Constipação intestinal infantil: o que é e como lidar com ela?

Menino sentado no vaso do banheiro cabisbaixo por estar com constipação intestinal infantil.

Seu filho por acaso não vai ao banheiro todos os dias e, quando finalmente tem vontade, apresenta dificuldades como dor, por exemplo? Bem, ele provavelmente está sofrendo de constipação intestinal.

Constipação intestinal em crianças: como funciona?

Uma criança pode ser considerada constipada quando, em uma semana, vai ao banheiro menos de três vezes, e sofre com isso. Repare no processo das evacuações: elas costumam ser dolorosas, difíceis e, as fezes, endurecidas, podendo chegar até a entupir o vaso.

Além disso, preste atenção no comportamento do pequeno. Se ele cruzar as pernas bastante, curvar-se e ficar segurando a barriga, pode apostar que ele provavelmente está com prisão de ventre. Afinal, crianças nessa situação costumam evitar as evacuações por medo da dor que elas provocam.

Outros sintomas

Uma pessoa constipada costuma sofrer de incontinência fecal e, por isso, acaba eliminando fezes líquidas, muitas vezes sem controle. Então, se a criança já tiver idade o suficiente para segurar a vontade de ir ao banheiro, e mesmo assim defecar nas calças, pode ser um sinal de intestino preso.

Isso ocorre porque, na constipação, um bolo endurecido de fezes se aloja no intestino grosso (próximo ao reto). As novas fezes, que por estarem em processo de formação possuem consistência amolecida, costumam passar ao redor dele, impossibilitando que a criança as segure.

O que é considerado “normal” para o comportamento intestinal das crianças (de acordo com a idade)?

O padrão intestinal varia de acordo com a idade e a dieta da criança. Os bebês que são amamentados, por exemplo, podem variar entre diversas fezes aquosas ou soltas por dia, ou até a permanência de 10 dias sem evacuar. Tudo depende daquilo que é normal para a criança.

Bebês e crianças geralmente evacuam três vezes ao dia a cada três dias. A forma e a cor das fezes podem variar de um dia para o outro. Mudanças na tonalidade destas (a menos que sejam vermelhas, pretas ou brancas) não significam que há um problema, mas sim que as bactérias normais do cólon estão agindo em vários corantes alimentares.

Quando saber se é o momento de acionar o pediatra?

A constipação intestinal, geralmente, não é algo com que se preocupar em crianças. No entanto, ela pode, às vezes, indicar alguma condição mais séria.

Sendo assim, se a prisão de ventre se manter por mais de duas semanas e você perceber algum dos seguintes sintomas, marque uma consulta com o pediatra imediatamente:

  • inchaço no abdômen;
  • perda de peso sem motivo aparente;
  • presença de sangue nas fezes;
  • febre;
  • vômito.

Se a constipação for severa, o pediatra pode querer fazer alguns testes para descobrir o que pode estar causando esse problema. Entre eles, podemos citar:

  • raio-X abdominal (para verificar se há bloqueio);
  • raio-X de enema de bário (os intestinos são revestidos com um corante para que qualquer problema no reto, cólon ou intestino delgado seja claramente visto em um raio-X);
  • biópsia retal (para verificar se há células nervosas anormais no reto).

Causas

  • Desmame precoce (introduzir o bebê aos alimentos muito cedo): o ideal é que ele mame, pelo menos, até os 6 meses de idade.
  • Excesso de leite de vaca na dieta da criança: o leite pode ressecar as fezes devido à ação do caseinato de cálcio ou devido à alergia a proteína do leite de vaca.
  • Introdução precoce e inadequada do uso do toalete: normalmente, os pais devem começar a educar seus filhos a usar o toalete em torno dos 2 anos, que é quando eles já andam sozinhos, conseguem compreender alguns comandos e sabem distinguir o xixi do cocô. Antes disso, os bebês ainda não têm controle dos esfíncteres, o que pode causar estresse e, consequentemente, a constipação.
  • Colocar o pequeno na creche muito cedo: muitos pais costumam deixar seus filhos em creches até mesmo antes dos seis meses de idade. Com isso, é natural que o treinamento do penico seja feito pelos professores/cuidadores do local. Se esse processo for ensinado de forma equivocada, seu filho pode sofrer de constipação.
  • Alimentação inadequada: consumo de poucas fibras, vegetais e frutas é uma das maiores causas de constipação, assim como a pouca ingestão de água.
  • Constipação intestinal orgânica: é provocada a partir de alguma doença de base, ou alteração anatômica que influencia no trato intestinal.

Tratamentos

  • Aleitamento materno: o leite materno é rico em nutrientes e, por isso, facilita a digestão dos alimentos no intestino. Além disso, ele fortalece e contribui com a ação dos neurotransmissores responsáveis pela movimentação intestinal, evitando a constipação.
  • Informação: pais e cuidadores bem educados, que sabem exatamente o que estão fazendo com os pequenos, entendem que a época de treinamento do penico pode variar. Por isso, eles educam as crianças sem pressão e entendem que cada um evolui a seu tempo, sem brigas nem punições.
  • Estudar sobre as causas da constipação funcional do pequeno e elaborar estratégias, juntos ao pediatra, para lidar com esse problema.
  • Dieta: procure incluir no prato do pequeno uma boa quantidade de alimentos ricos em fibras, grãos e sementes, e monte uma refeição colorida, com várias verduras e vegetais frescos.
  • Probióticos e prebióticos: alimentos ricos em probióticos e prebióticos, como iogurte e kefir, alimentam e fortalecem a microbiota intestinal, fazendo com que o órgão funcione em 100% de seu potencial.
  • Ingestão de água: uma criança que pesa até 10 kg precisa beber, pelo menos, 1 litro de água por dia. Uma criança de 20 kg, precisa ingerir 1,5 litros diariamente.
  • Atividades físicas: incentive seu filho a praticar exercícios regularmente. Isso faz com que o intestino, assim como todo o organismo, funcione corretamente.
  • Remédios laxativos (ou alimentos naturais com tal propriedade): atualmente, o remédio laxativo mais apropriado para a constipação intestinal infantil é o polietilenoglicol (PEG). Porém, algumas opções naturais podem ser usadas para tal propósito, como mamão, grãos integrais e óleo mineral, por exemplo.

E, por fim: o que não se deve fazer quando bebês e crianças estão constipados?

  • Não dê suco de ameixa para bebês com menos de seis meses de idade, pois ele possui um irritante intestinal natural, mesmo quando diluído.
  • Não adicione qualquer forma de açúcar, extrato de malte ou cereal de arroz à fórmula. Isso não ajudará na constipação.
  • Não dê qualquer tipo de alimento ou remédio com efeito laxativo (por mais natural que seja). O melhor, aqui, é pedir pelas orientações do pediatra.
  • Não force a criança a evacuar. Isso pode fazer com que ela crie traumas ou resistências para ir ao banheiro.

Para saber mais, leia:

 

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Pediatria

Médica, especialista em Pediatria. Membro do corpo clínico do CMH Medicina Hospitalar, em Belo Horizonte.

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