Oftalmologista homem examinado catarata nos olhos de uma senhora

Adriana Bonfioli

A catarata nos olhos é a causa mais comum de cegueira reversível no mundo. Ela ocorre porque, com o passar dos anos, o cristalino perde progressivamente a sua transparência.
Este processo é mais evidente após os quarenta anos e comumente causa alterações na visão após a sexta década de vida.

Causas

Alterações na composição química do cristalino e desnaturação de suas proteínas levam à perda da elasticidade e da transparência. O envelhecimento é a principal causa da catarata, mas esta ocorre também associada a doenças oculares como uveítes (inflamação ocular), trauma ocular, diabetes e uso de medicamentos como os corticosteróides.

Na catarata congênita, de acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, o bebê nasce com opacidade do cristalino em um, ou ambos os olhos. Estes casos devem ser detectados e tratados precocemente para que não ocorra prejuízo definitivo na visão da criança.

Fatores de risco

  • Idade acima de 50 anos;
  • história familiar;
  • diabetes mellitus;
  • uso de corticoesteróides;
  • tabagismo;
  • cirurgia, inflamação ou trauma ocular prévios;
  • exposição excessiva ao sol sem o uso de óculos escuros.

Sintomas da catarata nos olhos

Inicialmente, o paciente que está desenvolvendo catarata pode relatar melhora da visão para perto. Isto ocorre porque as alterações no cristalino levam a uma miopização. Em um paciente hipermetrope, ocorre diminuição da hipermetropia e, em um paciente míope, um aumento da miopia.

As cores podem ficar mais apagadas e a dificuldade visual começa a ser percebida quando o ambiente tem pouca luminosidade. Fica mais difícil ler e dirigir à noite, por exemplo.

Os sintomas mais freqüentes em portadores de catarata nos olhos são:

  • visão embaçada;
  • dificuldade de enxergar à noite;
  • dificuldades para ler, costurar e dirigir;
  • diplopia (visão dupla);
  • mudança frequente do “grau” dos óculos e/ou lentes de contato.

Diagnóstico

A catarata progride lentamente e, muitas vezes, o paciente demora a perceber que há algo errado. Em um exame de rotina, o oftalmologista detecta a baixa de visão e observa a presença de opacidade do cristalino. Outras alterações oculares, que poderiam afetar também a visão, devem ser afastadas.

Catarata tem cura?

O tratamento da catarata nos olhos é feito por meio de uma cirurgia chamada facoemulsificação. Durante o procedimento, ela é removida e, no lugar, é implantada uma lente intraocular para corrigir o “grau” resultante da retirada da lente natural do olho.

Inicialmente, a baixa de visão provocada pela catarata não traz dificuldades para o paciente. Nesta fase, podem ser prescritos novos óculos, se houver mudanças, e o quadro acompanhado periodicamente pelo especialista.

A indicação de cirurgia depende de vários fatores:

  • Percepção do paciente: quando a catarata provoca alterações visuais incômodas ou limitantes para o paciente, a cirurgia deve ser considerada;
  • Densidade: em alguns casos, o cristalino se torna progressivamente denso sem causar perda visual importante. A cirurgia pode ser indicada pelo oftalmologista para evitar uma catarata nos olhos muito dura e com maior dificuldade de ser removida durante o procedimento;
  • Elevação da pressão ocular: a progressão da doença tende a elevar a pressão ocular. Em alguns pacientes, principalmente aqueles portadores de glaucoma, a cirurgia pode ser indicada mais precocemente para ajudar no controle da doença.
  • Doenças oculares associadas: em pacientes portadores de doenças como degeneração macular ou retinopatia diabética, a cirurgia pode ser indicada mais precocemente. A presença da catarata dificulta o exame do fundo do olho e, consequentemente, o acompanhamento e tratamento destas e de outras patologias.

Cirurgia de catarata: como funciona?

A cirurgia de catarata, chamada facoemulsificação, é realizada sob anestesia local e sedação leve. É um procedimento delicado, que envolve uma aparelhagem extremamente moderna e um cirurgião bem treinado.

  • Facoemulsificação: através de uma pequena incisão corneana (aproximadamente 2,0 mm), o cirurgião abre a cápsula do cristalino e realiza a emulsificação e aspiração da catarata. A lente intraocular é implantada dentro da cápsula para maior estabilidade. Não é necessária sutura da incisão.

