Saúde mental no trabalho: como garanti-la aos funcionários?

Mulher meditando no escritório por causa do estresse no trabalho

Como vocês já devem imaginar, nem sempre é possível dizer, apenas pelas aparências, que uma pessoa está lutando contra um problema de saúde mental. É muito natural, inclusive, que nem o próprio paciente saiba que está passando por tal dificuldade.
Ao contrário de um resfriado, os sintomas relacionados à condições psicológicas como estresse, ansiedade, depressão, etc, às vezes podem passar despercebidos ou até ser erroneamente interpretado (por exemplo: “Fulano está apenas passando por um dia ruim”).
Vale ressaltar que o estigma associado a transtornos psiquiátricos é tanto que, muitas vezes, os funcionários se tornam relutantes em procurar por ajuda. Ao mesmo tempo, os colegas podem (e devem) querer ajudá-los, porém, não sabem como fazê-lo e às vezes, de forma não intencional, podem acabar prejudicando-o e impactando em todo processo de trabalho e / ou equipe.
Pensando nisso, preparamos esse guia de consulta rápida para que todos os gestores saibam quais são os problemas de saúde emocional mais comuns no local de trabalho e claro, o que eles podem fazer para lidar com tais situações. Vamos lá?

Quais são os problemas de saúde mental mais recorrentes no ambiente de trabalho?

1. Estresse

O estresse é a maneira como o nosso organismo responde a qualquer tipo de ameaça e/ ou imprevisto. Frente a situações como essas, ele “se arma” na tentativa de autodefesa e portanto, reage a elas de todas as formas possíveis (física e emocional).
Esse tipo de reação, na verdade, é muito comum e até mesmo positiva para o corpo humano. Afinal, é ela que nos coloca em estado de alerta e prontos para evitar uma série de perigos.
Contudo, o estresse se torna uma condição negativa quando uma pessoa enfrenta desafios contínuos sem alívio ou relaxamento entre eles. Como resultado, ocorre uma sobrecarga de tensão que, ao longo do tempo, pode acarretar outras doenças como depressão, gastrite, síndrome do pânico, enxaqueca, hipertensão etc.

São causas comuns para o estresse no ambiente de trabalho:

  • alta demanda de trabalho para curtos prazos de entrega;
  • altas expectativas para pouca remuneração;
  • má comunicação entre as equipes e setores;
  • ambiente de trabalho barulhento, confuso, pouco iluminado e desconfortável;
  • longas jornadas de trabalho com pouco repouso entre elas.

Identificando os sinais de estresse

O estresse pode se refletir em qualquer função do corpo. Fique atento aos seguintes sinais e sintomas:

  • dores de cabeça;
  • distúrbios de sono;
  • fadiga;
  • dor de estômago e/ou diarreia;
  • pressão alta;
  • sistema imunológico enfraquecido;
  • tensão muscular;
  • perda de libido (masculino ou feminino);
  • ansiedade;
  • raiva, irritabilidade;
  • depressão ou tristeza;
  • dificuldade de concentração;
  • baixa autoestima;
  • falta de confiança;
  • comer demais, ou comer menos;
  • explosões de raiva;
  • problemas de relacionamento;
  • álcool, fumo ou abuso de drogas.

Como lidar?

Estabelecer fluxos de trabalho claros e sem complicações é o pontapé inicial para evitar que seus funcionários se tornem reféns do estresse crônico. Para isso, podem ser usados cronogramas, calendários, reuniões diárias, programas de produtividade e por aí vai.
Além disso, certifique-se de que toda a equipe se sinta confortável em pontuar suas angústias e dificuldades com seus superiores. Assim, você conseguirá identificar problemas como demandas muito complicadas, atraso de tarefas, maus relacionamentos entre os funcionários e por aí vai.
Por fim, proporcione a toda a empresa um espaço para lazer e descanso que seja acolhedor e confortável. Assim, em períodos de estresse extremo, as pessoas saberão exatamente para onde elas podem ir caso se sintam extremamente frustradas e angustiadas.

2. Ansiedade

A ansiedade é a resposta natural do corpo ao estresse. É aquele sentimento de medo ou apreensão por aquilo que está por vir.
Geralmente, é normal se sentir ansioso em situações que precedem, por exemplo, uma reunião importante, uma promoção, uma apresentação, um novo cargo e por aí vai. Por mais desagradável que seja, em certos níveis, pode até mesmo motivar a pessoa a se preparar mais e dar o seu melhor.
Porém, quando esse sentimento se torna constante e começa a interferir na vida cotidiana e trabalho da pessoa, pode ser que ela esteja com algum transtorno de ansiedade.
Este, por sua vez, diz respeito a uma reação exagerada a situações que, a princípio, não são ameaçadoras. É o caso de pessoas que passam mal ao entrar em elevadores, de pacientes que têm um aumento repentino de pressão quando vão consultar (síndrome do jaleco branco) etc.
Com o tempo, todas essas reações podem se tornar incapacitantes, comprometendo a atividade profissional do paciente. Afinal, quem consegue se concentrar para entregar uma tarefa quando todos os pensamentos POSSÍVEIS de medos, falhas e fracassos passam por sua cabeça?

