Autismo: o que é, sintomas e tratamento

Menina autista segurando seu ursinho de pelúcia e olhando fixamente para ele. Fita símbolo do autismo ao fundo

Uma criança que não olha nos olhos, não gosta de ser abraçada ou beijada, prefere brincar sozinha e escolhe sempre as mesmas atividades, pode ser autista.
O autismo – ou Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) – é um distúrbio do desenvolvimento que causa prejuízo nas áreas de comunicação e interação social, além de apresentar comportamentos repetitivos e restrição nos interesses e atividades da criança.
É importante entender que a condição pode variar desde indivíduos de alto funcionamento, como os portadores da síndrome de Asperger, até casos em que há comprometimento da linguagem e deficiência intelectual.
Os quadros leves podem ter total independência e uma vida normal, enquanto os casos mais graves serão completamente dependentes para todas as atividades de vida diária.

Não existe um só tipo de autismo. Ele se manifesta de maneira única em cada pessoa.

O diagnóstico de uma pessoa com autismo deve ser o mais precoce possível. Iniciar o tratamento quando ela é bem jovem, de preferência antes de completar três anos, tem maiores chances de fazer com que a criança alcance todo o seu potencial.

Então o que é o autismo?

O autismo é definido como um distúrbio complexo do neurodesenvolvimento, com amplo espectro de manifestações clínicas. É caracterizado por prejuízos na interação social (tanto comunicação verbal, quanto não verbal) e por apresentar padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento, interesses e atividades.
Esses sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento e causar prejuízos na vida social/profissional do paciente, ou outras áreas importantes.
Vale ressaltar, também, que por se tratar de um espectro de sinais e sintomas, o autismo pode ser associado, ou não, ao comprometimento intelectual e de linguagem, ou ainda a outras condições médicas.
O grau de acometimento varia desde quadro leves e com total independência, até aqueles que serão completamente dependentes para todas as atividades de vida diária.

Estamos vivendo uma epidemia de autismo?

Afinal: a prevalência do autismo no mundo está aumentando?
Na verdade, não. O que temos, atualmente, é uma melhor definição dos critérios diagnósticos, melhor atenção primária e mais conscientização sobre o assunto. Condições que antes eram subdiagnosticadas, agora apresentam critérios mais bem estabelecidos.
Por exemplo, pacientes com autismo de alto funcionamento, como os portadores de síndrome de Asperger, muitas vezes não eram diagnosticados como TEA.
Da mesma forma, o autismo pode estar associado a algumas síndromes genéticas como a de Down, do X frágil e o diagnóstico também pode ser mascarado nessas situações.
Não existe um exame laboratorial ou teste comportamental específico para o autismo. Trata-se de uma condição multifatorial, na qual fatores genéticos e ambientais se combinam para aumentar o risco de ocorrer a doença.

Desenvolvimento infantil

Mesmo em bebês e crianças pequenas, é possível detectar sinais que indicam que alguma coisa não vai bem. O desenvolvimento infantil tem marcos importantes, característicos de cada idade, e a criança deve passar por eles de forma ordenada.
Uma criança com 6 meses sustenta bem a cabeça, segura objetos, começa a se sentar com apoio e, quando deitada, rola nas duas direções.
A partir dos 12 meses, o bebê provavelmente já está tentando ou consegue andar. Ele começa a aprender algumas palavras e identifica partes do corpo.
Entre 2 e 3 anos, a criança já tira os sapatos, chuta a bola e dança. Curiosa, mexe em tudo que encontra.
Dos 3 aos 4 anos, ela já segura o lápis e consegue desenhar. Já é mais sociável e gosta de brincar com outras crianças. Entende as rotinas e os sentimentos dos outros.
Entre 4 e 5 anos, ela usa a tesoura, usa bem os talheres e tem um vocabulário bem rico.
É claro que cada criança tem o seu tempo, e ocorrem variações normais nas etapas do desenvolvimento de cada uma. Porém, se algum atraso ou problema for identificado, o pediatra deve ser avisado imediatamente.