    Esta técnica cirúrgica tem excelentes resultados, quando realizada por um cirurgião experiente. Na literatura são descritas taxas de sucesso em torno de 98%.

  • Laser femtosegundo: o laser pode ser utilizado na cirurgia de catarata para realizar a incisão corneana, a abertura da cápsula do cristalino (capsulorhexis) e a fragmentação inicial do núcleo. As outras etapas da cirurgia são realizadas através da facoemulsificação convencional. Com o laser consegue-se maior uniformidade nas incisões, porém, em relação ao resultado final, não há diferenças na taxa de sucesso da cirurgia com e sem o laser.

Lentes intraoculares

A simples remoção do cristalino tende a deixar o olho extremamente hipermetrope. Para evitar isso são implantadas lentes no momento da cirurgia. As lentes têm a capacidade de corrigir também alterações pré-existentes como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia.

O cálculo do “grau” das lentes é feito por meio de exames pré operatórios: topografia corneana e ecobiometria ultrassônica ou a laser. A topografia detecta as curvaturas da córnea e a ecobiometria mede o comprimento do olho. Utilizando estes parâmetros e fórmulas matemáticas, é possível calcular o “grau” da lente para atender a necessidade de cada olho. A escolha do tipo de lente intraocular a ser utilizada depende do perfil do paciente.

Material

Em relação ao material, as melhores lentes são feitas de acrílico, material inerte e que não interage com os tecidos e líquidos intra oculares. O resultado visual é excelente e duradouro, minimizando a chance de opacidade da lente ou da cápsula no pós operatório, como ocorria com as lentes de silicone, utilizadas antigamente.

Tamanho

Quanto ao tamanho, as lentes devem passar através da minúscula incisão feita na córnea, para evitar que esta seja ampliada e necessite de pontos. Por este motivo, as lentes utilizadas na grande maioria das cirurgia são dobráveis e implantadas no olho utilizando um injetor especial.

As lentes convencionais conseguem corrigir apenas a miopia, a hipermetropia e astigmatismos baixos. Após a cirurgia, o mais comum é que não sejam necessários óculos para longe, mas apenas para leitura. No caso de pacientes com astigmatismo acima de 1,00 grau, provavelmente serão prescritos óculos multifocais no pós operatório.

Melhores opções para cada caso

Atualmente, existem várias lentes de tecnologia bastante avançada, desenvolvidas para corrigir os astigmatismos maiores e até a presbiopia (vista cansada). Elas são chamadas de lentes Premium.

  • Lentes asféricas: as lentes convencionais são esféricas, ou seja, sua superfície anterior tem curvatura uniforme. As lentes asféricas são levemente planas nas suas margens, melhorando a qualidade visão e a ocorrência de glare (halos coloridos em torno das luz
  • es).

  • Lentes com filtro: algumas lentes incluem filtros que bloqueiam os raios ultravioleta e a luz azul, protegendo o olho dos raios nocivos associados a degeneração macular e outras doenças oculares.
  • Lentes tóricas: um paciente portador de astigmatismo acima de 1,00 “grau” e que não deseja usar óculos para longe após a cirurgia pode optar por uma lente intraocular tórica. Neste caso, posteriormente irá necessitar apenas de óculos para leitura.
  • Lentes multifocais e tóricas multifocais: têm o objetivo de corrigir o grau de longe, incluindo astigmatismo, e o de perto, possibilitando que o paciente não use mais óculos após a cirurgia. Existem vários tipos de lentes multifocais e sua escolha depende da experiência do cirurgião e do perfil do paciente.

Atenção!

É importante lembrar que o cálculo do grau das lentes intraoculares é feito por meio de fórmulas matemáticas e, por mais modernos e detalhados que forem os exames e programas, o resultado final pode não ser exato e, o paciente, provavelmente precisará de óculos no pós operatório. Além disso, a cicatrização é um processo individual e o resultado pode ser afetado por uma fração de milímetro na posição final da lente. Se necessário, o “grau” residual pode ser corrigidos com o uso de laser (cirurgia refrativa).

Complicações da cirurgia de catarata nos olhos

A ocorrência de complicações é rara na cirurgia de catarata por facoemulsificação quando realizada por um cirurgião experiente. Cuidados são tomados antes e depois da operação para prevenir infecção, que ocorre em menos de um caso em mil cirurgias. Outras ocorrências possíveis são edema macular, edema de córnea, hemorragia, descolamento de retina, deslocamento da lente intraocular, aumento da pressão ocular, astigmatismo e ptose.

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