Veterinária examinando um cachorro com câncer e a criança tutora segurando na pata do animal com cara de preocupação

Dra. Beatriz Terenzi

O câncer é muito frequente nos animais. Para se ter ideia, um a cada quatro cães irá desenvolver essa doença em algum momento de suas vidas.

Pensando nisso, os especialistas do Convite à Saúde prepararam uma série de artigos em torno do tema, abordando desde os tipos de câncer mais comuns até seus diagnósticos, tratamentos e chances de cura.

Hoje, reunimos aqui os pontos mais importantes e gerais sobre o assunto e, claro, os links para os textos específicos. Vamos lá?

Por que o câncer é tão comum nos cães?

Veterinários de todo o mundo concordam: cada vez mais animais domésticos são diagnosticados com câncer. Isso ocorre porque:

  • os cães estão vivendo mais (a vacinação dos filhotes, a melhora nos métodos diagnósticos e os avanços nos tratamentos dentro da medicina veterinária reduziram muitas doenças que antes causavam a morte de animais jovens. Assim, os cães estão vivendo até idades mais avançadas e a ocorrência de doenças relacionadas ao envelhecimento, portanto, aumentou.
  • Existem fatores genéticos relacionados ao cruzamento entre cães da mesma descendência que podem favorecer o desenvolvimento do câncer.
  • Ultimamente, há uma exposição maior e mais frequente a fatores carcinogênicos do ambiente, o que aumenta incidência de câncer em humanos e animais domésticos.

Raças de cachorros em que o câncer é mais comum

O câncer é mais frequente em algumas raças de cães, entre elas:

Causas do câncer em cães

São os principais fatores de risco associados ao câncer em cães:

  • consumo de alimentos processados e ricos em conservantes, aditivos e corantes;
  • excesso de carboidratos na dieta;
  • obesidade;
  • excesso de vacinação;
  • excesso de exposição ao sol;
  • cruzamentos indiscriminados dentro da raça e entre cães com tendência a tumores;
  • castração realizada precocemente;
  • uso de medicamentos imunossupressores;
  • exposição a produtos de limpeza tóxicos;
  • exposição a agrotóxicos;
  • excesso do uso de medicamentos para controle de pulgas, carrapatos e repelentes de mosquitos;
  • exposição à poluição e fumaça de cigarro;
  • estresse e falta de bem-estar.

Sinais de câncer em cachorros

Para perceber se algo está errado com o cão, é preciso conhecê-lo bem. Para isso, é interessante avaliá-lo regularmente e, claro, manter as consultas de rotina com o veterinário em dia.

O quadro apresentado pelo cão com câncer varia de acordo com o tipo e a localização do tumor. Porém, algumas alterações podem servir de alerta:

  • nódulo ou massa crescendo no corpo do animal;
  • machucados que não cicatrizam;
  • cheiro ruim na boca ou ânus;
  • secreção ou sangramento pela boca, nariz, olhos, ânus;
  • secreção ou sangue nas fezes;
  • diarreia ou vômito;
  • sangue na urina;
  • dificuldade para urinar ou defecar;
  • barriga distendida;
  • perda de apetite;
  • perda de peso;
  • apatia;
  • dificuldade para respirar;
  • dificuldade para andar;
  • convulsões.

Tipos de câncer mais frequentes nos cães

Os tipos de câncer malignos mais frequentes nos cães são:

  • Câncer de mama.
  • Mastocitoma.
  • Linfoma.
  • Melanoma oral.
  • Osteosarcoma.
  • Hemangiossarcoma.
  • Adenocarcinoma da glândula anal.
  • Câncer de pulmão.
  • Câncer de tireoide.
  • Tumores cerebrais.
  • Câncer de bexiga.
  • Histiocitose maligna.

Diagnóstico do câncer em cachorros

O diagnóstico precoce aumenta as chances de sobrevivência do animal. Por isso, é recomendado que todos os pets sejam avaliados profissionalmente pelo menos uma vez por ano.

Se o profissional que acompanha o animal suspeitar de câncer, ele irá encaminhá-lo a um oncologista veterinário. Uma série de exames, então, pode ser utilizada para o diagnóstico da doença. São os mais comuns:

  • Hemograma e bioquímica: exames de sangue rotineiros não conseguem isoladamente diagnosticar o câncer, a não ser em casos de leucemia. Porém, fornecem informações sobre o estado de saúde do animal.
  • Citologia aspirativa: é um exame pouco invasivo, rápido e de baixo custo, realizado no consultório para se diagnosticar tumores externos.
  • Exames de imagem: radiografia, ultrassom e tomografia computadorizada são utilizados para o diagnóstico de tumores nos animais.
  • Biópsia: o exame histopatológico do tumor determina se a lesão é maligna e qual é o tipo de célula cancerosa presente.
  • Imuno-histoquímica e PCR: fragmentos da biópsia podem ser submetidos a testes ainda mais precisos para determinar o tipo de tumor, seu potencial de malignidade e o prognóstico do animal.