Para saber mais sobre as etapas do desenvolvimento infantil, acesse aqui a Cartilha “Aprenda os sinais. Aja cedo.” da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI).

Sinais de autismo: fique atento!

Se a criança apresentar algum dos sinais listados abaixo, procure ajuda!

Dificuldade na interação social

A criança:

  • não olha nos olhos dos outros mesmo quando alguém fala com ela, estando bem próximo;
  • tem comportamentos inadequados, rindo ou gargalhando fora de hora, durante velórios, cerimônias de casamento ou batizados, por exemplo;
  • não gosta de carinho ou afeto e, por isso, não se deixa abraçar ou beijar;
  • tem dificuldade em relacionar-se com outras crianças e, por isso, prefere ficar sozinha;
  • repete sempre as mesmas atividades e brinca sempre com os mesmos brinquedos.

Dificuldade de comunicação

  • A criança sabe falar, mas prefere ficar calada por horas, mesmo quando fazem perguntas a ela;
  • a criança refere a si mesma com a palavra: você;
  • repete a pergunta que lhe foi feita várias vezes seguidas, sem se importar em estar chateando os outros;
  • mantém sempre a mesma expressão no rosto e não entende gestos e expressões faciais dos outros;
  • não atende quando é chamada pelo nome, como se não estivesse ouvindo nada, apesar de não ser surda e de não ter nenhum comprometimento auditivo;
  • olha com o canto do olho quando se sente desconfortável;
  • quando fala, a comunicação é monótona e em tom pedante.

Alterações comportamentais

  • A criança não tem medo de situações perigosas, como atravessar a rua sem olhar para os carros e chegar muito perto de animais possivelmente agressivos, como cães grandes;
  • tem brincadeiras estranhas, dando funções diferentes aos brinquedos que possui;
  • brinca com somente com parte de um brinquedo, como a roda do carrinho, por exemplo;
  • parece não sentir dor e até mesmo gostar de se machucar, ou de machucar os outros de propósito;
  • leva o braço de outra pessoa para pegar o objeto que ela deseja;
  • olha sempre na mesma direção como se estivesse parada no tempo;
  • fica se balançando para frente e para trás por vários minutos ou horas, ou torce as mãos e dedos constantemente;
  • tem dificuldade em se adaptar a uma nova rotina, ficando agitada e podendo se auto agredir, ou ainda agredir os outros;
  • ficar passando a mão em objetos, ou tem fixação por água;
  • fica extremamente agitada quando está em público, ou em ambientes barulhentos.

O acompanhamento pediátrico regular é importante nos primeiros anos de vida. Qualquer sinal de alerta deve ser relatado ao médico para que a criança seja avaliada por especialistas e encaminhada quanto antes para a intervenção precoce.
Além disso, as características listadas acima podem estar presentes em outras condições médicas, sendo fundamental a avaliação de um profissional experiente para garantir o diagnóstico correto.

O autismo tem cura?

Infelizmente, o autismo não tem cura. Porém, o tratamento iniciado precocemente, antes dos 3 anos, pode ajudar a criança a atingir todo o seu potencial.
As terapias podem ajudar a criança a se comunicar melhor, ser mais sociável, controlar os comportamentos repetitivos e inadequados, melhorar o aprendizado e a qualidade de vida.

Tratamento multidisciplinar da criança autista

O planejamento do tratamento depende das necessidades de cada paciente e geralmente envolve vários profissionais: médico, fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e psicopedagogo.
O apoio da família e da escola na manutenção diária das recomendações profissionais contribui muito para a melhora das capacidades da criança.
Por fim, reconhecer sinais de alerta, procurar ajuda profissional especializada em caso de qualquer suspeita e avaliar o tratamento multidisciplinar são fundamentais para garantir uma melhor evolução das crianças com autismo.

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Neurologia

Médica, especialista em pediatria e neurologia pediátrica. Atende na Magno Veras Clínica Pediátrica, em Belo Horizonte.

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