Cachorro em um consultório veterinário juntamente com sua dona e uma médica veterinária

Dr. Demerval Magalhães

A palavra endoscopia tem origem grega: é formada pelo prefixo endo (dentro) e pelo verbo skopia (ver ou observar). É um dos procedimentos mais executados e importantes da medicina veterinária.

O que é?

A endoscopia é um exame simples que utiliza a abertura natural de um órgão para visualizar as condições em seu interior. Pouco invasivo e não traumático, é complementar ao exame clínico e tem rápida recuperação. A técnica permite inspeção visual das superfícies mucosas e arquitetura dos órgãos, possibilitando identificar alterações e fazer diagnósticos de:

  • neoplasias;
  • doenças infecciosas;
  • doenças inflamatórias.

Ela pode detectar, ainda, a presença de corpos estranhos, considerada uma emergência médica.

Endoscópio

O endoscópio é um aparelho tubular longo e flexível. Tem uma fonte de luz somada a uma micro câmera que filma a parte interna do órgão. A imagem é reproduzida em um monitor próximo ao médico veterinário na sala.

O equipamento deve estar acoplado a um aspirador, insuflador, irrigador e ter à disposição pinças de apreensão e de biópsia de diversas características e tamanhos.

Tipos de endoscopia

Esse exame pode ser importante para examinar diferentes sistemas do organismo:

  • Sistema digestivo gastrointestinal:
    • endoscopia digestiva alta – alcança o esôfago, estômago e duodeno;
    • endoscopia digestiva baixa – ceco, cólon e reto, porção do íleo.
  • Sistema respiratório:
    • laringoscopia: laringe;
    • traqueoscopia, ou broncoscopia: traqueia, árvore brônquica.
  • Sistema urinário: uretra, bexiga e mucosa vaginal.
  • Laparotomia: cavidade torácica e abdominal.

Biópsia

A endoscopia também é usada na realização de biópsia. Introduzido por via oral ou incisão na cavidade abdominal, o endoscópio retira, com uma pinça, um fragmento de alguns milímetros da mucosa.

A análise do material é realizada através de um exame histopatológico (análise microscópica de tecidos) ou do PCR (exame que mede a dosagem de proteína C reativa).

Para a realização de biópsia utilizam-se pinças de fórceps serrilhado ou do tipo baioneta. A pinça é introduzida através do canal de biópsia do endoscópio e exposta na cavidade gástrica.

Objetos engolidos

É a principal causa de procura de atendimento veterinário e encaminhamento para o exame. Muitas vezes o proprietário presencia o seu cão engolindo indevidamente algum objeto como meias, ossos de galinha, brinquedos, botões, agulhas, etc.

Em outros casos, o animal se engasga e começa a tossir desesperadamente, perdendo a respiração. A endoscopia para remoção de corpo estranho no estômago ou no esôfago deve ser realizada imediatamente, mas requer anestesia geral, aplicada após exames básicos.

No procedimento, uma pinça de apreensão é acoplada ao endoscópio, introduzido via oral. Em casos de ingestão de objeto perfurante, pode ser indicada a remoção cirúrgica, através da laparotomia, que envolve abertura da cavidade abdominal.

Como saber se meu animal precisa fazer endoscopia?

Seu animal deve ser levado ao hospital caso apresente os seguintes sinais:

  • Regurgitação;
  • Vômitos;
  • Disfagia (dificuldade de deglutição);
  • Salivação excessiva;
  • Perda de peso;
  • Anorexia;
  • Tosse;
  • Diarreia;
  • Disquesia: dificuldade de defecação;
  • Dificuldade respiratória;
  • Epistaxe: sangramento nasal.

Alguns desses sinais podem indicar doenças multifatoriais como neoplasias, emergências como torção gástrica e ingestão de objetos ou infecção por diversos tipos de bactérias, entre elas a helicobacter, que provoca gastrite crônica.

Outros exames, como radiografia e ultrassonografia, podem detectar alterações ou presença de corpos estranhos no interior desses órgãos, sem que haja sinal precedente. Nesses casos a endoscopia é indicada para biópsia ou remoção.

Torção gástrica (ou vólvulo gástrico, ou dilatação vólvulo gástrico)

Problema no qual há dilatação e excessiva formação de gases a partir da fermentação do conteúdo alimentar. O processo faz com que o estômago do animal gire sobre o próprio eixo. Pode levar à morte em poucas horas. Geralmente é causado por alimentação inadequada ou excessiva. A endoscopia auxilia desfazendo a torção na porção do duodeno, região do cárdia, depois drenando o gás em excesso.

Como é realizada a endoscopia?

O animal é deitado para o lado esquerdo, com a cabeça e o pescoço estendidos. Já sedado, ele recebe um tubo endotraqueal para manter a respiração.

O endoscópio é introduzido via oral. Quando o aparelho alcança o esôfago, o órgão deve receber uma boa quantidade de ar para melhor visualização, até chegar ao estômago.

Na câmara gástrica realiza-se mais uma insuflação do órgão para melhor observação. Ao final do procedimento é realizada a aspiração do ar e a retirada do endoscópio. O exame, somado ao tempo de anestesia, pode durar de 1 a 3 horas.

Antes do exame

O paciente encaminhado para esse exame é submetido à anestesia geral para evitar qualquer desconforto ou lesão acidental. Portanto, é necessária a realização de exames pré-anestésicos como:

  • Hemograma: pode identificar anemia ou infecção grave;
  • Análise bioquímica: examina parâmetros renais e hepáticos para avaliar se o animal tem condições de receber os fármacos usados na anestesia;
  • Avaliação cardíaca: mensuração da pressão arterial, eletrocardiograma, ecocardiograma.

Endoscopia digestiva alta:

  • Jejum alimentar de 12h;
  • Jejum hídrico de 8 horas.

Endoscopia digestiva baixa:

Nesse caso é recomendada a internação do animal 24 horas antes do exame, para execução do protocolo com eficácia.

No período ele passa por jejum de sólidos, consumindo apenas soro, água de coco, fleet enema e outros alimentos líquidos ou úmidos que apresentam baixa conversão alimentar, formando pouco bolo fecal e não atrapalhando o exame.

O paciente passa ainda pelo enema, um processo de lavagem da região final do trato digestivo que retira o excesso de fezes e facilita a visualização do lúmen e da mucosa para a realização da endoscopia.

Durante a internação, são administrados medicamentos que quebram a tensão superficial dos gases.

12 horas antes do procedimento,, é adotado jejum de alimento líquido e, a 4 horas deste, jejum hídrico.

Depois do exame

Após a endoscopia, o animal deve ser cuidadosamente monitorado em seu retorno anestésico. Geralmente, ele acorda desorientado. Ele deve estar sempre acompanhado e sua plena recuperação respeitada. A dieta se normaliza aos poucos.

  • Água em pequenas quantidades pode ser oferecida após 30 minutos;
  • Alimentos sólidos de 3 a 4 horas depois do exame, em pequenas porções.

A endoscopia provoca reações?

Embora incomuns, os efeitos negativos provenientes da realização do procedimento podem ocorrer. A maioria delas, porém, estão relacionadas à anestesia geral. Portanto, são muito importantes os exames pré-anestésicos e a monitoração para o retorno anestésico após o exame.

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