Apraxia da fala na infância: o que você precisa saber?

Mão de fonoaudióloga segura um cubo com as letras A e P como parte da terapia para tratar menina com apraxia da fala na infância. A menina está com a boca aberta indicando que está emitindo algum som. Elas estão no consultório, na mesa tem outros cubos e atrás uma estante com livros e brinquedos.

A apraxia da fala (ou apraxia verbal) diz respeito a um distúrbio na sequência dos sons durante a reprodução de um discurso. Em outras palavras, a pessoa tem dificuldade em dizer o que deseja de forma correta e consistente.

Isso acontece, basicamente, porque a apraxia afeta as vias cerebrais responsáveis pelo processamento dos movimentos necessários para a produção da fala. O cérebro sabe o que quer dizer, mas não consegue organizar e reproduzir, de forma sequenciada, os movimentos requeridos para reproduzir a sequência dos sons da fala em uma palavra.

Ao contrário do que muitos pensam, essa condição não é causada por alguma fraqueza ou paralisia dos músculos da fala (presentes em locais como a mandíbula, língua ou lábios). Isso, na verdade, é conhecido como disartria. Algumas pessoas têm esse quadro, no entanto, também podem ter apraxia. Esse detalhe, inclusive, pode dificultar o diagnóstico das duas condições (apraxia e disartria).

Pensando nisso, separamos o artigo de hoje para conversarmos sobre a apraxia da fala de forma detalhada. Afinal, quais são suas causas, sinais e tratamentos? Para descobrir tudo isso e mais um pouco, basta continuar conosco!

O que é a apraxia da fala na infância (exatamente)?

A apraxia da fala na infância, como brevemente explicado acima, é um distúrbio incomum da fala. Nele, a criança tem dificuldade para fazer movimentos precisos e necessários para uma fala clara e coesa.
O cérebro, aqui, tem dificuldade para direcionar ou coordenar os movimentos necessários para que uma palavra seja reproduzida corretamente.

A título de curiosidade: nosso cérebro, durante os primeiros anos de vida, precisa aprender a “antecipar”, ou melhor, “planejar” os movimentos musculares da fala para que ela aconteça. Isso significa mover os lábios, a mandíbula e a língua de maneiras que resultem em sons e palavras precisos e reproduzidos com velocidade e ritmo normais.

Na apraxia da fala, então, a dificuldade está exatamente aí!

Tipos e causas

Existem dois tipos principais de apraxia: apraxia adquirida da fala e apraxia da fala na infância.

A apraxia adquirida pode afetar uma pessoa em qualquer fase de sua vida, embora ocorra mais comumente em adultos. É causada por danos às partes do cérebro envolvidas na locução e envolve a perda ou comprometimento das habilidades de fala existentes.

Pode resultar de um acidente vascular cerebral, traumatismo craniano, tumor ou, ainda, ocorrer junto a qualquer outra condição que afete o cérebro, como:

  • disartria (grupo de transtornos causados ​​por distúrbios na força ou coordenação dos músculos do mecanismo da fala. Normalmente, resultam de danos no cérebro ou nos nervos);
  • afasia (perda total/parcial da capacidade de usar ou compreender a linguagem. É geralmente causada por AVC ou doenças/lesões cerebrais).

Já a apraxia da fala na infância está presente desde o nascimento. Porém, aqui, é preciso cuidado! Afinal, ela não possui a mesma definição que um atraso no desenvolvimento da fala, em que a criança segue o caminho típico do desenvolvimento da fala, mas o faz mais lentamente do que o normal.

As causas da apraxia na infância, infelizmente, ainda não são bem compreendidas. As crianças que possuem essa condição, geralmente, têm histórico familiar de um ou mais distúrbios de comunicação, ou dificuldade de aprendizado. Existem, também, estudos que exploram a relação entre a apraxia e fatores genéticos. Porém, não há nada definido no que diz respeito a esse assunto. A apraxia de fala na Infância é associada, embora com pouca frequência, no TEA e na síndrome de Down.

