Homem de meia idade sob um fundo cinza representando a glaucoma

Dra. Adriana Bonfioli

Em todo o mundo, o glaucoma é a doença que mais leva à cegueira irreversível. Ele é chamado por muitos de “ladrão silencioso da visão”, pois não provoca sintomas até que já esteja tarde demais e grande parte da visão já tenha sido comprometida.

A maior arma na luta contra o glaucoma é o conhecimento. É preciso falar sobre a doença orientar as pessoas sobre como preveni-la. No texto de hoje, vamos entender um pouco mais sobre esse grande vilão que ameaça nossos olhos.

O que é o glaucoma?

O glaucoma é uma doença que acomete o nervo óptico, uma das estruturas responsáveis pela nossa visão.

O principal mecanismo de lesão é a pressão ocular elevada, que comprime e lesa as delicadas fibras nervosas. Ao longo do tempo, elas vão morrendo e a função do nervo é perdida progressivamente. Sem tratamento, o glaucoma pode levar à cegueira.

É importante entender que isso não acontece do dia para a noite. A lesão que ocorre no glaucoma é lenta e silenciosa. Anos e anos podem se passar até que o paciente perceba que perdeu parte da sua visão! O triste é que descobrir o glaucoma neste momento não possibilita que as fibras nervosas perdidas sejam recuperadas.

Basicamente, a perda visual no glaucoma, depois de instalada, é definitiva!

O que sente um paciente com glaucoma?

Como falamos, no início da doença o paciente não sente nada. Nesta fase, apenas o oftalmologista, durante uma consulta de rotina, pode detectar a doença.

Sem tratamento, o glaucoma progride para uma lesão de fibras do nervo óptico que resulta em manchas na visão chamadas escotomas. Elas surgem na periferia do campo visual e progridem lentamente para o centro.

Em um estágio mais avançado, o paciente fica com o que chamamos de “visão em túnel”. Isso significa que ele enxerga bem os objetos que estão à sua frente, porém perdeu grande parte do seu campo de visão. Se a doença continua sem tratamento, essa ilha central de visão, gradualmente, também é perdida até que a cegueira completa se estabeleça.

Entenda como ocorre a perda de visão no glaucoma:

Fatores de risco

O glaucoma pode ocorrer em qualquer pessoa e é mais frequente após os 60 anos. Além da idade, são outros fatores aumentam as chances de se desenvolver a doença:

  • ser de raça negra;
  • ter familiares portadores de glaucoma;
  • sofrer de diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e anemia falciforme;
  • ter alta hipermetropia ou miopia;
  • ter história de trauma ou cirurgia ocular prévia;
  • usar corticosteroides de forma prolongada, principalmente colírios;
  • uso de anticoncepcionais por muitos anos.

Diagnóstico do glaucoma: consulta oftalmológica

O glaucoma pode ser detectado em uma consulta de rotina! Por isso, é sempre importante visitar seu oftalmologista uma vez ao ano.

Durante a avaliação dos olhos, além de medir a visão e o grau dos óculos, o especialista mede a pressão ocular e examina as estruturas oculares. Se a pressão estiver elevada (acima de 21mmHg), suspeita-se de que o paciente pode ter glaucoma.

Mesmo em pacientes com a pressão dentro da faixa normal, outras alterações percebidas durante o exame podem indicar a doença, como:

  • aumento da escavação do nervo óptico;
  • assimetria entre as escavações de ambos os olhos;
  • alterações localizadas e hemorragias.
Imagem microscópica de um olho com glaucoma
Esquerda: nervo óptico normal; centro: nervo óptico com escavação suspeita; direita: nervo óptico com escavação glaucomatosa avançada. (Fonte: Community Eye Health Journal)

Caso o oftalmologista suspeite do glaucoma, exames complementares podem ser necessários para confirmar o diagnóstico.

Exames complementares

  • Curva de pressão ocular: medida da pressão em vários horários do dia e análise das suas variações.
  • Teste de sobrecarga hídrica: medida de pressão após a ingestão de um litro de água.
  • Retinografia: foto colorida do fundo do olho que documenta o nervo óptico e suas alterações.
  • Campo visual computadorizado: avalia o campo de visão e detecta os escotomas (manchas) típicos da doença.
  • Tomografia de coerência óptica: mais recente, o OCT examina as camadas da retina e do nervo óptico. Pode ser útil em alguns casos para diagnóstico e acompanhamento, porém ainda não tem cobertura prevista no ROL da ANS.
Imagem microscópica de um olho com glaucoma
Retinografia do nervo óptico.

O diagnóstico do glaucoma é como um quebra-cabeças. Não existe um exame que, por si só, consiga definir se a pessoa tem ou não a doença, exceto em casos avançados.

A avaliação das alterações encontradas durante a consulta, dos resultados de exames complementares e da história prévia/familiar do paciente fornece algumas pistas. Cada um dos exames contribui com alguns dados e, junto à experiência do especialista, definem o diagnóstico.

Tratamento

O tratamento do glaucoma geralmente é iniciado com o uso de colírios que diminuem a pressão ocular.

Nos pacientes em que o tratamento clínico não foi suficiente, podem ser indicados procedimentos a laser ou cirurgia para melhor controle da doença.

Acompanhamento

Um paciente em tratamento de glaucoma deve ser acompanhado periodicamente para garantir que a pressão ocular esteja controlada e não surgiram perdas no campo de visão. O intervalo entre as consultas pode variar de 3 meses a um ano, de acordo com a gravidade da doença.

Prevenção

Não é possível prevenir o glaucoma. No entanto, podemos evitar a perda visual provocada pela doença. Para isso, um diagnóstico e tratamento precoces são essenciais!

Sendo assim, fica bem claro que a melhor forma de prevenção é visitar regularmente o seu oftalmologista para que ele avalie a saúde dos seus olhos e meça a pressão ocular.

E se você já tem glaucoma, use os colírios regularmente. Lembre-se: depois de perdida, não é possível recuperar a visão.

Seja consciente, você é o principal responsável pela sua saúde!

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