Condições médicas associadas ao autismo: quais são as mais comuns?

Menino com TEA sentado a mesa comendo mingau com uma colher. Ele possivelmente tem algum distúrbio gastrointestinal, uma das Condições médicas associadas ao autismo.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) engloba uma série de sintomas e comportamentos associados que, na maioria dos casos, já são bastante desafiadores. Porém, infelizmente, existem outros problemas que frequentemente acompanham essa condição.

A boa notícia, no entanto, é que ao identificar precocemente condições médicas associadas ao autismo, o tratamento fica mais fácil. E o mais importante: tal atitude impede que essas comorbidades agravem o TEA.

É importante saber que muitos dos problemas descritos aqui podem se sobrepor aos próprios sintomas do autismo. Continua difícil determinar como e por que as crianças com autismo têm maior probabilidade de apresentar um ou mais deles.

Para os pais, então, a dica é: observe bem o seu filho. Se preciso, faça anotações detalhadas de tudo que diz respeito a ele, como alimentação, comportamento, medos, manias, gestos, andares etc. Isso será de grande ajuda tanto para o diagnóstico do médico, quanto para as opções de tratamento dos problemas.

No mais, para saber quais são as condições médicas mais comumente associadas ao autismo e como elas se manifestam, basta continuar conosco!

1. Distúrbios gastrointestinais

Distúrbios gastrointestinais são extremamente comuns em crianças com TEA. Os sintomas e sinais mais comuns incluem vômito, constipação ou diarreia crônica, dor abdominal e refluxo. Além destes, alguns quadros que também podem indicar problemas gastrointestinais são:

  • tosse excessiva;
  • recusa ou dificuldade para engolir alimentos;
  • mastigar excessivamente;
  • ter problemas de sono;
  • mudanças inexplicáveis ​​de comportamento.

Saúde intestinal e sua relação com o autismo

O eixo cérebro-intestino que, como o próprio nome indica, funciona como uma ligação direta entre os dois órgãos, é a maior prova de como um problema gastrointestinal é capaz de influenciar em nossa saúde física e, pasme, mental.

Sendo assim, não é de se espantar que, em pacientes autistas, os distúrbios gastrointestinais podem contribuir ainda mais para problemas comportamentais comuns (variações comportamentais, atrasos no aprendizado, interrupção do sono etc).

No mais, a comunidade científica ainda não foi capaz de definir claramente o motivo pelo qual as crianças com TEA são mais suscetíveis a problemas gastrointestinais. Porém, alguns estudos sugerem que as alergias alimentares podem desempenhar um papel importante na piora de alguns casos de autismo.

No tópico seguinte, inclusive, nós vamos conversar um pouco mais sobre isso. Então, continue conosco!

2. Alergias alimentares

As alergias alimentares são bastante comuns em crianças com TEA. Dependendo do alimento e da sensibilidade da criança a ele, é possível que os sintomas do autismo sejam agravados após o seu consumo.

Isso acontece porque a inflamação causada pela reação a certos alimentos pode fazer com que o cérebro da criança fique ainda mais hiperativo que o normal.

Para entender quais afetam seu filho, analise a dieta dele e seus efeitos de perto. Use um diário para anotar o que ele comeu ao longo dos dias e registre quaisquer alterações significativas de humor, comportamento e saúde.

Assim, o médico que o acompanha poderá programar uma dieta de eliminação gradual para observar as possíveis mudanças que essa retirada provocará.

É importante, porém, ter paciência nesse processo. Afinal, as mudanças de comportamento podem levar algum tempo para aparecerem.

3. Síndrome do X frágil (SXF)

A síndrome do X frágil é uma doença genética ligada ao sexo. Ela causa deficiência intelectual, alterações comportamentais, dificuldade de aprendizado e várias características físicas típicas (já já vamos falar sobre elas).

Embora a SXF ocorra em ambos os sexos, os homens são afetados com mais frequência do que as mulheres e, com maior gravidade. A expectativa de vida não é afetada em pessoas com essa condição.

