Mãe usando um brinquedo para estimular o bebê

Dra. Luciana Rocha

Agora que já se passaram 9 meses e o pequeno está em seus braços, o coração bate ainda mais forte à espera dos primeiros sinais de desenvolvimento. E você, que o acompanhou mês a mês de camarote, treme só de pensar que, a partir de agora, ele fique “para trás” em alguma coisa. Tudo o que passa pela sua cabeça é: como estimular o bebê?

Bem, preocupar-se excessivamente não vai ajudar o seu filho em nada, muito pelo contrário. Uma proposta muito mais interessante, por exemplo, é tirar o pé do acelerador, acompanhá-lo bem de pertinho e aplaudir a cada conquista que ele tiver em direção ao amadurecimento.

A grande verdade, aqui, é que sim, seu filhote vai sorrir, falar, engatinhar, correr, aprender a usar o penico e até mesmo andar de bicicleta. Porém, no tempo dele. É claro que existem alguns marcos do crescimento e desenvolvimento que acontecem de forma comum a todas as crianças, mas eles devem servir apenas como referência.

O segredo é: não adianta passar os carros na frente dos bois. Ao invés disso, que tal brincar muito com o seu pequeno e aproveitá-lo ao máximo? Acredite, não existem atividades mais estimulantes para os bebês do que o próprio contato e envolvimento dos pais.

Pensando nisso, preparamos uma série de atividades que você pode fazer com o bebê para incentivar, de forma divertida e natural, o desenvolvimento emocional, motor, intelectual e social dele. Vamos lá?

Atividades para bebês de até 6 meses

1. Rotina? Sim, muito obrigado!

Os pequenos, desde muito cedo, têm uma série de necessidades que precisam ser supridas para que eles cresçam e se desenvolvam bem. Sim, estamos falando de sono, alimentação e muita interação com os pais!

Sendo assim, crie um pequeno ritual para cada momento do dia que é importante para ele, ao invés de simplesmente fazê-lo.

Exemplos: na hora das mamadas, leve-o para um lugar mais calmo, aconchegue-se, cante uma música e aproveite. Durante o dia, separe algumas horas para que vocês brinquem juntos e use e abuse das formas, cores e sons disponíveis. Antes de dormir, dê um banho quentinho e relaxante no bebê, coloque uma música de ninar ao fundo, diminua um pouco as luzes da casa e desacelere!

Todos esses “preparativos” são muito importantes porque servem para que o seu filho, gradualmente, entenda o que está acontecendo à sua volta, que momento do dia ele está e o que é esperado dele a partir de então. Com o tempo, pode apostar que ele irá se adaptar tranquilamente à rotina da família!

2. Comunicação e imitação

Uma das atividades mais legais para estimular o bebê a se comunicar é imitar os sons que ele reproduz, simulando uma “conversa”.

Para isso, basta olhar nos olhos dele e, a cada balbucio que ele soltar, tente imitá-lo de volta e dê espaço para que ele responda novamente a esse estímulo. Depois de alguns minutos, você vai ver o quanto esse bate-papo terá rendido!

3. Cores, cores e mais cores!

A partir dos três meses, a visão do bebê está mais nítida e ele já começa a perceber mais as cores. Sendo assim, procure estimular a atenção e foco dele com brinquedos e figuras bastante chamativas.

Para isso, basta colocá-las na frente dele, simular historinhas com as formas e deixar que ele encoste nelas. Essa é uma boa oportunidade, também, para socializar o pequeno com objetos comuns do dia-a-dia como as naninhas, chupetas, roupinhas etc.

4. Comunicando e explicando

Uma excelente forma de estimular o seu bebê é conversar bastante com ele, mesmo que, a princípio, ele não entenda o que você está falando.

Tente contar a ele o que vocês estão fazendo no momento, apontar as pessoas da casa e apresentá-las a ele, narrar as atividades enquanto elas estão sendo realizadas e por aí vai. São alguns exemplos:

  • “Huuum. Sabe o que nós vamos fazer daqui a pouco? Papar! Para isso, o papai vai esquentar a sua papinha enquanto a mamãe te deixa bem confortável nessa cadeirinha. Gostoso, né? Ai, que fome!”
  • “E esse cheirinho, de onde está vindo? Acho que chegou a hora de checar a fralda, hein? Olha só, não é que ela está toda cheia? Vamos lá no quarto colocar uma novinha no lugar. Primeiro, a mamãe lava as mãos, pega a fraldinha e os lencinhos, enquanto o bebê fica deitadinho com o bumbum para o ar! Ah, que alívio!”
  • “Olha só quem vem ali! A mamãe! Olha como ela sorri para você. E quem é esse pequeno todo serelepe aqui na sala, pulando de um lado para o outro? Sim, é o seu irmão! Que brincadeira mais divertida!”
  • “Sabe quem são esses da foto? Esse moço todo barbudo e sério é o seu vovô, e essa moça bonita, de vestido colorido, é a vovó!”

