Câncer infantil: conheça os tipos mais comuns

Mãos de adulto e criança segurando uma fita amarela de câncer sobre um fundo bege. O intuito é alertar sobre os tipos de câncer infantil mais comuns

O câncer infantil, no Brasil, é a primeira causa de morte entre os pacientes de 1 a 19 anos. Sim, esse dado é assustador, mas nem tudo está perdido. Acontece que, nas últimas 4 décadas, o tratamento para essa doença vem evoluindo cada vez mais. E, melhor que isso: quando diagnosticada precocemente, as chances de cura são enormes.
Pensando nisso, preparamos um texto com tudo que você precisa saber sobre o câncer infantil, seus tipos mais comuns, a visão geral dos quadros e as possibilidades de tratamento. Assim, você saberá como identificar os primeiros sinais dessa doença, entenderá mais sobre ela e procederá do jeito certo de agora em diante.
Vamos lá?

Afinal: o que é o câncer infantil?

Em qualquer paciente, de qualquer idade, o câncer é um crescimento descontrolado de células anormais que pode ocorrer em qualquer parte do nosso corpo.
O que difere o câncer infantil dos demais é que existem alguns tipos dessa doença que costumam acometer mais crianças do que adultos e, por isso, sua forma de tratamento pode ser diferente. Tudo depende da idade do paciente, assim como a gravidade do seu quadro e por aí vai.
Além disso, é importante ressaltar que a maioria dos casos de câncer em crianças não está ligada ao estilo de vida do paciente, ou a fatores de risco ligados ao meio externo, como acontece com os adultos.
Para entender melhor o que estamos falando, continue conosco!

Os tipos mais comuns de câncer infantil

1. Leucemia

A Leucemia é o câncer nos tecidos que “fabricam” o nosso sangue, incluindo a medula óssea e o sistema linfático. Acontece assim: durante o processo de produção do sangue, uma célula sanguínea que ainda não atingiu sua maturidade sofre uma mutação, tornando-se “doente”.
Essa célula, além de anormal e, portanto, não funcionar corretamente, começa a se multiplicar rapidamente, substituindo as células saudáveis pelas cancerosas.
Existem vários tipos de leucemia e os mais comuns em crianças são a Leucemia Linfoide Aguda (LLA) e a Leucemia Mieloide Aguda (LMA). Ambas podem causar dores nos ossos e articulações, fadiga, fraqueza, palidez, sangramento, hematomas, febre, perda de peso e outros sintomas.
O tratamento para essa doença pode ser bastante complexo, principalmente porque depende de uma série de fatores como o seu tipo, gravidade, idade do paciente etc. Para se ter ideia, são considerados desde a quimioterapia e outras medidas para controle de infecções e hemorragias, até o transplante de medula óssea.

Atenção: por ser um tipo de câncer agressivo, o diagnóstico precoce é essencial para o tratamento. Por isso, se você desconfia de que há algo de errado com o seu filho, não hesite em procurar por ajuda médica, combinado?

2. Tumores cerebrais

Os tumores cerebrais pediátricos ocorrem devido ao crescimento de células anormais no cérebro de uma criança, ou nos tecidos e estruturas que estão próximos a ele.
Existem vários tipos de tumores cerebrais infantis e, portanto, as chances de recuperação destes dependem de uma série de fatores como a sua localização no cérebro, se ele se espalhou, a idade e a saúde geral do paciente etc.
O tratamento para essa doença, em crianças, costuma ser bastante diferente da terapia em adultos e, por isso, é muito importante contar com o diagnóstico precoce e, claro, com especialistas pediátricos em neurologia e oncologia.

3. Neuroblastoma

É um câncer que se desenvolve a partir de células nervosas imaturas encontradas em várias partes do corpo, principalmente nas glândulas supra-renais e arredores. Costuma se desenvolver em bebês e crianças pequenas (até os 6 anos, aproximadamente), e suas causas permanecem desconhecidas.

