Como cuidar de um paciente com demência e/ou Alzheimer?

Senhora idosa com alzheimer sentada em um sofá com sua filha atrás cuidando dela

Assumir os cuidados de um familiar enfermo costuma ser uma tarefa bastante complexa. Quando a demência, principalmente em decorrência do Alzheimer, faz parte do cenário, então, toda a situação se torna ainda mais difícil.
O primeiro passo para saber como lidar com tal circunstância, então, é compreender o básico do Alzheimer e entender, pelo menos, quais são os outros tipos de demência, mesmo que superficialmente. Afinal, as mudanças cognitivas e comportamentais decorrentes dessas condições podem ocorrer de forma imprevisível e, consequentemente, trazer bastante confusão ao paciente e ao restante da família.
O segundo passo é se familiarizar com os cuidados relativos a cada estágio dessas condições que, na maioria das vezes, progridem ao longo de 4/8 anos (ou mais) após o diagnóstico.
Já o terceiro passo é se planejar para eles com a ajuda de todos os envolvidos. Isso o ajudará a identificar os comportamentos que seu ente querido está exibindo e aprender a como lidar com eles.

Dica: se o seu parente está nos estágios iniciais de demência, ele pode não precisar de muitos cuidados. Logo, este é um bom momento para que você, ele e os familiares mais próximos planejem os próximos passos juntos. Assim, o paciente ainda poderá tomar boas decisões por si só.

Demência

A demência é, na verdade, um termo geral para quadros que envolvem perda de memória e/o comprometimento desta e outras habilidades mentais. Costuma ser grave o suficiente para interferir no dia a dia do paciente e é causada por uma série de mudanças físicas no cérebro.
O Alzheimer é o tipo mais comum de demência, mas existem muitos outros, como por exemplo:

  • Demência vascular: provocada pela falta de fluxo sanguíneo para o cérebro.
  • Mal de Parkinson: é muito comum que pacientes com essa doença desenvolvam, em algum momento de suas vidas, a demência.
  • Demência fronto-temporal: engloba uma série de tipos de demência que possuem um mecanismo em comum: afetar as partes frontal e lateral do cérebro, regiões que controlam a linguagem e o comportamento.
  • Demência senil: relacionada à idade.

Um pouco sobre o Alzheimer

O Alzheimer é um tipo de demência que afeta a memória, o pensamento e o comportamento. Para saber todos os detalhes possíveis sobre essa doença, basta clicar aqui.
O cérebro de uma pessoa com essa condição, por mais tarde que esta tenha sido diagnosticada, já começa a mudar muito antes da manifestação de sintomas e sinais mais evidentes.
É por isso que entender um pouco mais sobre seus estágios é essencial para o cuidador. São eles:

1. Alzheimer inicial

Durante a fase inicial do Alzheimer, seu ente querido ainda pode viver de forma independente. Isso inclui trabalhar, dirigir e ter uma vida social atividade. Porém, a pessoa pode demonstrar os seguintes sinais:

  • esquecer de eventos e compromissos recentes;
  • esquecer/confundir os nomes de pessoas conhecidas;
  • ter dificuldade com números e cálculos;
  • perder a capacidade de planejar e/ou organizar eventos;
  • apresentar problemas para listar coisas como compras, afazeres etc;
  • ter dificuldade para encontrar itens dentro de casa.

2. Alzheimer intermediário

O Alzheimer moderado tende a durar mais do que os outros estágios da doença. Em alguns casos, inclusive, o paciente pode permanecer nele por vários anos. Seus sintomas incluem:

  • maior perda de memória;
  • confusão;
  • problemas para fazer atividades que exijam muita concentração como pagar contas ou seguir instruções;
  • dificuldade para se vestir;
  • ter ataques repentinos de raiva;
  • inquietação.

3. Alzheimer tardio

É o último estágio do Alzheimer. O paciente, aqui, geralmente demonstra:

  • carência de atendimento 24 horas por dia, 7 dias por semana, com todas as suas necessidades diárias;
  • dificuldade para andar ou sentar sem ajuda;
  • problemas para comer e/ou engolir;
  • mudanças importantes na personalidade do indivíduo.

Ufa! Agora sim: como cuidar de um familiar com Alzheimer/demência?

Uma das coisas mais essenciais para um paciente portador de Alzheimer é ter uma rotina bem estabelecida. O planejamento dos horários das refeições, higiene pessoal, medicação e demais atividades diárias minimiza a confusão mental e a ansiedade do paciente.
Além desse, outros pontos merecem atenção:

1. Explicando a condição ao paciente

Uma das dúvidas mais comuns entre os cuidadores é: “Se um paciente com Alzheimer e/ou demência me pergunta o que há de errado com ele, como respondo?”
Nesse momento, é muito importante dizer a verdade. Até porque, muitas vezes, saber que essa é uma doença, e não um “atestado de insanidade”, dá certo alívio ao paciente.
Sendo assim, estabeleça um diálogo claro e cuidadoso. Explique toda a situação da melhor forma possível e não tenha medo de responder às dúvidas que vierem a seguir.
O importante é deixar claro para o seu ente querido que ele será muito bem cuidado por todos, e que está tudo bem.

