Educadores: dicas para lidar com o autismo

Educadora fazendo exercícios com uma criança autista envolvendo lápis

Você sabia que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 1 a cada 160 crianças são diagnosticadas com transtorno do espectro autista (TEA)? De acordo com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o número de alunos com essa condição no Brasil aumentou em 37% nos últimos anos.
Além disso, é muito importante entender que, desde 2012, é proibido para qualquer escola (pública e privada) recusar a entrada de uma criança autista. O grande problema é que muitos profissionais ainda não estão preparados para trabalhar com pequenos que tenham TEA.
Pensando nisso, preparamos um texto com algumas informações e dicas de como lidar e educar estudantes autistas. Vamos lá?

O primeiro passo: saber identificar os sinais

Muitas famílias não conseguem identificar os sinais e sintomas de autismo em seus filhos até que eles fiquem um pouco mais velhos. E mesmo assim, dependendo do quadro clínico, pode ser que ele ainda seja confundido com “timidez”, “déficit de atenção” e por aí vai.
O primeiro passo, então, para qualquer profissional da área de educação é entender um pouco sobre o TEA, e saber como reconhecer seus sinais mais precoces. Para acessar nosso texto sobre os sinais e sintomas de alerta clique aqui.
Se houver a suspeita de algum aluno com transtorno do espectro autista, o melhor a se fazer é alertar seus superiores para que, juntos, vocês possam ter uma conversa com os pais. Aliás, se preciso, contem com a ajuda de psicólogos para que a informação seja transmitida do jeito mais esclarecedor, cuidadoso e carinhoso o possível. Afinal, essa não é uma notícia fácil de ser recebida.
No mais, cabe a família encaminhar a criança para avaliação diagnóstica.

Estude

Não existe um jeito fácil de falar isso, então vamos direto ao ponto: você, enquanto educador infantil, precisa investir em estudar sobre o autismo, assim como se informar sobre os outros transtornos psicológicos e de comportamento também.
Assim, estará preparado para lidar com todos os tipos de alunos, garantindo que eles recebam toda a ajuda necessária para construir os conhecimentos e habilidades necessários para uma boa qualidade de vida no futuro.

Fontes de informação sobre TEA:

Explore!

O ponto mais importante que um educador deve entender sobre a criança com autismo é que ela tem dificuldade para se comunicar e se conectar com seus colegas e professores.
Sendo assim, uma das melhores formas de desenvolver isso nela é promovendo atividades que trabalhem o seu lado social, trabalhando seus níveis de interação e suas relações (empatia, cooperação, coletividade etc). Mas claro, sempre respeitando o limite de cada criança.
No entanto, não podemos nos esquecer de oferecer a ela o que toda criança precisa, que é explorar o mundo e suas maravilhas! Isso envolve músicas, texturas, brincadeiras e muito mais.
Sendo assim, aí vão algumas atividades interessantes para se explorar em sala de aula:

1. O jogo dos nomes

Essa atividade, além de bastante divertida, é uma ótima oportunidade para que a criança com TEA aprenda os primeiros passos da comunicação com o outro.
Para o jogo, reúna seus alunos em um círculo para que todos possam se ver. Inicie essa formação com um “quebra-gelo” para que os pequenos percam um pouco da vergonha. Ele pode ser feito por meio de músicas, historinhas e o que mais você preferir.
Depois, comece a brincadeira apontando para si mesmo(a) e diga o seu nome (“Olá! Meu nome é …..). Em seguida, peça para que a criança à sua direita se apresente da mesma forma. Por fim, fale para ela apontar para outra criança que fará o mesmo e assim por diante.
O jogo dos nomes, no geral, é muito bacana porque desenvolve as habilidades sociais das crianças e faz com que elas se tornem mais familiares com seus colegas. Vale a pena tentar!

2. “Como você se sentiria se…”

Uma excelente forma de ensinar à criança com autismo algumas noções de empatia, cooperação e coletividade é fazê-la se expressar sobre essas emoções. E bem… existe forma melhor de fazer isso do que por meio de histórias e muita imaginação?
Funciona assim: durante uma contação de histórias como a da Branca de Neve, por exemplo, pergunte às crianças como elas se sentiriam se tivessem uma madrasta tão má, ou o que elas fariam para ajudá-la a fugir dela.
Procure sempre explorar diversos tipos de relações e suas funcionalidades. Atente-se para as atitudes dos personagens, suas escolhas e, principalmente, suas emoções. Isso vai fazer com que as crianças aprendam a se colocar no lugar do outro e entender o ponto de vista deles.
Que tal, nesse momento, você usar cartinhas visuais para facilitar o entendimentos das emoções?

3. Compartilhando experiências

Uma forma de entrosar seus alunos e incentivar as crianças autistas a compartilharem seus interesses, medos e afins (expressar-se, de forma geral), é separando um dia da semana para que todos possam apresentar algo que gostam muito.
Esse tipo de atividade permite tantas variações enriquecedoras que fica até fácil inseri-la em semanas temáticas e turmas específicas. Afinal, elas podem trazer livros, brinquedos, filmes, personagens, músicas, roupas e o que mais elas quiserem!
É muito bacana, também, ver o quanto os pequenos encontram amigos em dinâmicas como essa! Experimente-a e conte para nós aqui nos comentários como seus alunos se saíram! Vamos adorar saber tudo sobre eles!

4. Atividades!

Nossa última dica envolve um artigo que fizemos há um tempo. Nele, você vai encontrar 6 atividades incríveis para fazer com crianças autistas. Além de muita diversão, elas trazem diversas técnicas para fazer com que elas desenvolvam diversas habilidades e noções importantes para a vida!
Para acessá-lo, clique aqui! (link para o texto de atividades para crianças autistas).

Enfim…

A única forma de saber como lidar com um aluno autista é entendendo o mundo dele. E bem, se você está aqui é porque deseja ter esse tipo de conhecimento, então bem-vindo! Lembre-se, cada criança é única e especial.
Continue conosco para saber mais sobre o TEA e até a próxima.

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Neurologia

Médica, especialista em pediatria e neurologia pediátrica. Atende na Magno Veras Clínica Pediátrica, em Belo Horizonte.

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