  • Os principais fatores que influenciam o comportamento clínico dos neuroblastomas são:
  • estágio do tumor (extensão da doença);
  • idade no momento do diagnóstico;
  • classificação do risco patológico e genético.

Esses fatores são analisados em conjunto para classificar a doença em baixo, intermediário e alto risco. Essa classificação é utilizada para definir as estratégias de tratamento.
O tratamento varia desde quimioterapia e radioterapia, até cirurgia, transplante de medula óssea e imunoterapia.

4. Tumor de Wilms

O tumor de Wilms (também chamado de nefroblastoma) começa em um ou, em casos raros, nos dois rins, e também possui vários tipos e estágios.
É mais frequentemente encontrado em crianças de 3 a 4 anos. Pode aparecer como um inchaço ou caroço na barriga (abdômen) e apresentar outros sintomas como febre, dor, náusea ou falta de apetite.
O tratamento para essa doença varia de acordo com o seu estágio, mas geralmente envolve cirurgia, quimioterapia e, às vezes, radioterapia.

5. Linfomas

São cânceres que afetam qualquer parte do nosso sistema linfático, incluindo medula óssea, timo, baço, amígdalas e gânglios. Atualmente, existem mais de 70 tipos dessa doença que podem ser classificados em duas grandes categorias: linfoma de Hodgkin e linfoma não-Hodgkin.

  • linfoma de Hodgkin: acontece quando um linfócito (célula que protege o corpo dos vírus, bactérias e outros agentes infecciosos), geralmente do tipo B, sofre mutação, tornando-se canceroso (maligno) e se multiplicando descontroladamente. Costuma acometer as regiões do pescoço e tórax, mas com o passar do tempo pode se espalhar para outras partes do corpo. Os sintomas dependem de sua localização.
  • linfoma não Hodgkin: neoplasias linfóides em que as células malignas (derivadas de células de Reed-Sternberg/Hodgkin) são misturadas com uma população variada de células inflamatórias. É o tipo de linfoma mais comum durante a infância e os sintomas dependem de sua localização.

O tratamento clássico para o linfoma de Hodgkin envolve a poliquimioteparia (tipo de quimioterapia que utiliza múltiplas drogas) e, quando diagnosticado precocemente e tratado de forma adequada, tem grandes chances de cura. Já o não Hodgkin costuma ser tratado por meio de combinações de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia.

Afinal: o câncer infantil pode ser prevenido?

Ao contrário de muitos cânceres em adultos, os fatores de risco relacionados ao estilo de vida (como fumar, beber, não praticar exercícios físicos etc) não desempenham um papel significativo na probabilidade de uma criança ter câncer.
Alguns fatores ambientais, como a exposição à radiação, por exemplo, têm sido associados a um risco aumentado para alguns tipos de câncer infantil. Porém, em determinados casos, a exposição à radiação pode ser inevitável, como quando a criança precisa de radioterapia para tratar outro câncer.
O importante, no fim das contas, é entender que se seu filho desenvolver um câncer, é bastante improvável que exista algo que você ou seu pequeno possa ter feito para evitá-lo. O foco, a partir de agora, precisa estar na cura, e não na “falsa culpa”!

E, por fim: como funciona o tratamento do câncer infantil?

O tratamento para o câncer infantil é baseado principalmente no tipo e estágio (extensão) da doença. As principais opções utilizadas são:

  • cirurgia;
  • radioterapia;
  • quimioterapia;
  • imunoterapia;
  • alguns tipos de câncer infantil ainda podem ser tratados com quimioterapia em altas doses, seguida de um transplante de células-tronco.

Muitas vezes, a criança é submetida a mais de um tipo de tratamento.

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Oncologia

Médica, especialista em Oncologia clínica. Membro do corpo clínico da Oncomed BH, Hospital Governador Israel Pinheiro (IPSEMG) e Hospital Vera Cruz.

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