Comunicação canina: quais são os sinais de agressividade?

Cão na coleira latindo demonstrando a agressividade como uma forma de comunicação canina

Dra Camilli Chamone

O que o seu cão está tentando dizer? Nem sempre é fácil entendê-lo. Afinal, ele não usa as mesmas ferramentas de comunicação que os humanos. Para a espécie canina, a principal linguagem é corporal, utilizando expressões faciais e posturas para demonstrar seus sentimentos.
É essencial conhecer as formas de comunicação canina para conseguir interpretar o estado emocional do seu cão, detectando e conseguindo evitar situações que sejam desconfortáveis ou estressantes para ele.
É impossível trabalhar a socialização de forma positiva, prevenir a reatividade e melhorar comportamentos inadequados sem aprender a interpretar a linguagem dos cães. Além disso, a construção de uma relação saudável entre o tutor e o animal depende fortemente da capacidade de comunicação dos sentimentos e desejos de cada um.

Curiosidade: os humanos são a única espécie animal que demonstra alegria e felicidade mostrando os dentes (sorriso). Para os outros animais, essa é uma atitude ameaçadora. Evite se aproximar de cães desconhecidos com um sorriso que mostre os seus dentes!

Comportamentos que demonstram desconforto

A escada da agressividade define e ilustra os sinais utilizados por um cão para expressar que ele se sente desconfortável ou ameaçado. Esses gestos de comunicação canina têm o objetivo de evitar um confronto e afastar a ameaça. Quando ignorados, a situação escala para a agressão física, em última instância.

Gráfico que mostra as fases do comportamento canino até a agressividade
Fonte: @doginstinct.pt

Inicialmente, o cão se expressa usando a boca e os olhos, apresentando os seguintes comportamentos:

  • lambe o nariz (licking);
  • boceja;
  • fica com a boca repuxada, semelhante a um “sorriso” de boca fechada;
  • pisca os olhos;
  • desvia o olhar;

Quando ele não consegue transmitir o que está sentindo, sua ansiedade aumenta e seu corpo começa a refletir um desconforto crescente. É comum observar, nessa fase, os seguintes comportamentos:

  • vira a cabeça;
  • vira o corpo;
  • tenta se afastar;
  • senta;
  • levanta uma das patas;
  • agacha-se com as orelhas para trás;
  • agacha-se com a cauda entre as patas.

Em um estágio mais avançado da comunicação canina, quando nenhuma outra tentativa foi bem sucedida, para afastar o terceiro o pet:

  • fica com o corpo tenso e o olhar fixo;
  • rosna;
  • abocanha o ar;
  • morde.

Vocês perceberam quantos sinais os cães expressam antes de atacar? Desde o início, o objetivo é afastar a ameaça e evitar o confronto. O cão que chega a morder faz isso porque teve todos os seus gestos de aviso ignorados e ele chegou ao ápice do estresse e frustração.

Importante: os cães do grupo 5 da Federação Cinológica Internacional, chamados de cães primitivos, tendem a ser comunicadores ruins natos, podendo escalar rapidamente para as mordidas. Exemplos: Akita, Chow Chow, Husky siberiano, Spitz, Malamute, Samoieda e Shiba.

Comportamentos que demonstram conforto

A comunicação canina também utiliza a linguagem corporal para demonstrar tranquilidade e afeto. Como um cão demonstra que está feliz com uma situação?

  • Um peludo de grande porte, que se deita para ficar da mesma altura de um cão menor, ou de um humano sentado no chão, demonstra claramente que está tranquilo e disposto a interagir de forma positiva;
  • virar de barriga para cima espontaneamente demonstra que o cão está confortável e se sente seguro;
  • leves mordidinhas (que não machucam) e lamber o outro são sinais de carinho;
  • em um grupo de cães, farejar o chão e se aproximar do outro muito lentamente, em zig-zag, é sinal de tranquilidade e boas intenções.

Importante: cachorros na guia tendem a se comportar de forma reativa. Não devemos permitir que dois cães desconhecidos e que estão na coleira se aproximarem, especialmente EM LINHA RETA. Presos na guia, eles não têm a opção de se afastar da situação, o que aumenta o estresse e a ansiedade.

A comunicação canina é uma ferramenta importantíssima para o bem-estar dos cães, tanto dentro das relações com outros animais quanto com os humanos que fazem parte da sua vida.
Quanto mais escutarmos nossos cães, mais incentivo eles terão para aprender a se comunicarem. Um bom comunicador sabe que será entendido, é mais seguro e menos propenso a reações agressivas.
Fale com o seu cão e ouça o que ele tem a dizer!

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  • Adotei um cachorro há quase dois anos, foi uma adoção não planejada mas desde o início o relacionamento tem sido o melhor possível. Ele tem a idade um pouco avançada e é um SRD. Nós temos grades para pets em casa, ele costuma descansar, dormir e comer junto a uma delas, certo dia fui colocar a refeição dele, peguei a tigela mas não pude imediatamente entrar na cozinha para pegar o alimento, então sentei no chão, junto à grade, algo que não faço. Ele estava do outro lado. Fui interagir com ele através da grade e ele rosnou. Retraí a minha mão, ele continuava rosnando mais baixo e se virou. Foi uma inusitado para mim pela situação, não foi como se eu tivesse apertando ele ou tentando pegar a comida dele ou algo assim. Saí de perto para colocar a comida na tigela que estava vazia e não tivemos problemas. Na mesma noite eu quis ter certeza de que estava tudo bem entre nós, sem estarmos separados pela grade, me agachei e chamei ele, que veio, mas se sentou com a cauda entre as pernas, o que achei estranho. No restante da noite e no dia a seguir não notei mais nada estranho, tudo seguiu normal. Em nossa rotina diária fazemos 02 passeios, que terminam com uma higienização das patas, algo que faço agachado junto a ele desde março. Faço levantar cada patinha, faço ele se levantar se ele estiver sentado, viro de um lado, de outro e sem rosnados e muito menos acidentes. Após o jantar, repeti a situação da noite anterior, ele do outro lado da grade, me sentei no chão e fui interagir só que sem colocar as mãos nele. A princípio parecia normal, mas nitidamente sua expressão foi mudando, até que rosnou. Falei um pouco com ele (sem as mãos) tentando descobrir como ele reagiria. Ele desviava o olhar, se virou e deitou junto à grade. Acariciei as costas, sem reação dele, me levantei e saí. Fiquei muito surpreso com esse critério que achei muito específico: Sentar no chão de um lado da grade. Fora isso ele é muito dócil, fica comigo o dia inteiro no escritório, deita embaixo da minha mesa, mexo meus pés com ele lá, vem pedir carinho, comida ou passeio numa boa. Essa foi a primeira situação que identifiquei que ele estava desconfortável comigo. Para ter uma ideia, ele odeia tomar banho no petshop, tenta matar os tratadores, mas quando eu que dou o banho ele fica tranquilo. Além de evitar sentar no chão de um lado da grade (ou sem grade, quem sabe) e tentar ficar atento aos sinais, há algo que eu possa fazer em relação a isso?

    • Prezado Gabriel,

      Comportamentos agressivos são complexos e precisam ser avaliados individualmente.
      Para podermos dizer de forma assertiva o que você precisa fazer, precisariamos conhecer todo o contexto de vida de vocês – e não apenas fatos isolados.
      A nossa sugestão é que procure um profissional comportamentalista, que adote a linha da educação neurocompatível para te ajudar com esse caso.

      Um forte abraço!

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