Tratamento do câncer em cachorros

O tratamento do câncer em cães é bastante diferente da medicina humana. A dose dos medicamentos quimioterápicos utilizada na medicina veterinária é menor e, consequentemente, causa menos efeitos adversos quando comparada à quimioterapia nas pessoas. A maioria dos animais, mesmo idosos, têm uma boa tolerância ao tratamento.

Recentemente, foram desenvolvidas algumas terapias-alvo que atuam em proteínas específicas da célula cancerosa, bloqueando seu funcionamento e comprometendo sua capacidade de multiplicação.

Por agir seletivamente nas células doentes, essa opção de tratamento tem menos efeitos colaterais que a quimioterapia convencional.

O câncer em cães tem cura?

O objetivo do tratamento do câncer na oncologia veterinária não é a cura, como na medicina humana, mas sim o aumento do tempo de sobrevivência, mantendo a qualidade de vida do pet. A doença entrar em remissão significa que o tumor parou de se expandir e se espalhar.

Como a idade cronológica dos cães se difere dos humanos, conseguir mais um ano de vida em um paciente veterinário equivale a um médico conseguir 4 a 5 anos de sobrevida em uma pessoa.

Como prevenir o câncer no meu cão

Os fatores ambientais representam 80% a 90% das causas do câncer. Por isso, todas as coisas que rodeiam o cão são importantes para uma vida saudável, desde o seu estado emocional até os objetos presentes na casa e os produtos de limpeza utilizados.

Aí vão algumas dicas importantes:

  • adote cães de porte compatível com o tamanho da sua casa;
  • forneça uma alimentação adequada para a raça, porte, idade e estado de saúde;
  • evite produtos de limpeza tóxicos para a casa;
  • evite vermifugar excessivamente, usar produtos com inseticidas ou dar medicamentos sem necessidade;
  • evite vacinar em excesso;
  • evite castrar animais jovens;
  • evite fumar, principalmente perto do animal;
  • ofereça brinquedos e espaços adequados para alimentação, sono, urina, fezes;
  • proporcione momentos de lazer e diversão;
  • invista no enriquecimento ambiental;
  • mantenha o ambiente da casa feliz e tranquilo;
  • faça passeios regulares;
  • leve-o para tomar um pouco de sol todos os dias;
  • mantenha limpos os materiais e objetos que ele usa (vasilhas, cama, casinha, etc.)
  • leve o cão para uma consulta de rotina anualmente.

O artigo sobre “Os Dez Pilares da Saúde do animal” resume tudo que podemos fazer para melhorar o bem estar, a saúde e a longevidade dos animais.

Perguntas frequentes

1- O que é câncer?

O câncer é uma doença multifatorial, mas que sempre envolve a ocorrência de mutações em uma célula previamente saudável. Ela se replica em velocidade acelerada e ganha capacidades como a de se espalhar pelo corpo, por exemplo, causando metástases, e de se defender do sistema imune do hospedeiro. É através dessas características que essa célula se transforma em uma doença.

2- O câncer em cães pode ser detectado em exames de sangue?

Exames de sangue não são, isoladamente, capazes de diagnosticar o câncer. Eles fornecem pistas que devem ser investigadas através de outros exames complementares.

3- Quando está indicada a eutanásia de um cachorro com câncer?

A qualidade de vida do cãozinho é sempre a prioridade para o tutor e o veterinário. Quando não se tem mais recursos de tratamento disponíveis, nem maneiras de se amenizar o sofrimento do paciente, a possibilidade de eutanásia deve ser discutida com o veterinário.

4- Como alimentar um cão com câncer?

Um cão com câncer tem uma demanda nutricional maior do que a de um animal saudável do mesmo porte e idade. Afinal, o tumor “consome” energia do organismo.

O emagrecimento é frequente nesses pacientes. Além disso, algumas doenças associadas e o próprio tratamento do câncer podem comprometer o apetite do animal. É importante, então, caprichar na dieta, incluindo alimentos apropriados para os cães e de alto valor nutritivo.

Um ponto muito importante é que o excesso de carboidratos na dieta é prejudicial, já que a célula tumoral obtém sua energia preferencialmente de glicose.

A dieta cetogênica tem sido utilizada com sucesso como terapia complementar no tratamento de diversos tipos de câncer em cães.

5- Existem tratamentos naturais para um cachorro com câncer?

Existem tratamentos naturais para melhorar a imunidade e ajudar o organismo do cão a combater a doença. Eles melhoram a saúde do animal e a resposta aos tratamentos oncológicos convencionais.

Alguns exemplos são:

  • óleos essenciais, como o de Olíbano (Frankincense);
  • fitoterápicos, como a erva chinesa Yunnan Baiyao e a artemisinina;
  • cogumelos, como o shitake, cogumelo-do-sol (Agaricus brasiliensis), cordyceps, Coriolus versicolor, reishi e chaga;
  • suplementos, como curcumina, ômega 3, Vitamina E, melatonina.

São muitas novidades na Oncologia veterinária e novas pesquisas são publicadas com frequência. Mantenha-se atualizado acompanhando as publicações do Saúde do Animal sobre o assunto!

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