Durante um estudo científico conduzido no Brasil em parceria com os EUA, concluiu-se que dos em 42 indivíduos com essa condição, 23,8% também tinham características de autismo. São elas: falta de contato visual, atraso na fala, movimentação agitada (principalmente das mãos) e dificuldades sensoriais.

As pessoas com Síndrome do X Frágil também têm uma série de características físicas reconhecíveis, incluindo palato arqueado, estrabismo, orelhas grandes, rosto comprido, testículos grandes, tônus ​​muscular diminuído, pés chatos e, às vezes, alterações em válvulas cardíacas.

Vários tratamentos são recomendados para indivíduos com esse transtorno, incluindo medicamentos para problemas de comportamento e terapias para fala e melhora sensorial.

4. Distúrbios convulsivos

Convulsão e epilepsia são uma das condições médicas associadas ao autismo mais comuns. Estudos mostram que a taxa de epilepsia em crianças com autismo pode variar de 5% a 38%.

As crises podem começar em qualquer momento da vida de alguém com TEA. Porém, elas normalmente aparecem na pré-adolescência. Um estudo publicado no The British Journal of Psychiatry mostra que, de 150 casos de autismo estudados, 88% destes apresentaram crises convulsivas. Entre eles, 20% começaram a tê-las entre os 10 e 13 anos.

Embora ainda não existam estudos suficientes para determinar por que as convulsões são tão comuns no TEA, observa-se que:

  • o risco de convulsões ou epilepsia parece ser maior em crianças que sofreram uma regressão das habilidades de linguagem antes dos três anos de idade;
  • o maior grupo de risco para os distúrbios convulsivos parece ser aquele que, além de TEA, é diagnosticado com alguma deficiência intelectual (síndrome de Down, síndrome do X-Frágil etc);
  • as convulsões parecem ser mais comuns em crianças que usam antipsicóticos como parte do tratamento para o autismo.

Sintomas

As crises convulsivas, imediatamente antes de se manifestarem, costumam causar:

  • sensação repentina de medo ou ansiedade;
  • tontura;
  • visão embaralhada ou escura;
  • movimento brusco dos braços ou pernas;
  • dor de cabeça.

Durante o episódio, a pessoa geralmente:

  • perde a consciência;
  • tem espasmos musculares incontroláveis;
  • baba ou espuma pela boca;
  • sente um gosto estranho na boca;
  • cerra os dentes;
  • morde a língua;
  • movimenta os olhos rapidamente;
  • reproduz ruídos incomuns, como grunhidos;
  • perder o controle da função urinária ou intestinal;
  • tem mudanças repentinas de humor.

E como socorrer uma criança que está tendo convulsões?

Mantenha a calma. O primeiro passo é deitar o pequeno de lado para evitar que ele engasgue com a própria saliva ou vômito.

Guie-o gentilmente até o chão para que ninguém se machuque. Lembre-se de proteger a cabeça dele (apoie-a em seu colo, ou coloque-a sobre um travesseiro ou almofada).

Importante: NUNCA tente conter os espasmos ou coloque algo em sua boca.

Assim que a crise começar, fique de olho no tempo de duração desta. Se o episódio se manter por mais de três minutos, ligue para a emergência. Caso tudo tenha acabado dentro de 1 a 2 minutos, verifique se a criança está bem e se precisa de algo. Depois, marque uma consulta com o neuropediatra.

5. Distúrbios do sono

Crianças com TEA têm uma taxa significativamente alta de distúrbios do sono. Isso acontece porque o autismo tem muitas características que podem afetar a capacidade da criança de descansar bem durante a noite. São as mais comuns:

  • ansiedade;
  • distúrbios gastrointestinais;
  • problemas comportamentais;
  • relógio biológico desregulado;
  • alguns medicamentos;
  • sensibilidade excessiva a sons, cores e texturas.

Para saber mais detalhes sobre como os distúrbios do sono funcionam no TEA, clique aqui.

Enfim…

As condições médicas mais comuns associadas ao autismo estão descritas neste artigo. Porém, é claro que existem muitas outras que merecem a sua atenção! Sendo assim, em caso de quaisquer dúvidas ou suspeitas, não deixe de conversar com a equipe médica do seu filho, combinado?

Cuidem-se, e até a próxima!

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Pediatria

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