5. “Achooou”

Durante os primeiros meses de vida, os bebês tendem a achar que o mundo só existe até onde eles conseguem enxergar. É por isso que, dependendo da circunstância, eles choram quando os pais se afastam.

Uma excelente forma, então, de mostrar que, mesmo se afastando por algumas horas, você voltará, é brincar de “se esconder” com ele. Como ele é muito novinho, colocar as mãos na frente do seu rosto, perguntar “cadê a mamãe?”, tirá-las e falar “achoooou” já é o suficiente.

Com o tempo, é possível avançar essa atividade para esconderijos alternativos como cobertores, portas, sofás etc e, mais importante que isso, mostrar que a separação faz parte da vida.

6. De barriga para baixo

Você sabia que o desenvolvimento motor dos bebês se dá no sentido da cabeça aos pés? Ou seja: primeiro, ele firma a parte de cima para, depois, encontrar o equilíbrio do restante do corpo. É por isso, inclusive, que os recém-nascidos mal conseguem manter a cabeça parada sem tombá-la.

Uma ótima forma de fazer com que o pequeno fortaleça a musculatura do pescoço, então, é colocando-o de barriga para baixo por alguns minutos todos os dias. Com o tempo, ele terá força o suficiente para rolar, sentar-se sozinho, engatinhar e andar!

Para isso, prepare o terreno colocando-o em uma superfície reta, porém macia, e tente estimulá-lo a olhar para você enquanto ele se mantêm nessa posição.

Atividades para bebês dos 6 aos 12 meses

1. Livrinhos e muita imaginação!

A partir dos 6 meses, o bebê já consegue segurar os objetos com mais assertividade e levá-los à boca, para “conhecê-los melhor”, digamos assim. Comece, então, a instigar a curiosidade do seu pequeno com livros de pano super coloridos, impossíveis de serem rasgados, e trabalhe a imaginação dele explorando os desenhos e as cores.

Deixe que ele vire as páginas, leia a historinha enquanto ele faz isso, aponte para os personagens, dê nome a eles, fale sobre as cores, formas e objetos e por aí vai.

2. Nada de colo!

Chegou a hora do pequeno explorar esse mundão e trabalhar ainda mais as suas capacidades motoras. Para isso, prepare o ambiente, coloque protetores nas quinas dos móveis e nas tomadas, elimine obstáculos como degraus e desnivelamentos, e deixe que o seu filho circule pelo espaço por conta própria.

Encoraje-o a querer explorar o território deixando os brinquedos mais espalhados pelo chão ou ao alcance dele, siga-o e faça com que ele siga você, rolem no chão juntos e por aí vai. O importante é começar a trabalhar a independência do bebê e nada melhor para isso do que deixar que ele descubra novos espaços e brincadeiras por conta própria.

3. Que som é esse?

Ah, os sons da cidade. Quem nunca foi agraciado, em plena luz do dia (ou da noite até), com sinfonias de buzinas, sirenes, foguetes, latidos, gritos, carros de sons etc?

Acontece que, diferente de nós, os bebês não entendem (ainda) o que os ruídos representam e, portanto, podem acabar se assustando ou se incomodando mais com eles.

Para evitar que esse tipo de surpresa desagradável aconteça, apresente a eles uma série de barulhos comuns ao nosso cotidiano! Isso pode ser feito por meio de brincadeiras (simulando a buzina de um carro, o som que um bichinho faz etc), contação de histórias e interações lúdicas com a “fonte” do barulho em si.

4. Descobrindo melodias e texturas

Apresente o mundo ao seu bebê por meio da música, das texturas e dos sabores. Dê alguns instrumentos para ele brincar como chocalhos, tecladinhos, guitarrinhas etc, ou toque alguma canção para ele no violão.

Deixe que ele tenha contato, também, com diferentes texturas como toalhas, cobertores, areia, massinha, pedrinhas, lixas, geleias, tintas etc (só tome cuidado para que ele não engasgue ou leve algo sujo à boca). Para tornar essas experimentações mais interessantes, envolva historinhas e dinâmicas no meio delas.

5. Espelho, espelho meu

Até os 2 anos de idade, os bebês não se identificam como “seres individuais”, mas sim como uma extensão de suas mães. Para ajudá-los a “quebrar essa parede”, então, e a se familiarizarem consigo mesmos, coloque-os de frente para o espelho de vez em quando e interaja com a imagem formada!