Sinais e sintomas da apraxia da fala na infância

É importante saber que os sinais e sintomas característicos da apraxia da fala podem variar de acordo com a idade do paciente, e da gravidade da condição. Porém, na maioria dos casos, são percebidos alguns traços comuns como, por exemplo:

  • Entre os 18 e 24 meses
    • início tardio das primeiras palavras;
    • número limitado de palavras faladas;
    • capacidade de formar apenas alguns sons de consoantes ou vogais.
  • Entre os 2 e 4 anos
    • distorções de vogais e consoantes;
    • separação de sílabas em, ou entre palavras;
    • erros na fala, como “djau” ao invés de “tchau”;
    • dificuldade em colocar a mandíbula, os lábios e a língua nas posições corretas para fazer um som;
    • produção com erros inconstantes de uma mesma palavra.

Além disso, muitas crianças com apraxia verbal também têm problemas de linguagem, como vocabulário reduzido ou dificuldade com a ordem das palavras.

No mais, existem, de fato, alguns sintomas que são exclusivos a crianças com CAS e, claro, podem ser úteis para diagnosticar o problema. Porém, a maioria dos sinais de apraxia também são indicativos de outros tipos de distúrbios de fala ou linguagem. Tudo isso torna o diagnóstico mais complicado.

Sendo assim, aí vão algumas características, às vezes chamadas de marcadores, que ajudam a distinguir a apraxia da fala de outros tipos de distúrbios da fala:

  • dificuldade em transitar suavemente entre sons, sílabas ou palavras;
  • distorções vocálicas (tentativa de usar a vogal correta, mas falá-la incorretamente – “minina”, “curuja” etc);
  • dificuldade em produzir palavras e frases mais longas e complexas.
  • entonação inadequada e ênfase na produção de palavras/frases (por exemplo, dificuldade com o tempo, ritmo e fluxo da fala);
  • usar a vogal tônica errada em uma palavra, como pronunciar “banana” como “BÁnana” em vez de “baNÃna”;
  • separação de sílabas (fazer uma pausa ou intervalo entre elas);
  • inconsistência (cometer erros diferentes ao tentar dizer a mesma palavra uma segunda vez);
  • dificuldade em reproduzir palavras simples.

Diagnóstico

Um diagnóstico preciso da apraxia da fala na infância requer uma avaliação abrangente da fala e da linguagem da criança por um fonoaudiólogo.

Dica: é importante que o fonoaudiólogo que está avaliando seu filho tenha experiência e especialização no diagnóstico e no trabalho com a apraxia da fala na infância, para que este seja preciso. Isso é essencial, pois ele saberá descartar outras condições, como fraqueza muscular ou problemas de produção de linguagem.

Como tratar a apraxia da fala na infância?

Em alguns casos, as pessoas com apraxia da fala adquirida recuperam algumas ou todas as suas habilidades de fala por conta própria. Porém, infelizmente, isso não acontece quando essa condição é adquirida ainda na infância.

Portanto, a terapia fonoaudiológica é necessária para a recuperação das habilidades da fala. A terapia, logicamente, é personalizada para o indivíduo e projetada para tratar outros problemas de fala ou linguagem que podem ocorrer junto com a apraxia.

Em casos graves, as crianças podem encontrar outras maneiras de se expressarem até que a comunicação seja exercitada o suficiente para que ocorra de forma natural. Isso pode acontecer por meio de linguagem de sinais formal ou informal, imagens, palavras escritas e mostradas, um dispositivo de comunicação eletrônico e por aí vai.

O importante, no mais, é ter paciência e perseverança! Aproveite estes momentos de exercícios e interações, também, para passar um tempo de qualidade com o seu pequeno, e vamos em frente!

Cuidem-se, e até a próxima.

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Pediatria

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