mulher em uma cozinha olhando para diversos alimentos

assinatura larissa figueiredo

Força, foco e fé bastam para tratar a compulsão alimentar? Nem sempre, na maioria das vezes, não!

Infelizmente, pessoas compulsivas compartilham não apenas o ímpeto de comer, como também a maneira de ver seu problema, considerando-se carentes de disciplina e força de vontade, gulosas, infantis, descontroladas e fracas. E, infelizmente, a sociedade não está interessada em saber o motivo pelo qual milhões de pessoas sentem-se dominadas pelo desejo de comer, sendo apenas pressionadas a controlar-se e a reduzir o peso, através de dietas e controles alimentares.

Mas o que é a compulsão alimentar?

A compulsão alimentar é um transtorno causado por uma combinação de fatores genéticos, biológicos, ambientais e de estilo de vida, que carece de tratamento multiprofissional.

O comedor compulsivo, em geral, já passou por várias tentativas frustradas para mudar sua conduta alimentar. Com freqüência, faz programas de emagrecimento intermitentes, que apenas favorecem a volta da compulsão. O erro é pensar que apenas uma dieta restritiva resolverá uma problemática muito mais complexa. A maioria dessas pessoas diz conhecer quase todos os programas de reeducação alimentar e todos os princípios de controle de peso e, no entanto, não conseguem deixar de ter episódios de compulsão.

As pessoas passam a vida pensando que têm problemas alimentares e de peso, quando na verdade, têm problemas em conseguir se tranquilizar e lidar com os afetos, ao invés de comer por causa deles. Afinal, é muito mais fácil ter um problema alimentar, que requer apenas uma única solução – dieta – do que um problema pessoal, que requer disponibilidade para refletir e compreender sobre as dificuldades de ordem emocional.

Como controlar a compulsão alimentar?

Para se quebrar o ciclo do uso do alimento para a fome psicológica, ou seja, do comportamento alimentar compulsivo, é preciso fazer dois tipos de aprendizagens importantes

  • Primeiramente, se alimentar de acordo com a necessidade fisiológica;
  • Em segundo lugar, desenvolver uma função psíquica interna tranquilizadora e continente aos afetos e estados emocionais, sentidos como insuportáveis, e que vêm sendo acalmados através da comida.

A ideia é mudar o foco, dar ênfase na problemática do modo de relação com a comida e não no quê ou no quanto se come. É preciso mudar de um saber externo a si mesmo – cardápios, balança, remédios – para um saber interno, uma procura de equilíbrio, de entendimento e domínio sobre a compulsão com um grande ganho psíquico. Quando um compulsivo alimentar começa a responder aos sinais da fome fisiológica de forma adequada está, de certo modo, se restabelecendo. Está mostrando a si mesmo que pode prover-se adequadamente, gerando uma sensação de segurança. Quanto mais seguro se sente, menos ansioso se é, e deste modo, menos se precisa da comida.

Para isso, é preciso, a princípio, estimular os compulsivos a abandonarem todos os rituais externos e horários, para se concentrarem em suas necessidades biológicas. Somente concentrando-se em seu próprio ritmo alimentar é que se pode começar a redescobrir a fome fisiológica para, depois, separá-la da psicológica, que precisará, também, ser satisfeita, de outras maneiras que não envolvam comida.

Assim, comer quando se sente fome quebra a tradição de três refeições ao dia em favor de experiências alimentares a cada vez que se sente fome. Cada pessoa precisa descobrir, a princípio, seu ‘relógio alimentar’ individual.

A ideia de que as pessoas devem comer quando sentem fome e não comer quando não sentem, parece muito simples, no entanto, não é fácil para os compulsivos. Afinal, eles aprenderam a acreditar que a comida é o problema e que a solução é ficar longe dela. Esse pensamento simplista a respeito da fome e alimentação, no entanto, esconde conflitos inconscientes que precisam ser clarificados e elaborados. Enquanto a comida tiver a representação psíquica de castigo e recompensa, não poderá ser simplesmente alimento para o corpo.

Finalmente, selecionamos 5 dicas para ajudar você a controlar a compulsão alimentar:

  1. Lembre-se de que a comida não e um problema ou uma recompensa. É um alimento necessário para o corpo. Alimente-se quando tiver fome;
  2. Dê preferência para as ‘comida de verdade’
  3. Busque auxílio profissional. Um psicólogo, por exemplo, irá ajudá-lo a trilhar um caminho de forma mais confiante;
  4.  Não adote dietas restritivas e ‘milagrosas’;
  5. Invista em atividades físicas que contribuem muito para a saúde do corpo e da mente.

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