Exemplo: faça com que ele olhe para o seu reflexo, aponte para ele e fale: “Olha, essa é a mamãe!”. Depois, aponte para o pequeno e fale “Esse é você!”. Coloque-se, por fim, ao lado dele, e faça com que ele olhe para você e repita o processo.

6. Esconde-esconde 2.0

Chegou o momento de tornar o esconde-esconde ainda mais divertido. Para isso, esconda o brinquedo favorito do seu filho debaixo de um cobertor, por exemplo, e pergunte a ele onde o objeto foi parar. Incentive-o a procurá-lo fazendo questionamentos do tipo “será que ele está debaixo da cama?”.

Depois, faça isso consigo mesmo e com ele. Esconda debaixo da coberta e pergunte onde a mamãe está. Ou então, cubra o bebê com a mantinha e comece a indagar, em voz alta, onde ele foi parar! Eles ADORAM esse tipo de brincadeira, pode confiar.

Atividades para bebês dos 12 aos 24 meses

1. Aprendendo a dividir

Nenhum de nós nasce sabendo o que é, de fato, dividir e compartilhar. Sendo assim, não espere que seu filho o faça do nada, num piscar dos olhos!

Para exercitar a arte da partilha e estimular o bebê nesse processo, comece aos poucos. Durante as brincadeiras de montar, por exemplo, tente revezar com o pequeno na colocação dos blocos para que vocês, juntos, construam uma torre (que, minutos depois, será derrubada). Isso vale, inclusive, para qualquer outra atividade “a dois”.

Depois, procure encorajar a coletividade oferecendo comidinhas em um só recipiente para que mais crianças possam pegá-las (como uma vasilha de pipoca, por exemplo, ou um prato com pedaços de mexerica). Atenção: cão deixe que ninguém monopolize a refeição.

Por fim, nunca se esqueça de deixar bem claro que há oportunidades para todos durante as atividades. Se o seu filho quiser algum brinquedo que está com outra pessoa, por exemplo, reforce que agora é a vez dela e tente direcionar a atenção dele para outras opções disponíveis.

2. Jogo de apontar + o que é isso?

Depois de conversar muito com o seu pequeno, ler historinhas para ele e descrever suas atividades do dia-a-dia, chegou o momento de fazê-lo identificá-las por conta própria.

Durante uma contação de histórias, por exemplo, aponte para os personagens e pergunte qual é o nome deles, qual som eles fazem, qual é a cor da roupinha deles e por aí vai.

Em ambientes mais abertos, brinque do jogo de apontar. Indique algo com o dedo que você sabe que o pequeno entende o que é e pergunte “o que é isso?”. Aliás, isso vale para tudo: pessoas, objetos, formas, lugares, animais etc.

3. Mais exploração

De forma gradual, vá introduzindo ao pequeno novos lugares que não a sua casa. Leve-o para o parque, para o jardim dos avós, para o playground do prédio etc, e deixe que ele explore o local por conta própria.

Certifique-se de que esteja seguro durante 100% do tempo (evitando que ele coloque objetos tóxicos na boca, engasgue com algo, caia de um lugar mais elevado, machuque-se com espinhos, insetos etc) mas, ao mesmo tempo, deixe que ele explore o máximo de cores, formas e texturas possíveis. E ah! Sujar-se faz parte do processo!!!!!

4. Lidando com o medo

A partir dos 7 meses, o pequeno já começa a sentir emoções como o medo e a ansiedade, por exemplo, de forma concreta. Ele sofre quando os pais não estão por perto, sentem-se desconfortáveis na presença de estranhos e se sentem acuados em lugares desconhecidos.

Então, a melhor forma de lidar com isso é apresentá-lo a todas essas novas experiências por meio de brincadeiras e dinâmicas que, além de distraí-lo, farão com que ele entenda que aquela sensação ruim passa.

Sendo assim, quando você for trabalhar, por exemplo, anuncie desde cedo que ele ficará com outra pessoa e, se possível, deixe que ele se familiarize com ela alguns dias antes. Além disso, faça do retorno ainda mais agradável, brincando bastante com ele e deixando claro que o dia seguinte terá a mesma dinâmica.

O segredo, aqui, é socializar a criança com outras pessoas ANTES de deixá-la sozinha com elas, e explorar novos lugares juntos para que ele se torne familiar a ela.

Enfim…

Viu como estimular o bebê pode ser divertido? Existem várias opções que vão dar a ele capacidades motoras, intelectuais e sociais que vão prepará-lo para esse mundão afora!

No mais, se você quiser aprender mais atividades para estas e outras faixas etárias, deixe seu pedido aqui nos comentários que ficaremos muito felizes em concedê-los!

Cuidem-se, aproveitem seus pequenos e até a próxima!

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