Frascos de óleos essenciais e tigela com flores e plantas usadas na aromaterapia

Luanda Guerra

Você já parou para pensar como as plantas se defendem naturalmente das pragas? Ou como elas possuem a capacidade de sobreviver em locais com baixíssimas temperaturas? Qual o mecanismo por trás da atração dos insetos polinizadores?

É certo que as plantas estão no planeta Terra há milhares de anos antes de nós, seres humanos. Portanto, é de se esperar que tenham desenvolvido mecanismos sofisticados de sobrevivência ao longo de sua história evolutiva.

Os óleos essenciais

As células vegetais possuem atividade metabólica, que costuma ser dividida em metabolismo primário e secundário.

Ao conjunto de processos metabólicos que desempenham uma função essencial no vegetal, tais como fotossíntese, respiração e transporte de solutos, denomina-se metabolismo primário. Já o metabolismo secundário origina compostos que não possuem distribuição universal, pois não são necessários para todas as plantas.

Alguns destes compostos são: taninos, flavonoides, alcaloides, pigmentos, ceras, ácidos graxos, óleos essenciais, dentre outros.

Os óleos essenciais agem como hormônios, reguladores e catalisadores, ajudando a planta a se adaptar ao meio ambiente, protegendo-a contra doenças e parasitas, atraindo certos insetos que fazem a polinização, dentre várias outras funções. Desta forma, possuem em sua composição agentes com função:

  • bactericida;
  • antifúngica;
  • anti-inflamatória;
  • cicatrizante;
  • antiviral;
  • antialérgica;
  • reguladora hormonal etc.

Mas afinal, o que são óleos essenciais?

Óleos essenciais são substâncias voláteis produzidas por plantas aromáticas. Estas substâncias são estocadas em forma de pequenas gotas entre as células vegetais, que podem estar nas folhas, pétalas, tronco, raízes e sementes. Por fim, podem ser extraídas das plantas por diversos métodos, sendo a destilação a vapor o meio mais comum.

Os óleos essenciais possuem uma complexidade química altíssima, o que lhes confere uma ampla ação em termos de tratamentos terapêuticos e estéticos. Acessando o portal do Pubmed, maior base de dados de publicações científicas no mundo, atualmente é possível encontrar quase 20 mil (!) artigos com o termo “essential oils” (óleos essenciais). Isso comprova o grau de importância da atuação destas substâncias como agentes terapêuticos em inúmeras enfermidades.

O Sistema Límbico

A Aromaterapia age em diversos níveis, desde a ação alopática devido à composição química dos óleos essenciais, até uma ação mais sutil no nível da informação e energia, semelhante aos medicamentos homeopáticos ou antroposóficos.

O sentido do olfato age principalmente no nível subconsciente. Os nervos olfativos são diretamente ligados à parte do cérebro mais primitiva, o sistema límbico. Este sistema, originalmente conhecido como rinencéfalo (“cérebro de cheiro”), é a parte do órgão que regula a atividade sensório-motora, responsável pelos impulsos primitivos de sexo, fome e sede, e está relacionado à memória e às emoções.

Existe, portanto, dentre muitas doenças psicossomáticas, uma intrínseca relação do nariz com os órgãos ou aspectos sexuais de expressão. Afinal, muitas doenças têm origem em aspectos repressivos e traumatizantes que se dão no período da infância do Ser.

Acredita-se, então, que os aromas possuem a chave para a cura de grande parte de tais distúrbios. Isso ocorre porque eles irão atuar diretamente no hipotálamo e no sistema límbico, onde sensações vividas anteriormente e instintos primitivos guardados serão tratados e curados.