No mais, são os tipos mais comuns de transtorno de ansiedade:

  • síndrome do pânico: provoca crises de medo espontâneas e súbitas, em momentos inesperados.
  • fobias: são os medos excessivos a algo ou alguma coisa como, por exemplo, altura (acrofobia), lugares fechados e apertados (claustrofobia), palhaços (coulrofobia), aranhas (aracnofobia), dentre outros. .
  • transtorno obsessivo-compulsivo (TOC): engloba pensamentos/padrões irracionais e recorrentes que levam o paciente a realizar tarefas específicas de forma repetitiva. É o caso de pessoas que lavam muito as mãos com medo de serem infectadas por germes e bactérias, conferem se a porta está trancada diversas vezes antes de saírem; criam rituais até mesmo para tomar banho.
  • hipocondria: preocupação excessiva e infundada com relação à própria saúde, geralmente chegando a apresentar sintomas que não condizem com nenhuma doença orgânica. Também é conhecida como nosomania
  • transtorno de estresse pós-traumático: é um transtorno de ansiedade em que a pessoa tem dificuldades para superar um evento bastante traumático de sua vida (estupro, abuso sexual na infância, homicídios, trauma de guerra ou até consequente por presenciar a perda de um familiar de forma abrupta (acidente de carro). Sendo assim, qualquer lembrança ou mínima semelhança com esse acontecimento já são gatilhos o suficiente para que ela se sinta muito mal, apresentando sintomas como tremores, perda de consciência,, palpitações, queda de pressão, medo incompreensível e revivencias constantes do episódio traumático por mais de um ano, etc.

São causas comuns de ansiedade no ambiente de trabalho:

  • alta demanda de trabalho para curtos prazos de entrega;
  • altas expectativas para pouca remuneração;
  • experiências negativas com outros colegas;
  • falta de comunicação entre a equipe;
  • experiências traumáticas com relação ao ambiente de trabalho (acidentes, imprevistos, discussões acaloradas, abusividade etc).

Como lidar?

A melhor forma de lidar com a ansiedade no ambiente de trabalho é garantir aos funcionários uma série de ferramentas capazes de preservar a sua saúde mental. Isso pode ser feito por meio de um setor de psicologia organizacional, reuniões diárias para alinhar todas os prazos e expectativas, espaços para pausas e descansos e por aí vai.
Além disso, a única maneira de ter certeza de que todos estão se sentindo bem com suas obrigações é abrindo espaço para diálogos e melhorias.

3. Depressão

É um distúrbio de humor que afeta negativamente a forma como você se sente, pensa e age. Na maioria das vezes, ela costuma causar sentimentos repentinos e sem motivos aparentes de tristeza e/ou perda de interesse em atividades antes apreciadas.
Quando não tratada, a depressão pode ter um impacto significativo no desempenho profissional do paciente. Afinal, ela pode limitá-lo no que diz respeito à produtividade, interatividade, foco e assertividade nas tarefas.

São causas comuns para a depressão no ambiente de trabalho:

  • esforço não reconhecido;
  • padrões de exigência muito altos;
  • estagnação em uma só função;
  • isolamento e/ou falta de comunicação com os demais membros da equipe;
  • ambiente de trabalho pouco iluminado, desorganizado e insalubre.

Identificando os sinais e sintomas

São alguns sinais e sintomas de depressão:

  • tristeza extrema;
  • desânimo;
  • fadiga;
  • perda de interesse em atividades prazerosas;
  • dificuldades de concentração e tomada de decisões;
  • mudanças no padrão alimentar (parar de comer ou comer em excesso);
  • sono excessivo;
  • sentimentos de inutilidade ou culpa;
  • pensamentos suicidas ou de automutilação.
  • labilidade emocional.

Como lidar?

A melhor forma de lidar com a depressão no ambiente de trabalho é oferecendo aos seus funcionários uma conversa clara e sincera sobre o que eles estão sentindo e como você pode ajudá-los. Se possível, crie um setor de psicologia organizacional para que todos tenham assistência quando sentirem que sua saúde emocional está ficando comprometida.
Além disso, fique de olho para se certificar de que não há nenhum nível de abuso nas relações de trabalho. Se preciso, abra espaço para que denúncias anônimas possam ser feitas e organize uma reunião/espalhe uma circular para comunicar esse direito a todos.

4. Síndrome de Bournout

A Síndrome de Burnout é o resultado de um estado de estresse crônico e diretamente relacionado ao trabalho (ambiente tenso, tarefas em demasia, funções acumuladas etc). É caracterizada pelos seguintes sintomas:

  • sensação de esgotamento ou exaustão;
  • distância mental do trabalho (sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados a ele);
  • dores de cabeça e/ou estômago;
  • cansaço emocional;
  • redução da eficácia profissional reduzida.

Como lidar?

A melhor forma de lidar com a síndrome de burnout é tornar o trabalho mais “suportável”. Para isso, o paciente pode acionar os recursos humanos da empresa e relatar seus problemas e dificuldades, oferecendo conselhos e alternativas de como mudar esse contexto para todos os envolvidos.
São outras opções possíveis:

  • pedir para mudar sua função;
  • consultar-se regularmente com um psicólogo especializado em questões trabalhistas;
  • pedir por férias;
  • desenvolver estratégias para contornar o estresse como, por exemplo, meditar, manter uma alimentação saudável, dormir bem, praticar exercícios físicos etc;
  • aprender a delegar funções ou renunciar a algumas coisas para não se sentir sobrecarregado(a).

Enfim…

Lembre-se de que a maior garantia de um bom trabalho está em uma boa saúde mental. Assim, a pessoa terá mais habilidades para enfrentar situações tensas, concentrar-se, fazer do seu dia mais produtivo e colocar a equipe lá em cima!
Sendo assim, NUNCA subestime o poder de uma boa assistência mental aos seus funcionários.

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