Gato deitado em um tapete

Assinatura Hospital Veterinário Santo Agostinho

A diabetes em animais domésticos também é muito frequente. Assim como nos humanos, o diagnóstico representa cuidados constantes com a qualidade de vida e mudanças consideráveis na rotina e dia a dia do portador.

A descoberta precoce pode significar menos prejuízo para a saúde do animal. Porém, em muitos casos, a doença só é percebida quando já está em estágio avançado. Então, como identificar os sinais da diabetes em animais?

Observe se seu cão ou gato apresenta alguma dessas evidências a seguir, as primeiras conhecidas como os quatro Ps.

  • Poliúria: aumento de micções ao dia.
  • Polidipsia: aumento do consumo de água, consequência do primeiro, já que urinam mais e perdem mais líquido, sentindo maior necessidade de ingerir água.
  • Polifagia: aumento da ingestão de alimentos – a insulina é um 
importante regulador do centro de saciedade.
  • Perda de peso – devido à glicosúria, outro sinal importante.
  • Glicosúria: urina com alta concentração de glicose, atraindo a presença de formigas.

Esses são os primeiros e mais comuns sinais de diabetes em animais. Os mais subestimados pelos tutores são aumento do consumo de água e aumento do consumo de alimentos. Afinal, são condutas que parecem corriqueiras, não? Por isso, a importância de levar seu pet ao veterinário de confiança, mesmo frente a esses simples indícios.

A diabetes acontece quando há baixa ou pouca produção de insulina pelo pâncreas. A insulina é o hormônio responsável por transportar o açúcar e outras substâncias do sangue até as células que os transformam em energia. Sem insulina suficiente, o açúcar se acumula no sangue do paciente.

Diabetes tipo I

  • Mais comum em cães;
  • principalmente nas raças: Schnauzer, Poodle, Beagle, Husky Siberiano, Fox Terrier, Yorkshire, Bichon Frise, Lhasa Apso, Spitz
  • idade superior a sete anos;
  • maior incidência em fêmeas.

Diabetes tipo II

  • Mais comum em gatos;
  • principalmente em machos castrados;
  • idade superior a seis anos de idade.

Entre as causas estão deficiências hormonais, predisposição genética e outras questões associadas à rotina de vida do animal.

Quais fatores favorecem o desenvolvimento de diabetes?

  • Uma dieta desregulada;
  • sobrepeso;
  • excesso de consumo de alimentos gordurosos, o que pode causar pancreatite;
  • sedentarismo;
  • Hiperadrenocorticismo e uso crônico de corticóides.

Como prevenir?

  • Oferecendo uma alimentação balanceada, se atentando para as quantidades adequadas para cada raça, porte, idade e condições- de preferência uma alimentação natural bioapropriada sem excesso de carboidratos;
  • evitando petiscos e se for o caso – quando quiser agradar o pet ou como recompensa – utilizar somente alimentos saudáveis, como cenoura e banana, carnes desidratadas;
  • manter exercícios e passeios regulares;
  • realizar consultas periódicas com seu médico veterinário de confiança para exames de rotina.

Muitas vezes, sem saber da diabetes, os donos só levam seus animais ao veterinário quando ele apresenta alguma sequela proveniente da doença. Nesse caso, além da complicação decorrente, a diabete precisa ser tratada.

Principais sequelas causadas pela diabetes em animais

  • Catarata: opacificação do cristalino, dificultando a passagem da luz até a retina, causando danos à visão.
  • Uveítes induzidas pela catarata.
  • Insuficiência renal (nefropatia diabética): deficiência nos vasos sanguíneos dos rins, o que faz com que o órgão perca a capacidade de filtrar adequadamente as substâncias que devem ser eliminadas pela urina, expulsando até proteínas, como a albumina.
  • Cistite enfisematosa: infecção da vesícula urinária, por microrganismos fermentadores de glicose, caracterizada pela produção de gás no órgão.
  • Neuropatia diabética: pode ocorrer em gatos. Provoca dificuldade locomotora conhecida como andar plantígrado, no qual os felinos utilizam o calcanhar para apoiar-se no chão.

A diabete também pode ser consequência de perigosas doenças de base.

Doenças que causam diabetes

  • Hiperadrenocosticismo: tumor na glândula hipófise (hiperadrenocorticismo hipófise-dependente) ou nas glândulas adernais (hiperadrenocorticismo adrenal-dependente), provocando alterações na produção do hormônio cortisol;
  • pancreatite aguda/crônica: inflamação do pâncreas;
  • obesidade mórbida;
  • hiperlipidemia: concentração elevada de lipídeos no sangue;
  • hipotireoidismo: deficiência na atividade da glândula tireoide, levando à produção insuficiente do hormônio.

Tratamento

Uma vez diagnosticada a diabetes, é necessária a cooperação entre todos os envolvidos. A terapia padrão inclui:

  • aplicação de insulina pela via subcutânea, com doses estipuladas para cada paciente individualmente, orientadas somente pelo seu médico veterinário.
  • Adoção de rações terapêuticas ou dieta natural terapêutica que irão evitar elevações dos níveis de glicose no sangue.
  • É importantíssimo que o tutor siga a orientação do veterinário em relação a escala da seringa a ser utilizada, para evitar erros de hiperdosagem. É muito menos prejudicial aplicar uma dose menor de insulina do que aplicar uma sobredose em razão do alto risco de hipoglicemia. Portanto, se o animal se mover durante a aplicação e parte da dose for ejetada sobra a pelagem do animal, jamais se deve complementar a dose perdida. Nesses casos, o risco de se fazer uma sobredosagem e gerar uma hipoglicemia é iminente.

Como dizemos já no início desse texto, o sucesso do tratamento depende da mudança de postura na vida do animal doente, nesse caso, com bastante ajuda dos seus donos:

  • evite comer perto do animal;
  • de forma alguma ofereça a ele o alimento que você consome;
  • crie uma rotina para ele, com horários para alimentação e posterior aplicação da insulina. Evite variações bruscas de horários e de dieta;
  • siga rigorosamente as orientações do médico veterinário.

Agora que você já sabe como identificar sinais de diabetes em animais, fique de olho! Não espere seu cão ou gato adoecer para levá-lo ao veterinário. Os exames de rotina podem ser decisivos para a saúde e qualidade de vida dele!