Retrato de criança com autismo em primeiro plano e pai atrás desfocado

Dra. Flávia Lopes assinatura

A linguagem é uma das principais ferramentas de interação social na qual usamos estratégias para transmitir ideias, sentimentos e informações. É por meio do desenvolvimento dela que nos comunicamos de diversas formas, como gestos, línguas, fala, escrita, desenhos etc.

A coordenação e a união dos diversos sons da língua (fonemas) formam as palavras. Para que haja compreensão da fala, é necessário que esta seja organizada em um sistema estrutural que segue as regras de cada língua.

Como se não bastasse toda essa complexidade, a linguagem, para ser eficaz, precisa ser codificada e transmitida de forma que outras pessoas também a entendam. São elementos essenciais no desenvolvimento da linguagem a expressão (emissão) e a compreensão (recepção).

As crianças com autismo normalmente têm dificuldades para dominar as complexas habilidades exigidas pela linguagem. Consequentemente, a sua capacidade social costuma ficar comprometida, ainda mais quando o diagnóstico do TEA é feito de forma tardia.

Pensando nisso, preparamos esse texto com os principais desafios de linguagem e comunicação enfrentados pelas crianças com TEA. Dessa forma, a identificação precoce do transtorno se torna ainda mais fácil.

Os desafios da linguagem no espectro autista

Cada pessoa, principalmente quando falamos do TEA, possui suas próprias características, desafios e singularidades.

Sendo assim, é natural que algumas crianças tenham, por exemplo, dificuldade para se comunicar por meio da fala, enquanto outras possuem vocabulários ricos e até mesmo detalhados sobre um assunto específico de seu interesse.

Muitas podem, ainda, dominar as palavras e seus significados, porém ter dificuldade para reproduzi-las. Por isso, a fonoaudiologia tem um papel tão importante no tratamento dessas crianças.

Existem também pacientes que têm problemas com o significado, a entonação e o ritmo das palavras usadas em uma frase, ou ainda que não conseguem compreender alguns padrões de linguagem corporal.

No entanto, por mais que existam níveis de dificuldades com relação à linguagem e comunicação, existem alguns fatores comuns que podem ser observados nas crianças com TEA. São eles:

1. Linguagem repetitiva

Frequentemente, os pequenos com TEA podem dizer coisas que, a princípio, não têm significado algum, ou que não se encaixam no contexto da “conversa”.

Por exemplo, a criança pode contar de um a cinco repetidamente durante uma conversa que não está relacionada a números, ou reproduzir continuamente a palavra que acabou de ouvir (ecolalia).

Além disso, é comum que alguns pacientes com TEA tenham dificuldade na prosódia e falem de forma estridente, cantante ou com entonações similares a um robô.

É comum que eles não entendam expressões com mais de um significado ou sentidos semânticos, apresentando dificuldade em compreender metáforas, piadas, formas de expressão facial, corporal etc.

2. Interesses estreitos e habilidades excepcionais

Algumas crianças com TEA são capazes de proferir monólogos aprofundados sobre o assunto que as interessa, mesmo que não consigam manter um diálogo bidirecional durante uma conversa informal sobre o mesmo.

Outros podem, ainda, ter talentos ou habilidades avançadas que perpassam por sua esfera de interesse. Para se ter ideia, aproximadamente 10% das crianças com TEA mostram alta desenvoltura em áreas específicas como, por exemplo, memorização, cálculo e música.

3. Desenvolvimento desigual da linguagem

O desenvolvimento da fala nas pessoas com TEA acontece de forma particular e, por muitas vezes, sua função social não é compreendida.

É frequente o desenvolvimento de um vocabulário rico e funcional em determinada área de interesse, acompanhado pela dificuldade em manter-se em conversas sobre outros assuntos.

Além disso, muitas crianças com autismo têm boa memória para informações que acabaram de ouvir ou ver. Alguns pequenos aprendem a ler antes dos cinco anos ao passo que, no quesito social, não respondem à fala dos outros, podendo inclusive não atenderem ao próprio nome.

4. Dificuldades na comunicação não-verbal

É comum que as pessoas com TEA tenham dificuldade em usar a comunicação não-verbal: gestos, expressões faciais e corporais são estratégias importantes durante as interações sociais.
Um ponto marcante das pessoas com TEA é a dificuldade do contato visual, o que pode fazê-los parecer rudes, desinteressados ou desatentos.

Por fim: como lidar com a comunicação e linguagem em pessoas no espectro autista?

Normalmente, quando há suspeita de TEA, a criança é encaminhada a uma variedade de especialistas, incluindo um fonoaudiólogo. Ele, por sua vez, fará uma avaliação abrangente da capacidade de comunicação da criança e elaborará um programa de tratamento adequado.

Para as crianças mais novas, melhorar as habilidades de fala e linguagem é uma das principais metas do tratamento do autismo. Os pais e os responsáveis ​​podem atingir esse objetivo com mais facilidade prestando atenção ao desenvolvimento da linguagem desde o nascimento.

Essas habilidades incluem, por exemplo, o uso de contato visual, gestos, movimentos corporais, imitações, balbucios e outras vocalizações para ajudá-los a se comunicarem.

Gostou do texto? Mantenha-se sempre atualizado sobre as melhores escolhas para a sua vida com o nosso Blog e redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter)! Estamos te esperando.