.

A prova do laço, ou teste do torniquete, é um exame rápido que pode ser usado quando há suspeita de dengue para identificar se há fragilidade dos vasos sanguíneos e sinalizar possível evolução para forma hemorrágica do doença.

Para este teste, utiliza-se um aparelho de pressão (esfigmomanômetro) colocado no braço e insuflado até o valor médio entre a pressão arterial máxima e mínima. Espera-se 5 minutos até retirar o aparelho e depois mais 2 minutos para que o sangue volte a circular no braço.

O aparecimento de pontos vermelhos indica fragilidade capilar e risco aumentado de dengue hemorrágica. A presença de mais de 20 petéquias em um quadrado desenhado na pele de 2,5 x 2,5cm é considerada um resultado fortemente positivo.

É importante destacar que a prova do laço pode dar resultados falsos positivos em pessoas que usam aspirina, anticoagulantes ou corticosteróides. Além disso, podem ocorrer resultados falso negativos, mesmo em pacientes com FHD.

O exame de sangue na dengue hemorrágica demonstra uma diminuição importante das plaquetas, células relacionadas aos mecanismos de coagulação.

Choque

Nesta forma grave da dengue (FHD), pode ocorrer um aumento da permeabilidade dos vasos que permite o extravasamento do plasma sanguíneo. A pressão arterial cai, o pulso fica instável, ocorre palidez e cianose (extremidades sem oxigênio ficam azuladas). O choque pode levar à falência dos órgãos e à morte se não tratado.

Diagnóstico

Nas áreas endêmicas e em períodos de sazonalidade, o diagnóstico é clínico. Exames laboratoriais podem ser usados para auxiliar no diagnóstico diferencial, confirmar a suspeita clínica e identificar sinais de gravidade. São eles:

  • sorologia e isolamento viral;
  • hemograma completo;
  • coagulograma;
  • função hepática.

Tratamento

Infelizmente, não existe tratamento específico para a dengue, apenas sintomáticos e de suporte. São eles:

  • hidratação oral e/ou venosa;
  • analgésicos e antitérmicos, evitando-se o uso de anti-inflamatórios pelo aumento do risco de sangramentos;
  • transfusão sanguínea, nos casos hemorrágicos mais graves;
  • suporte em centros de terapia intensiva.

Prevenção

O controle do mosquito é a principal forma de prevenção da dengue. Ele é feito por meio da eliminação de potenciais criadouros e do controle químico (durante as epidemias).

Aí vão algumas dicas que ajudam a impedir a propagação do mosquito da dengue:

  • descartar garrafas em local coberto, ou virá-la com a boca para baixo;
  • eliminar acúmulo de água nas lajes, calhas, coletores de água das geladeiras e aparelhos de ar condicionado, baldes e vasos vazios, pratinhos de plantas entre outros;
  • encher de areia os pratos das plantas;
  • manter vedadas caixas d’água, cisternas, poços e outros depósitos de água;
  • manter limpas as piscinas com cloro;
  • descartar corretamente lixo, entulho e pneus velhos;
  • manter as lixeiras tampadas e protegidas da chuva;
  • uso de repelentes, roupas compridas, telas em janelas e portas e mosquiteiros.

Vacina contra a dengue

A vacina contra a dengue disponível no mercado, Dengvaxia (Sanofi)*, está indicada apenas para os pacientes que já foram infectados pelo vírus previamente e têm o objetivo de prevenir formas graves da doença caso ocorra uma reinfecção.

São necessárias três doses e ela não está disponível na rede pública.

Em pacientes sem comprovação de infecção prévia, a vacina não é recomendada pela Anvisa. Estudos mostraram que os pacientes que eram negativos e foram vacinados, tiveram um aumento do risco de desenvolver formas mais graves da doença após contrair o vírus.

Então, quem pode tomar a vacina?

  • Pessoas com sorologia positiva para a dengue;
  • de 9 a 45 anos;
  • moradores de áreas endêmicas.

*O Instituto Butantan, em parceria com o NIH (national Institutes of Health) e outras entidades, desenvolveu uma nova vacina contra a dengue, atualmente na fase final de ensaios clínicos. Quando disponível, será necessária apenas uma dose para combater os quatro tipos de vírus da dengue.

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