2. Prepare o ambiente

Quando uma pessoa passa do estágio leve de demência para o moderado, algumas mudanças dentro de casa podem ser necessárias para reduzir o risco de acidentes e imprevistos.
Aqui estão alguns detalhes que devem ser considerados:

  • Avalie o ambiente: alguns cômodos da casa, naturalmente, são mais perigosos que os outros. São alguns exemplos: cozinha, banheiro e garagem. Então, certifique-se de tornar esses lugares mais seguros o possível, principalmente com relação à ferramentas e objetos perfuro-cortantes.
  • Evite catástrofes na cozinha: como extensão do primeiro tópico, é necessário garantir que o paciente não consiga ligar o fogão enquanto você (ou outra pessoa) não estiver por perto. As opções mais viáveis incluem a instalação de uma válvula de gás oculta, ou simplesmente a retirada dos botões do eletrodoméstico. O mesmo cuidado deve ser aplicado em aparatos semelhantes como fornos elétricos e micro-ondas.
  • Tenha os contatos de emergência em mãos: perto dos telefones da casa e na discagem rápida do seu celular, deixe uma lista com os contatos da equipe médica responsável pelo seu parente, e os números emergenciais (193 para bombeiros, 192 para o SAMU e 190 para a polícia).
  • Segurança e mobilidade em primeiro lugar: nunca subestime o poder de um bom antiderrapante, e das barras de apoio, principalmente quando o assunto envolve os banheiros!
  • Mantenha as passagens da casa bem iluminadas: muitos pacientes com demência costumam vagar durante a noite. Sendo assim, não os deixe no escuro! Ilumine as entradas da casa, as escadas, as portas, os corredores e os banheiros.
  • Extras: considere, também, remover os tapetes da casa e instalar travas de seguranças em armários e locais que possuem itens nocivos ao paciente (incluindo remédios, objetos pontiagudos, produtos de limpeza etc).

3. Certifique-se de ter um tempo para si mesmo

Quando o paciente se encontra nos estágios moderados e graves do Alzheimer ou da demência, é normal que o cuidador se sinta sobrecarregado e estressado. Em alguns casos, é possível até mesmo que ele desenvolva certos níveis de depressão e ansiedade.
Sendo assim, não hesite em procurar ajuda profissional quando a situação apertar, e certifique-se de tirar um tempo do dia para si mesmo.
Aproveite esses pequenos momentos para descansar, praticar suas atividades favoritas, meditar, encontrar-se com pessoas queridas, passar um tempo em família e por aí vai. O importante é se lembrar de que você também precisa relaxar e cuidar da própria saúde para conseguir assistir o outro.

4. Faça reuniões familiares regulares

Separe um dia do mês para reunir a família e, juntos, avaliar a situação e externalizar suas frustrações, dificuldades, planos e soluções.
Não se esqueça de estabelecer/esclarecer os próximos passos do tratamento com todos e se certificar de que ninguém se sinta sobrecarregado com a situação.

5. Preste atenção às mudanças nas necessidades físicas do paciente

Ao cuidar de pessoas com demência, a maior parte da atenção vai para a mudança do estado mental delas, especialmente com relação à memória. Porém, muitos pacientes com essa condição também tendem a desenvolver outras necessidades que, geralmente, passam despercebidas ou são confundidas com problemas comportamentais.
Fique de olho nas seguintes mudanças nos hábitos do seu ente querido:

  • ter mais dificuldade para se vestir (se você notar que isso está acontecendo, compre roupas mais fáceis de serem colocadas e retiradas);
  • perda na capacidade de se comunicar ou até mesmo falar (nesse caso, permaneça calmo, tenha paciência e encontre maneiras diferentes para se comunicar);
  • dificuldade para comer e/ou engolir (peça ajuda profissional. Pode ser necessária a aplicação de um acesso para dietas.

Enfim…

Cuidar de um parente com demência e/ou Alzheimer exige bastante esforço, mas nada que não possa ser resolvido, não é mesmo?
Agora, queremos saber de você: as estratégias aqui expostas foram úteis para o seu caso? Independentemente da resposta, conte sua história aqui em nossos comentários e, em caso de perguntas e/ou sugestões, não deixe de fazê-las, combinado? Teremos o maior prazer em respondê-las!
Um abraço e até a próxima!

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