Aromaterapia na prática

Os óleos essenciais podem ser empregados por meio de 3 formas principais:

  1. Inalação: é o meio mais rápido, prático e seguro. Pode ser feita por meio de difusores de ambiente, colares difusores pessoais ou sauna facial (vaporização em recipiente com água quente). Coloca-se 1 gota do óleo essencial, 3 vezes ao dia em difusor pessoal, ou 6 a 12 gotas em difusor de ambiente (dependendo do tamanho do local).
  2. Aplicação tópica: por meio de massagens, cosméticos, compressas, banhos, escalda pés etc. Requer um maior nível de conhecimento sobre os óleos essenciais, suas propriedades terapêuticas, constituintes, mecanismos de ação e formas de diluição. Afinal, eles não podem ser usados puros sobre a pele, já que alguns oferecem potencial fototóxico e dermo cáustico.
  3. Ingestão: exige um alto nível de conhecimento, uma vez que alguns óleos não devem ser ingeridos e outros não podem ser administrados diretamente na boca (preferencialmente por meio de cápsulas ou colher de mel). A posologia varia de óleo para óleo, e de acordo com o indivíduo. Por isso, deve ser feita sempre sob orientação de um Aromaterapeuta qualificado.

Por não ser aconselhável o uso de óleos essenciais puros na aplicação tópica, são comumente empregados óleos vegetais (ou óleos graxos) chamados carreadores. Eles servem de veículo para que os óleos essenciais penetrem na pele, permitindo a diluição adequada dos mesmos, além de possuírem inúmeras propriedades terapêuticas.

São geralmente obtidos a partir da prensagem a frio de sementes, nozes e amêndoas, como os óleos de gergelim, jojoba, oliva, abacate, semente de uva, linhaça, amêndoas e muitos outros.

Devido ao grande número destes produtos atualmente adulterados no mercado, é muito importante empregar óleos de alta qualidade. Eles não devem ser refinados, de primeira prensagem a frio e, preferencialmente, orgânicos, a fim de garantir as propriedades terapêuticas dos mesmos.

Uma palavra sobre segurança

Atualmente, a intoxicação pelo uso indevido de produtos naturais infelizmente apresenta casos de grande relevância. Por acreditar que substâncias naturais não geram riscos à saúde, muitas pessoas fazem utilização inadequada destes, acarretando em graves consequências.

Particularmente em relação aos óleos essenciais, por serem substâncias com princípios ativos altamente concentrados, este risco é ainda mais relevante. Atenção especial deve ser dada a gestantes, lactantes, idosos e crianças.

São alguns óleos considerados não seguros para utilização doméstica:

  • Orégano;
  • Sálvia comum;
  • Segurelha;
  • Tomilho;
  • Wintergreen;
  • Cravo-da-índia;
  • Canela.

Durante a gravidez, devem ser evitados os óleos mencionados acima e ainda os seguintes:

  • Hissopo;
  • Manjericão;
  • Manjerona;
  • Mirra.

Óleos que podem causar irritação em peles sensíveis, especialmente se usados em compressas e banhos:

  • Alecrim;
  • Capim-limão;
  • Funcho;
  • Manjericão;
  • Verbena-limão.

Óleos com potencial fototóxico (queimam a pele quando em exposição à luz solar):

  • Bergamota;
  • Grapefruit;
  • Laranja;
  • Limão ou qualquer outro óleo cítrico;
  • Verbena-limão.

Alguns óleos contra-indicados para crianças de até 8 anos de idade:

  • Eucalipto globulus;
  • Erva-doce;
  • Anis-estrelado;
  • Cedro;
  • Cipreste;
  • Hortelã pimenta;
  • Alecrim;
  • Tomilho, dentre outros.

O Futuro da Aromaterapia

Considerando o enorme potencial de cura dos óleos essenciais, associado à ausência de efeitos colaterais, capacidade de reforço do sistema imunológico, além de não causarem resistência bacteriana, a Aromaterapia apresenta-se como ferramenta valiosa para profissionais de saúde e seus pacientes.

A Aromaterapia, em si, pode e deve ser uma ferramenta complementar e integrativa de saúde, acrescentando qualidade de vida e cuidando da saúde integral do Ser.

Para isto, é necessário que todos (profissionais de saúde, Aromaterapeutas, pacientes, produtores e comerciantes de óleos essenciais) cuidem para que esta ferramenta não caia no risco perigoso da banalização, devido ao seu uso indiscriminado, à extração feita de forma não sustentável ou à comercialização antiética.

Somos todos responsáveis pelo futuro desta terapia que veio nos trazer equilíbrio e cura por meio das plantas!

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