Ginecologista fazendo exame de ultrassom em mulher para descobrir se ela tem câncer de ovário

Dra. Carolina Rutkowski

O câncer de ovário acontece quando suas células, a princípio normais, começam a sofrer mutações, tornando-se tumorais e se replicando desordenadamente.

Para entender melhor: os ovários são órgãos do sistema reprodutivo da mulher. Sua função é produzir hormônios sexuais femininos e armazenar ovócitos.

Tipos de câncer de ovário

Existem três principais subtipos de câncer de ovário, cada um deles originado de um tipo de célula. São eles:

  • tumor de células epiteliais: surge na superfície do ovário (epitélio). É o mais comum e ocorre com maior frequência em mulheres de 50 a 65 anos;
  • tumor de células germinativas: acomete as células reprodutivas dos ovários e é raro;
  • tumor de células estromais: surge nas células do tecido conjuntivo é também é muito raro.

Segundo a estatística do INCA (Instituto Nacional de Câncer), esperam-se 6.650 novos casos de câncer de ovário no Brasil para o triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco estimado de 6,18 diagnósticos dessa doença a cada 100 mil mulheres.

Quais os principais fatores de risco para câncer de ovário?

  • Idade (carcinoma epitelial);
  • histórico familiar de cânceres de ovário e de mama (mutações dos genes BRCA1 ou BRCA2);
  • Outros: menarca precoce, menopausa tardia, obesidade e tabagismo.

Sintomas

Na maioria das vezes, o câncer de ovário, em estágios iniciais, não causa sintomas. Normalmente, o diagnóstico acontece após um exame pélvico ou de imagem, como um ultrassom, por exemplo, que foi feito por outro motivo.

Em estágio avançado, costuma causar poucos e inespecíficos sintomas que, inclusive, muitas vezes são confundidos com condições benignas mais comuns. Porém, ainda assim, pode provocar:

  • inchaço ou inchaço abdominal;
  • sensação mais rápida de saciedade;
  • perda de peso;
  • desconforto na área da pelve;
  • alterações nos hábitos intestinais, como constipação;
  • necessidade frequente de urinar;
  • dor nas costas;
  • menstruação irregular;
  • desconforto durante a relação sexual.

Qual exame deve ser realizado para diagnóstico de câncer de ovário?

Primeiramente, deve ser realizado um exame de imagem (geralmente, costuma ser o ultrassom).

Se identificado tumor, nódulo ou cisto suspeito no ovário, é necessário realizar um procedimento para biópsia, que é a retirada de uma parte do tecido para análise microscópica.

Atenção: somente a biópsia poderá confirmar o diagnóstico de câncer de ovário.

Na maioria das vezes, isso envolve uma cirurgia chamada “histerectomia total com salpingo-ooforectomia”. Nela, o médico remove os ovários, as trompas que conectam os ovários ao útero (chamados trompas de falópio) e o útero.

Como é o tratamento para o câncer de ovário?

Para a maioria das mulheres, a cirurgia para remover o câncer é a primeira parte do tratamento. Os procedimentos adicionais dependerão muito do estágio do câncer.

Algumas mulheres podem não precisar de mais tratamento após a cirurgia. Outras mulheres podem precisar de tratamento adicional, que inclui quimioterapia.

O que é estadiamento do câncer?

Estadiamento é o termo usado para definir em que estágio o câncer está, ou seja, se ele está localizado no ovário, acometeu órgãos próximos ou já há metástases à distância.

O estadiamento do câncer de ovário é cirúrgico. É o cirurgião ou ginecologista que, ao realizar a cirurgia, avalia a extensão da doença.

O que é quimioterapia?

Quimioterapia é o termo que denomina os medicamentos utilizados para atacar as células do câncer. É utilizada para o tratamento do câncer de ovário e é, na maioria das vezes, endovenosa. Ela pode ser utilizada antes ou após a cirurgia.

Mas existem também opções de medicamentos utilizados por via intraperitoneal (aplicados diretamente dentro do abdome) e via oral.

O que é o CA 125?

CA 125 é uma proteína no sangue cujos níveis podem se elevar quando uma mulher tem câncer de ovário.

Entretanto, esta proteína pode ter o seu valor elevado em outras condições clínicas. Sendo assim, não se trata de um exame confirmatório.

Infelizmente, não há análises ao sangue que possam dizer com certeza se uma mulher tem câncer de ovário.

O que acontece após o tratamento?

Após o tratamento, o paciente é acompanhado periodicamente pelo oncologista e ginecologista. Durante este acompanhamento, são realizadas consultas, exame físicos, exames de sangue e de imagem.

É importante, também, a auto-observação e procura por atendimento médico para avaliação em caso de aparecimento de sinais ou sintomas novos.

O câncer de ovário pode ser prevenido ou rastreado?

Rastrear um câncer é procurar, por meio de exames, sinais precoces da doença em pessoas que não apresentem sintomas. Isso é também chamado de prevenção secundária.

O objetivo do rastreio é encontrar o câncer mais cedo, antes que ele possa crescer, espalhar-se ou causar problemas. Infelizmente, não há evidências fortes de que o rastreamento do câncer de ovário realmente ajude as mulheres a viver mais e não está claro quem deve ser rastreado.

Até o momento, os especialistas concordam que:

  • mulheres com baixo risco de câncer de ovário (sem história familiar) não precisam ser rastreadas;
  • mulheres que têm histórico familiar de câncer de ovário ou alterações genéticas que aumentam as chances desta doença devem ser acompanhadas por um especialista.

Quais são as alterações genéticas que aumentam as chances de câncer de ovário?

Os dois genes mais frequentemente associados ao risco de câncer de mama e ovário são chamados BRCA1 e BRCA2.

Como os genes são transmitidos nas famílias, as pessoas que têm parentes com câncer de mama ou de ovário às vezes fazem testes genéticos para descobrir se têm versões anormais destes genes.

Ao realizar esses testes, eles podem descobrir se precisam tomar medidas especiais para se proteger.

E, por fim: quem deve fazer um teste para saber se tem mutação do BRCA?

Uma pessoa tem indicação de realizar a pesquisa de mutação do BRCA se:

  • possui dois ou mais parentes próximos (pais, irmãos ou filhos) com câncer de mama ou ovário, especialmente se um ou mais parentes foram diagnosticados antes dos 50 anos;
  • possui um familiar próximo com mais de um câncer, como câncer de mama bilateral, ou câncer na mama e no ovário;
  • possui familiares de diferentes gerações com câncer de mama ou ovário.

Observações:

  • é importante ressaltar, entretanto, que ter um histórico familiar forte de uma doença nem sempre significa que se tem alterações genéticas favoráveis a ela;
  • a minoria dos cânceres de ovário são de etiologia genética.

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