Bebê prematuro dormindo em incubadora

Dra. Denise Brasileiro

Você sabia que, somente no brasil, 1 em cada 10 bebês nascem antes da hora? Quando isso acontece, eles recebem o nome de “prematuros” e necessitam de uma série de cuidados após o parto.

Com o objetivo de “controlar” esse dado tão preocupante, foi criada a campanha do Novembro Roxo, aproveitando o gancho de que no dia 17/11 é celebrado o Dia Mundial da Prematuridade. Seu objetivo é conscientizar as pessoas sobre a prematuridade, educá-las para evitar que isso aconteça e ajudá-las, claro, a entenderem como cuidar dos bebês que “chegam antes da hora”.

Inspirada por esse tema, decidi que, hoje, você vai sair daqui entendendo tudo o que precisa sobre a prematuridade. E sim, estou falando dos seus fatores de risco, dos cuidados que ela exige e dos principais quadros que acometem os bebês que nasceram antes da hora. Preparado(a)? Vamos lá!

Afinal: o que é a prematuridade?

É quando um bebê nasce antes das 37 semanas de gravidez. Neste caso, ele recebe os nomes de “prematuro”, ou “pré-termo”.

Apesar de serem classificados em diferentes grupos (falarei mais sobre isso no próximo tópico), os pequenos que vêm ao mundo antes da hora possuem uma série de características em comum. São elas:

  • baixo peso;
  • cabeça desproporcional ao resto do corpo (ela costuma ser maior que o usual);
  • pouco cabelo;
  • baixo teor de gordura sob a pele;
  • pele e orelhas finas;
  • veias visíveis;
  • musculatura fraca;
  • baixo reflexo de deglutição (engolir) e sucção (sugar).

A classificação dos prematuros

Para além de todas as características listadas acima, os bebês prematuros são classificados de acordo com o tempo de gestação. Sendo assim, os pequenos ainda são divididos em:

1. Idade gestacional

  • prematuros limítrofes: nascidos entre 37 e 38 semanas;
  • prematuros moderados: nascidos entre 31 e 36 semanas;
  • prematuros extremos: nascidos entre 24 e 30 semanas;

2. Peso

  • baixo peso: quando o bebê nasce com menos de 2kg;
  • muito baixo peso: quando o bebê nasce com menos de 1,5kg;
  • extremo baixo peso: quando o bebê nasce com menos de 1kg.

O que causa a prematuridade?

O trabalho de parto prematuro pode ter várias causas. As mais comuns são:

  • estar grávida de mais de um bebê;
  • ter gestações muito próximas (menos de 9 meses entre ambas);
  • não fazer o pré-natal da forma correta;
  • fertilização in vitro;
  • consumir álcool, fumo e drogas durante a gravidez (ilícitas ou não);
  • estresse;
  • ter doenças crônicas como diabetes, hipertensão, obesidade etc;
  • malformações uterinas e/ou fetais;
  • infecção no útero ou em outras partes do corpo;
  • pré-eclâmpsia;
  • síndrome de Hellp (complicação grave decorrente da pré-eclâmpsia);
  • insuficiência istmo-cervical (dilatação do útero antes do fim da gravidez);
  • descolamento prematuro da placenta;
  • placenta prévia (implantada na parte inferior do útero, ao invés da superior);

Como saber se estou em trabalho de parto prematuro?

Se você apresentar um ou mais destes sintomas a seguir, pode ser que seu corpo esteja entrando em trabalho de parto prematuro:

  • contrações ritmadas (de 10 em 10 minutos, ou mais);
  • dor na região da lombar;
  • cólicas;
  • diarreia;
  • sensação de pressão na pélvis;
  • alterações visíveis na secreção vaginal.

Quais são os perigos da prematuridade?

Bebês prematuros nascem antes que seus corpos e sistemas tenham amadurecido completamente. Por isso, eles podem precisar de ajuda para respirar, comer, combater infecções e se manterem aquecidos.

São alguns dos problemas mais comuns que os bebês prematuros podem ter:

  • problemas respiratórios: pré-termos costumam apresentar uma carência significativa em surfactantes pulmonares, proteínas que permitem a realização da troca de gases entre o ar e o sangue, que acontece nos alvéolos. Isso pode fazer com que o pequeno, inclusive, precise da ajuda do CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) para respirar, ou até mesmo da ventilação mecânica, até que seus pulmões estejam amadurecidos.
  • problemas de sangue: inclui baixa contagem de glóbulos vermelhos (anemia), pele de coloração amarelada (devido ao aumento da quebra de glóbulos vermelhos em bilirrubina) e baixos níveis de açúcar no sangue (hipoglicemia).
  • problemas digestivos: inclui problemas na alimentação e má digestão. Em alguns casos, inclusive, pode haver inflamação e até mesmo a morte de algumas partes do intestino (enterocolite necrosante). O tratamento, aqui, pode variar desde mudanças na dieta até alimentação intravenosa, ou ainda cirurgia.
  • problemas no sistema nervoso: inclui sangramento no cérebro (hemorragia) e/ou convulsões ainda nos primeiros dias de vida.
  • problemas cardíacos: bebês prematuros costumam ter complicações como a persistência do canal arterial. Funciona assim: o feto, durante toda a gestação, possui esse canal aberto, o que permite que o oxigênio chegue pela placenta. Ao nascer, este canal se fecha e o sangue é bombeado naturalmente do coração aos pulmões. No pré-termo, esse canal pode não se fechar completamente, causando insuficiência cardíaca.
  • retinopatia da prematuridade: é o crescimento anormal e desorganizado dos vasos sanguíneos da retina (camada mais profunda dos olhos). Em função desse descontrole, os vasos podem sangrar (causando hemorragia) e até mesmo fazerem com que a retina se descole, provocando a perda de visão.

E quais são os cuidados especiais que o prematuro deve receber?

Por fim, chegou o momento de listar alguns dos cuidados mais comuns que o bebê prematuro recebe. Vale ressaltar, no entanto, que cada indivíduo é único, com suas próprias necessidades e tratamentos. Por isso, NUNCA hesite em procurar a ajuda de um pediatra para cuidar do seu pequeno.

Vamos lá?

  1. O teste do pezinho, realizado no CTI, deve ser repetido assim que o bebê se desenvolver por completo.
  2. O bebê pode precisar ser medicado com Palivizumabe, medicamento que previne a infecção pelo vírus respiratório sincicial (VSR), responsável pela bronquiolite e bronquite de repetição.
  3. Uma dose a mais de vacina contra Hepatite B deve ser tomada.
  4. As visitas domiciliares ao bebê após a alta do CTI devem ser evitadas ao máximo durante os primeiros 30 dias.
  5. Evite que o bebê visite lugares com muitas pessoas por, pelo menos, 30 dias. Ainda assim, o ideal são 60.
  6. A amamentação faz muita diferença e deve ser incentivada. O prematuro não deve ficar sem receber o leite por longos intervalos, pois pode ter hipoglicemia. Contudo, ele não pode mamar muito tempo, porque a sucção consome bastante energia.
  7. Uma estimulação adequada desde a alta do CTI, por profissionais especializados como fonoaudióloga, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional etc, é essencial para o desenvolvimento do bebê.
  8. A introdução alimentar do prematuro deve levar em consideração a idade corrigida. Exemplo: se o bebê nasceu com 32 semanas, precisa de mais 8 para chegar a termo (40). Se ele chega no consultório com 12 semanas, a idade cronológica é de 12 semanas, e a idade corrigida de 4 semanas. Caso a alimentação complementar seja introduzida aos seis meses, nesse bebê do exemplo anterior ela deve ser iniciada aos 8 meses.
  9. A alimentação complementar deve ser introduzida quando o bebê for capaz de se sentar sozinho, firmar o pescoço ( sustentando a cabeça) e pegar objetos com as mãos.
  10. Por ter imunidade mais baixa, o prematuro deve aguardar mais um pouco para iniciar a creche/escola.

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